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COVID-19 deixa festivais de música na incerteza até junho

Foto: Facebook do Rock in Rio Lisboa

Rock in Rio espera pelo fim do estado de emergência para decidir. North Music Festival, no Porto, é já em maio, mas diz que todos os cenários são possíveis. NOS Primavera Sound depende de Espanha, um dos países mais afetados nesta crise. Artistas também têm cancelado digressões.

O mundo está em suspenso por tempo indeterminado por causa da pandemia de COVID-19, por isso fazer planos ou previsões para o futuro tem-se vindo a revelar cada vez mais difícil este ano. Mas é inevitável começar a pensar já nos festivais de música, por exemplo, ou não juntassem eles multidões e implicassem toda uma logística de meses.

Para já, e desde a segunda semana de março (altura que o país ficou em estado de alerta devido ao novo coronavírus), não se pode realizar em Portugal espetáculos com mais de mil pessoas em recintos fechados e cinco mil ao ar livre. Além disso, os promotores de festivais não estão apenas dependentes das medidas estatais, mas também dos próprios artistas, até porque muitos deles já estão a cancelar as suas agendas e digressões.

Vamos por ordem. O primeiro evento deste género será na Alfândega do Porto a 22 e 23 de maio. O North Music Festival, que tem no cartaz nomes como os Deftones, The Script e Waterboys, ainda está no limbo.

“Neste momento todos os cenários” são equacionados, disse a organização em comunicado, acrescentando que “está a acompanhar de perto os desenvolvimentos do surto de Covid-19, em Portugal e no mundo, assim como as diretivas da Organização Mundial de Saúde e da Direção-Geral de Saúde relativamente à sua propagação”. E só aí, com a garantia de saúde pública, tomará uma decisão.

Mas o primeiro grande festival do país acontece em junho no Parque da Cidade do Porto, onde funciona atualmente o centro de rastreio de COVID-19. Marcado para os dias 11, 12 e 13 de junho, o NOS Primavera Sound é um caso ainda mais complicado porque depende do seu congénere espanhol, em Barcelona, na semana anterior. Tendo em conta que os nossos vizinhos têm sido um dos mais atingidos nesta pandemia, é provável que a sua realização seja muito pouco provável. 

Quanto ao festival que mais junta multidões, o Rock in Rio Lisboa está agendado para os dias 20, 21, 27 e 28 de junho e entre outros nomes anunciados contam-se Foo Fighters (que já cancelaram uma digressão nos EUA, mas ainda mantêm a europeia, que arrancará a 10 de junho na Alemanha), Duran Duran, Post Malone e Black Eyed Peas. Camila Cabello, uma das artistas que constava no cartaz, cancelou os concertos todos.

Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio, partilhou uma mensagem em vídeo na qual remete a decisão do eventual cancelamento para o final do estado de emergência.

As montagens para o festival já tinham começado e “tiveram de ser interrompidas, como tudo”, lembrou. “A única decisão que foi tomada até aqui, por sugestão das autoridades, foi que vamos aguardar o fim do estado de emergência para tomar qualquer decisão definitiva. São muitos cenários possíveis”, admitiu Roberta Medina.

Em edições anteriores, o Rock in Rio juntou mais de 200 mil pessoas no Parque da Bela Vista, em Lisboa.

Festivais de julho e agosto mantêm esperança

Por serem mais tarde, terão, à partida, uma folga maior na gestão da crise. No entanto, a prudência é a palavra de ordem, segundo garantem os representantes máximos de NOS Alive (8, 9, 10 e 11 de julho em Algés), Super Bock Super Rock (16 a 18 de julho no Meco), RFM Somnii (10, 11 e 12 de julho na Figueira da Foz) e MEO Marés Vivas (17, 18 e 19 de Julho de 2020 em Gaia).

Luís Montez, diretor-geral da Música no Coração, mostrou-se convicto de que os festivais por si organizados, o Super Bock Super Rock e MEO Sudoeste (4 a 8 de agosto, na Zambujeira do Mar) não estarão em risco. “Os nossos festivais acontecem em julho e agosto e espero que até lá o problema esteja estabilizado e resolvido”, afirmou à BLITZ a meio de março.

Além do MEO Sudoeste, agosto é também o mês em que se realiza o Vodafone Paredes de Coura que, à semelhança do também minhoto EDP Vilar de Mouros, dispõe de mais tempo para tomar decisões. Pixies, IDLES e Ty Segall atuam em Paredes de Coura de 19 a 22 de agosto, enquanto Caminha recebe o EDP Vilar de Mouros, previsto para os dias 27, 28 e 29 de agosto.