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“O voleibol é a modalidade rainha da cidade de Esmoriz”

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Com uma história inegável no voleibol em Portugal, o Esmoriz Ginásio Clube está novamente a dar cartas a nível nacional. António Guilherme Costa, atual presidente, tem um projeto de curto prazo cujo objetivo é “alavancar novamente o nome do clube e a modalidade que ele representa”.

A 14 de outubro de 1967 era fundado o Esmoriz Ginásio Clube, que é hoje uma referência no voleibol português e que conta já no seu currículo com diversas conquistas. O palmarés inaugurava-se na época de 1971/72 com os juniores a sagrarem-se campeões nacionais e os seniores campeões nacionais da II Divisão. Mais tarde, em 1981/82 o Esmoriz Ginásio Clube traz para casa a Taça de Portugal, com a equipa de seniores masculinos e, um ano depois, em 1982/83 participa pela primeira vez na Taça das Taças, competição europeia de voleibol. Nesse mesmo ano, por cá, o clube faz história ao sagrar-se campeão nacional de seniores masculinos em 1982/83 e repete o feito novamente na época seguinte, em 1983/84.

Atualmente o Esmoriz Ginásio Clube atravessa uma fase em que o objetivo é “alavancar novamente o voleibol”. António Guilherme Costa, atual presidente, reconhece as dificuldades financeiras que o clube atravessou. “Por força da crise que se abateu sobre Portugal, os parceiros são cada vez menos e por isso as dificuldades de liquidez acabam por surgir”. Todavia, o clube está empenhado em abrir este novo capítulo e voltar a conseguir títulos. “Nos últimos dois anos tentamos dar maior ênfase à equipa sénior masculina e aos poucos tentar trazer alguma experiência que, em conjunto com jogadores mais novos, seja uma boa base. Este ano foi o ano em que investimos mais. Existe uma considerável falta de jogadores seniores masculinos em Portugal. Antigamente o voleibol era muito virado para o masculino, agora isso mudou e existem cada vez mais jogadoras. Num mundo ideal gostávamos de ter uma equipa totalmente formada cá, mas isso é praticamente impossível. Temos de ter atletas com muita experiência e qualidade para nos mantermos na I Divisão e apresentarmos resultados”.

Para reforçar a equipa, dois nomes que já eram conhecidos da casa voltaram. “Este ano fomos buscar atletas que já passaram por cá, como o Roberto Reis, que fez a formação connosco e o Hugo Ribeiro, que esteve cá a jogar em 2004/05. Estes jogadores vêm trazer maturidade à equipa. O Esmoriz Ginásio Clube é a equipa com a média de idades mais baixa da primeira divisão, de 23 anos, por isso a nossa aposta tinha de ser na experiência. Temos ótimos jogadores da formação, alguns com 17 anos que já estão a competir na equipa sénior, mas os atletas vão-se fazendo gradualmente, precisam de tempo”. Ainda durante o último período de transferências o Esmoriz conseguiu juntar à equipa um outro reforço, “Filip Cveticanin, jogador da seleção nacional, que permitiu à equipa ter mais altura de bloco e mais poder de ataque”. António Guilherme Costa lamenta que clubes como o Esmoriz estejam longe de conseguir competir com clubes grandes a nível de contratações. “Os atletas cobiçados por essas equipas acabam por ir para lá. As equipas têm nome e maior poder financeiro e clubes como o Esmoriz, do meio da tabela, começam a ter dificuldades em ter atletas com essa qualidade”. Neste momento o clube está a fazer “um trabalho de equilíbrio financeiro, que é um trabalho árduo e moroso” e por isso é preciso que “os adeptos compreendam que temos de dar um passo de cada vez, não podemos cometer loucuras. É a realidade do clube”.

E porque é na formação que tudo começa, a aposta do Esmoriz Ginásio Clube tem sido essa. “Nas camadas jovens, desde mickeys, de quatro anos, até aos sub-21, temos 250 atletas. Temos atletas de outras freguesias e de outros concelhos, não só de Esmoriz. “

Em termos de captação de atletas os últimos anos têm sido mais difíceis, sobretudo porque há cada vez mais oferta. “Agora temos o futebol, logo aqui na freguesia ao lado em Cortegaça no Futparque, o Sporting Clube de Esmoriz, o basquetebol em Paços de Brandão, o Espinho aqui quase ao lado também a captar atletas das freguesias mais a norte, portanto tem sido difícil”. Ainda assim tem sido possível e o presidente atribui isso à forte tradição de voleibol que tem o litoral norte do país. “Sempre tivemos a tradição do voleibol aqui e temos clubes como o Espinho, o Esmoriz, o Madalena, o Leixões, Castêlo da Maia ou Póvoa, que o provam. O voleibol está mais concentrado no norte litoral, contudo com a aposta da federação em alargar o voleibol a todo o país, há cada vez mais clubes a sul de Esmoriz. Antigamente, mais a sul, só tínhamos o Benfica e o Sporting, mais tarde apareceu o Caldas e agora já surgiram diversos clubes à volta de Lisboa e no Alentejo. Há uma aposta clara e forte no voleibol que está a dar frutos”.

“O voleibol é a modalidade rainha da cidade de Esmoriz”. António Guilherme Costa não esconde o orgulho em admitir que o Esmoriz Ginásio Clube e a sua modalidade são muito apreciados pelos locais. “Em Ovar o voleibol partilha a 50 por cento a atenção com o basquetebol da Ovarense, mas sem dúvida que o Esmoriz é uma equipa de renome, que já foi campeã nacional duas vezes, já ganhou a Taça de Portugal e é um motivo de orgulho para todos os munícipes de Ovar”. Sobre alargar a mais modalidades a atuação do clube, o presidente não deixa dúvidas: “Não está nos nossos planos. Durante algum tempo tivemos taekwondo e ténis, mas percebemos imediatamente que a nossa aposta tinha que ser o voleibol”. Em setembro de 2019, contudo, o Esmoriz Ginásio Clube “abriu um centro de estudos”. A funcionar em horário pós-letivo, o centro conta já com “45 alunos e reforça a vertente social e educativa do clube. Temos protocolos com todas as escolas de Esmoriz. Os alunos ao abrigo do protocolo têm desconto no nosso centro de estudo e na mensalidade do voleibol, se estiverem inscritos connosco”.

Para o futuro, António Guilherme Costa gostava de ver nascer uma “equipa de seniores femininos, com base na formação do Esmoriz, que nos permita chegar a I Divisão. Este é um projeto a médio prazo, não é para acontecer amanhã, nem se conseguiria. Estamos a trabalhar para isso”. A atual equipa de seniores feminino está na II Divisão e é “constituída por 70 por cento de atletas da formação e 30 por cento de fora”. Quanto aos seniores masculinos, o objetivo futuro passa por “ir evoluindo na tabela classificativa. O ano passado terminamos em sétimo lugar, este ano tencionamos melhorar e quem sabe no próximo ano subir mais ainda”. Este é um “projeto a dois anos”, tempo durante o qual António Guilherme Costa foi eleito.

O presidente, e toda a equipa, deixam ainda um convite aos moradores de Esmoriz, adeptos ou simpatizantes do clube. “Sempre que as equipas têm jogos em casa é preciso vir apoiar, porque nota-se que o número de espectadores tem decrescido e são eles que criam todo o ambiente à volta de jogo. Os atletas precisam de ter um ambiente bom e só com a presença deles é que é possível”.









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