Turismo

Tomar, a rede dos Templários

Igreja de Santa Maria do Olival em Tomar
Igreja de Santa Maria do Olival em Tomar

A cidade fundada por Gualdim Pais, líder Templário em Portugal, está a criar uma rota internacional que promova o legado deixado pela Ordem de Cristo como um fenómeno de valorização turística, cultural e militar. Centro Interpretativo de Tomar também promete contar a história ‘in loco’.

É um dois-em-um. O município de Tomar quer valorizar a nível internacional o que a História lhe deixou, por isso está a desenvolver uma rota templária europeia e prepara a criação do Centro Interpretativo de Tomar e dos Templários.

As novidades foram explicadas pela vereadora Filipa Fernandes, com o pelouro do Turismo e da Cultura, à revista IN Corporate Magazine. “Antes da formação de Portugal, Tomar assumiu-se como ponto de cultura romana”, disse, numa breve apresentação do que a cidade ribatejana tem para oferecer. Mas o destaque, claro está, deve-se à Ordem de Cristo, à Charola, à Igreja de Santa Maria dos Olivais e ao castelo. “É um espaço único neste domínio de oferta turística”, constatou a vereadora.

Para se perceber bem o que é que Tomar tem, há que recuar à Idade Média. A Ordem de Cristo era uma ordem militar e religiosa, criada pelo rei D. Dinis em 1318, que sucedeu à Ordem do Templo. Esta tinha sido fundada em França, a 1120, para proteger os movimentos de peregrinação aos Lugares Santos do Cristianismo no Médio Oriente e na Península Ibérica. Ou seja, no fundo era uma tropa de elite que cooperava com os exércitos dos reis para reconquistar os territórios do antigo domínio cristão que, entretanto, tinham sido conquistados pelos muçulmanos. Devido ao serviço prestado, a Ordem foi recompensada com a atribuição de bens, como terras, castelos e outras regalias que a tornou poderosa e influente.

Em Portugal, a Ordem do Templo (conhecida pelos seus

Cavaleiros Templários) teve um papel ativo na formação do reino, no povoamento e no controlo do território conquistado. Em 1311 o Papa Clemente V decidiu extinguir a Ordem, mas como era importante para a estratégia política de Portugal, nomeadamente na defesa e povoamento do território, o rei D. Dinis teve uma solução. Mantendo o efeito, bens e estrutura organizativa, apenas mudou o nome, passando a chamar-se Ordem de Cristo.

Em 1357 a sede da Ordem de Cristo é instalada na antiga sede templária, o castelo de Tomar (onde se inclui o Convento de Cristo), onde se mantém definitivamente. São ainda pontos templários a Charola (oratório privativo dos Cavaleiros, no interior da fortaleza do Convento de Cristo); a Igreja de Santa Maria dos Olivais (também conhecida por Igreja de Santa Maria do Olival, foi sede da Ordem dos Templários no país e local de adoração dos Cavaleiros Templários, sendo agora o panteão dos Mestres da Ordem, como é o caso de Gualdim Pais, líder Templário em Portugal e um dos maiores cavaleiros portugueses, intimamente ligado à história da fundação de Portugal, tendo fundado os castelos de Almourol e a obra monumental de Tomar, com o seu convento e castelo); e o castelo de Tomar, que teve um cerco de seis dias, feito pelos mouros, a 13 de julho de 1190.

Se não fossem os Templários e, depois, a Ordem de Cristo não tinha havido uma tão grande nem eficaz globalização. Eles lideraram a promoção de uma das mais importantes epopeias de toda a História de Portugal e do Mundo: os Descobrimentos. O Infante D. Henrique era, aliás, Grão- Mestre da Ordem de Cristo.

Por isso, o executivo liderado por Anabela Freitas tem apostado muito na rota templária internacional. Trata-se de um roteiro deixado pelaOrdemdeCristo,desdePortugalaFrança, que pretende ser assim valorizado turística, cultural e militarmente.

“Não queremos só fomentar a marca nacional, mas sim internacional, com cidades de Portugal (Tomar), Espanha (Ponferrada), Itália (Perugia) e França (Troyes, onde nasceram os Templários). Queremos que Tomar seja a entrada dos Templários em Portugal. E criar a partir daqui uma rota nacional dos Templários. É esse o nosso grande mote. Que haja uma continuidade e enquadramento histórico. Foram os Templários que deixaram esse legado e há que fomentar esse produto turístico”, frisou a vereadora.

Mais que uma iniciativa da Câmara, é “a nossa obrigação. Somos um território privilegiado no seu legado patrimonial. É nossa missão divulgar e promover o que nos foi deixado. Os Templários são grande motivo de visitação, não podemos deixar de poder abraçar esta oportunidade”.

O Complexo Cultural da Levada, antigo complexo industrial cuja origem remonta à época templária e que foi pertença da Ordem de Cristo, acolherá o Centro Interpretativo de Tomar e dos Templários. “Vamos contar toda a história de Tomar, incluindo a história industrial que passa pelo papel, moagens e cerâmica”, anunciou Filipa Fernandes, em representação da presidente da autarquia.

Presidente Anabela Freitas

Prevê-se que este ano já esteja a funcionar. “Foi uma candidatura que já foi aprovada. É o que faz falta a Tomar. Temos o património, mas falta a parte educativa. A ideia é ter uma mostra dos Templários de Tomar, da região e mostrar a rota para a Europa e o mundo em 2020”.

O facto da sede da Associação de Turismo Militar Português (ATMPT) ser em Tomar também já mostra o papel da mesma na história militar do país. “Temos o Regimento de Infantaria 15 (que tem uma coleção visitável) e a presença deles na batalha de La Lys, na 1a. Grande Guerra”, contou a vereadora, acrescentando: “Mas também há outros importantes marcos aqui:a junção das tropas de Nuno Álvares Pereira a partir da Capela de São Lourenço; a passagem das tropas aliadas nas Guerras Napoleónicas e a batalha da Asseiceira (a 16 de maio de 1834. Fez parte das guerras civis entre liberais e miguelistas, onde estes últimos foram derrotados)”.

Vereadora Filipa Fernande

Por tudo isto, fica a prova que “Tomar não é só Templários”. Apesar de todas as rotas do género irem dar a Tomar.

Sobre este autor

Ana Leitão

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