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A história do azeite contada num edifício ímpar

Não existe cozinha mediterrânica sem azeite e a ligação dos portugueses a esta gordura salutar é já bem conhecida. Em Bobadela, Oliveira do Hospital, encontramos o Museu do Azeite. Por lá é possível apreciar peças únicas e uma coleção de artefactos que contam a história deste néctar.

António Dias, empresário do setor e promotor do projeto, era detentor de boa parte dessa coleção que quis expor e tornar acessível a toda a gente. No Museu é possível acompanhar a história da produção de azeite, desde a moagem, à prensagem e à decantação, começando na época romana e terminando nos dias de hoje. A experiência pelo Museu é, maioritariamente, interativa, com recurso a ecrãs táteis e vídeos. No entanto, existem também recriações de lagares de diferentes períodos históricos e um único relógio a azeite, pertence da coleção de António.

Também o edifício do Museu é, por si só, alvo de muitas atenções. Implementado num terreno de 1700 metros quadrados, o edifício, preto e verde escuro foi desenhado de forma a dialogar com a natureza envolvente e está cercado de oliveiras. Quando visto do céu, o edifício recria a forma de um ramo de oliveira, com folhas e azeitonas. A ideia foi do arquiteto Vasco Teixeira. Em declarações ao público, o arquiteto explica, “o conceito do espaço foi desenhado como uma metáfora, deveria ser uma imagem icônica que as pessoas facilmente reconhecessem”. Já no interior, “a história do azeite é contada através de salas que foram desenhadas de forma cronológica. A forma como o azeite estreita ao longo do processo de produção foi o mote para a zona central do museu, com a qual todas as salas comunicam, a terminar de forma afunilada e voltada para a Serra da Estrela”.

Vasco Teixeira começou este projeto a partir do programa das salas que lhe foi apresentado e adianta que o Museu “foi um bocado trabalhado ao contrário, para adequar o programa a uma ideia pré-concebida”. Para o arquiteto, a ideia inicial era “usar betão pigmentado na construção. Contudo, tal não foi considerado financeiramente viável e os planos alteraram-se: a estrutura dividiu-se entre edifícios somente de betão e outros de uma construção tradicional de betão e tijolo”.

O projeto iniciou-se em 2012 e entrou em pleno funcionamento no início do ano passado. No edifício deste Museu do Azeite há ainda uma loja, um auditório e um restaurante, o Olea – nome da oliveira mais comum em Portugal – onde se pode provar os azeites de várias maneiras, desde as entradas, às sobremesas, enquanto se aprecia a magnifica vista sobre a Serra da Estrela.

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Ana Leitão

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