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Fármaco antiparasitário usado contra sarna pode matar covid-19

Unsplash.com: Louis Reed @_louisreed

Cientistas destruíram o vírus com um antiparasitário comum. Mas ainda só foi testado em laboratório e não se conhece o efeito em humanos.

É mais uma hipótese terapêutica contra a pandemia e chegou da Austrália. Investigadores conseguiram matar o vírus, fazendo-o desaparecer por completo, com a utilização de um antiparasitário comum contra sarna, piolhos, lombrigas e outros vermes.

A descoberta, ainda apenas em laboratório e limitada a tecidos sem complexidade, animou os médicos, mas pode não passar de uma falsa esperança. “É preciso manter o espírito crítico. Sabemos já desde o ébola que alguns antiparasitários com atividade viral numa cultura de células sofrem interferências quando transpostos para um sistema mais complexo”, explica o diretor do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital Egas Moniz, Kamal Mansinho.

A Ivermectina é a substância activa de vários medicamentos que vêm sendo utilizados, há décadas, como desparasitantes. Tem sido utilizada no tratamento de condições associadas a vermes e parasitas, nomeadamente lombrigas, piolhos e sarna, em humanos. Mas também é usado em medicina veterinária para o tratamento da sarna e de verminoses gastrointestinais.

Os medicamentos à base da substância actuam, geralmente, nos nervos e células dos parasitas. Em investigações feitas nos últimos anos, também se revelou eficaz contra vírus como o VIH, o Dengue, a Influenza e o Zika.

Em apenas 48 horas um medicamento usado contra a sarna e os piolhos eliminou o coronavírus. Os testes foram feitos em laboratório na Austrália por uma equipa de investigadores da Universidade de Monash, em Melbourne. Este fármaco é produzido em Portugal, mas ainda é desconhecido o comportamento em humanos numa utilização contra a Covid-19.

Segundo o “Jornal Sol”, a ivermectina, assim se chama o medicamento, é produzido pela farmacêutica nacional Hovione. “Neste momento, têm de ser feitos estudos de fase três – já em pacientes – e terá de descobrir-se a dose terapêutica, para se apurar se, de facto, essa dose está dentro dos limites de toxicidade com que pode ser usado este produto”, explicou  Marco Gil, diretor comercial da marca.

Já o estudo dos investigadores australianos, publicado na “Antiviral Research”, concluiu que uma dose única deste medicamento consegue remover todo material genético do vírus em 48 horas. Em 24 horas assistiu-se a uma diminuição significativa.

A pesquisa resultou de uma parceria entre dois institutos que fazem investigação nas áreas da biomedicina e da imunidade, a Universidade de Melbourne e o Hospital Royal Melbourne e contou com a participação do médico Leon Caly que integrou a primeira equipa de investigadores fora da China que conseguiu isolar o SARS-COV2.

Kylie Wagstaff esteve também envolvida na pesquisa que detectou, em 2012, que a Ivermectina tinha propriedades anti-virais.

Apesar dos resultados promissores do estudo, é importante que tenha presente que o uso da Ivermectina tem efeitos secundários associados, não devendo ser utilizado sem prescrição médica.