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POR TAROUCA – UM CAMINHO ENTRE A HISTÓRIA E A NATUREZA

Ponte de Ucanha, sobre o rio Varosa, é ponto de paragem do Caminho de Santiago em Tarouca
Ponte de Ucanha, sobre o rio Varosa, é da época medieval e tem a torre (com o mesmo nome) à entrada

Portugal, apesar da pequena dimensão, é constituído por um mosaico com variações e contrastes bruscos. Até mesmo entre a rota milenar de Santiago nos deparamos com uma enorme diversidade de gentes e tradições. Percorrer o caminho das Torres é também conhecer o interior do país e as raízes históricas do reinado portucalense. Esta rota inicia-se em Salamanca e rompe as fronteiras portuguesas em Almeida. Já no distrito de Viseu, demarcamos um pequeno segmento deste caminho – aquele que atravessa o concelho de Tarouca.

A ponte fortificada de Ucanha é a imagem do caminho das Torres e uma das razões deste trilho ser tão único. O esplendor de uma das mais belas pontes medievais do país concilia-se com a imponência da torre fortificada, erguida em 1465. Mas os encantos de Tarouca não se reservam apenas a Ucanha e expandem-se em cada recanto do concelho. Descobrir Tarouca é percorrer tempos, deixados nos lugares certos pelas memórias das suas gentes.

O aumento de caminheiros rumo a Santiago não passa de despercebido pela autarquia. São milhares os peregrinos e aventureiros que, de passo em passo, entre vivências e experiências, rumam à descoberta da essência das gentes – e até mesmo à própria descoberta pessoal. José Damião, vice-presidente do Município de Tarouca, dá voz ao empenho que o atual executivo tem tido para requalificar e rentabilizar os caminhos de Santiago.
Marcado pela história e pela relação com a natureza, o caminho das Torres “passa bem no interior de Portugal, em todas as zonas que deram origem ao condado portucalense”, relata-nos José Damião. “Há um conjunto vasto de património que são marcos da origem do nosso país”, prosseguiu.

Da gastronomia aos vinhos, da alma tarouquense às tradições cisterciense, o objetivo é que este percurso seja também uma montra cultural do Vale do Varosa. Quem o diz é José Damião: “Queremos dinamizar o nosso trilho, oferecendo experiências que marquem quem por aqui passa. Iremos marcar locais para se degustarem produtos locais e queremos ainda criar outros caminhos alternativos que atravessem o nosso património. Desde logo identificamos 4 elementos fundamentais para criarmos estas ramificações, o mosteiro de Santa Maria de Salzedas, o convento e mosteiro de S. João de Tarouca, a Casa do Paço e a Igreja Paroquial de São Pedro de Tarouca ”. Estes monumentos históricos contam as raízes da nação, mas não só. O primeiro mosteiro cisterciense em Portugal é também casa de abrigo de obras do pintor renascentista Vasco Fernandes, mais conhecido por Grão Vasco, e de trabalhos de Bento Coelho da Silveira ou Pascoal Parente. Entre os trilhos ainda existem alguns fragmentos de calçadas romanas e uma paisagem autêntica desenhada ao ritmo do caudal do rio Varosa. Cruzar Tarouca é conhecer um vale cheio de encantos. Por ali, se às pedras dessem voz, elas poderiam contar como viram erguer-se Portugal e serem esquecidas entre as serras Beirãs e as colinas do Douro.

Para os que passam e para os que acolhem, este caminho traz um conjunto de benefícios e oportunidades para a região, “as antigas escolas primárias de Ucanha ou de Granja Nova poderão vir a ser transformadas num albergue”, referiu José Damião. Existe ainda o movimento natural que favorece a restauração e o comércio local, pelo menos assim se espera. São pequenos passos com grandes objetivos que marcam este caminho – e não são apenas dados pelos caminheiros, mas, no sentido personificado, também Tarouca caminha na direção de promover as suas terras e as suas gentes, dando mil razões para que quem passou, volte noutras circunstâncias. “Não queremos apenas que as pessoas passem, queremos que quem passe fique com memórias das experiências que viveram em Tarouca e estamos preparados para oferecer essas experiências. Há um período do ano em que estes caminhos são mais procurados e o que nós queremos fazer é percecionar que quando existir esse público, nós próprios iremos criar eventos e atividades para criar uma relação com quem passa por ali”, sublinhou José Damião.

O percurso de Tarouca está sinalizado como fácil, entrando em Granja Nova e descendo ao lado das margens do rio Varosa, através de Ucanha e Eira Queimada, até ao concelho de Lamego. A revitalização deste trajeto tem respeitado toda a sua autenticidade, mantendo o caminho e as suas características tal como elas eram. Após reintegrar o guia de caminhos oficiais de Santiago o Município espera começar a colher os primeiros frutos: “As pessoas vão querer descobrir este novo caminho e por isso estamos algo expectantes porque achamos que vai ter uma grande procura”, frisou José Damião.

Apesar de ser um curto segmento entre as centenas de quilómetros até Santiago, o percurso de Tarouca ressurge com a sua máxima identidade. O caminho é uno, mas o que se vê lá fora e o que se sente cá dentro é tão diverso quanto o número de peregrinos. Já se adivinha o problema: é vício sem cura ou antídoto.

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