2020 Blog Covid-19 Março

Que conclusões podem ser tiradas dos números diários sobre o novo coronavírus?

A pandemia de coronavírus está dominar as nossas vidas. Estamos todos a fazer o possível para minimizar o impacto desta doença. Aqui iremos olhar para os dados atuais analisando os riscos que esta pandemia pode representar aos municípios portugueses.

Resende, Bragança ou Vila Real podem apresentar problemas maiores se forem ignoradas medidas mais severas e eficazes. Os números não enganam, é uma questão de olhar os dados oficiais de uma perspetiva diferente.

Todos os dias saem novos dados que nos atualizam do momento atual da pandemia do novo coronavírus. A DGS reporta diariamente o relatório com a atualização de alguns números. Entre as linhas das tabelas há várias conclusões que podem ser tiradas. Os dados reunidos têm como fonte o boletim diário da DGS de hoje e informações dos censos de 2011.

A seguinte tabela apresenta os dados mais evidentes. Neste caso estão ordenados os 20 municípios mais afetados pela COVID-19.

No entanto será certamente um erro olhar para os dados diários disponibilizados pela DGS e reter apenas alguns números. As conclusões podem ser variadas e podem ser utilizadas para a prevenção de novos epicentros da COVID-19.

A ter em conta deve-se ter também o número de habitantes de cada município. E se tivermos esses dados em conta, a tabela dos 20 primeiros municípios ganha novos contornos.

Nesta perspetiva os munícpios com maior número de casos, Porto e Lisboa, aparecem em 8º e 20º lugar, respetivamente. Enquanto os primeiros 3 são Resende, Ovar e Vila Real.

Na terceira tabela, teremos em conta a análise da área de cada município, ordenando assim a tabela por ordem de casos confirmados mediante a densidade populacional.

Nesta terceira análise, na qual Porto e Lisboa não enquadram entre os 20 primeiros, apresentam-se vários municípios onde podem surgir novos epicentros com graves contornos para cada região.

Em suma, Bragança, Vila Real, Paredes e Coruche podem vir a ter um grande aumento de infetados. A situação poder-se-á agravar se estes municípios não tomarem medidas severas – assim como Ovar o fez, numa fase ainda precoce do surto.

A acrescentar à análise, não devemos descurar a falta de meios e serviços de saúde no interior do país o que pode agravar uma situação de descontrolo absoluto nestas regiões, porque apesar de terem menos pessoas e por isso números absolutos menores, há uma grande probabilidade que estas regiões se tornem em perigosos epicentros da COVID-19. Por fim, deve-se ter também em conta as dificuldades financeiras, de recursos humanos e logística dos munícipios do interior.

O estado central tem reunido esforços para controlar o surto nos grandes centros populacionais, mas como fica o interior?

Neste momento não há nenhuma região ‘sagrada’ em que o surto do novo coronavírus não possa chegar. Todos os cuidados são poucos, portanto, fique em casa, pela sua segurança, pela segurança da sua família, dos seus amigos e da sua cidade.

As tabelas podem ser consultadas na sua totalidade aqui.