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Há 360 praias com bandeira azul em 2020

Num especial sobre Destinos Balneares de Excelência, uma conversa com Catarina Gonçalves, responsável pela Coordenação Nacional do Programa Bandeira Azul é obrigatória, com especial ênfase numa altura de tantas incógnitas para os banhistas.

A questão é obrigatória e demasiado atual: como antevê a época balnear de 2020 com tudo o que tem assolado o país e o mundo?

A época balnear 2020 e o seu decorrer pressupõem um empenho por parte dos utentes no que respeita uma informação atempada e um cumprimento de regras antes mesmo de serem frequentadas. Muitas entidades estão a trabalhar para que a segurança e proteção estejam garantidas contudo só mesmo a atitude de todos os que as frequentam ditará o sucesso ou não da
frequência balnear.

De que forma acredita ser possível os banhistas continuarem a fazer uso e a divertirem-se nas praias portuguesas, sem medo?

Em particular nas praias que ostentam a Bandeira Azul a segurança foi sempre garantida pois os 33 critérios implicam qualidade e segurança de excelência em várias áreas, limpeza, acessos e acessibilidades, informação, água balnear, serviços, equipamentos, etc. Contudo como em todos os anos as atitudes e comportamentos e responsabilidade de cada utente que frequenta é que ditará a segurança e confiança no contexto da crise sanitária que atravessamos.

O tema selecionado para 2020 é ‘De Volta ao mar Com Atitude de Mudar’. De que forma é que conseguimos alcançar este objetivo? Como conseguimos mudar a forma como lidamos com o mar e com os outros?

Os temas eleitos pelo Programa Bandeira Azul pretendem chamar a atenção de questões prementes relacionadas com o meio marinho, costeiro e fluvial. Neste caso chamamos a atenção para a necessidade de termos que mudar comportamentos na forma como lidamos nos ecossistemas em que estamos inseridos, perceber as origens da poluição provocadas pelas atividades humanas, reconhecer o seu impacto e encontrar formas de a evitar é o nosso foco de trabalho com os promotores. Perceber antes de mais que somos cada um de nós que temos o poder de mudar o rumo das sociedades de consumo optando por mudanças no nosso dia-a-dia na quantidade e tipo de produtos que consumimos, formas como nos deslocamos, valorizando os sentimentos e o que nos traz saúde e bem-estar em detrimento do material.

Muitos consideram o mar e os aromas que o rodeiam como o seu calmante natural ou o necessário para reavivar as suas forças. Também é nesta perspetiva que devemos mudar a nossa relação com o mar? Acredita qe todos o encaram como fundamental e têm a noção de que é necessário preservá-lo e protegê-lo?

Está provada a influência que a natureza tem na nossa saúde mas hoje sabe-se que duas horas semanais de contacto com a natureza podem fazer toda a diferença no equilíbrio emocional de uma pessoa. A linha do horizonte, o cintilar da água têm um efeito tremendo. O murmurar das ondas vibra numa frequência que tem um poder enorme sobre nós, os nossos corpos libertam endorfinas, uma maneira química de dizerem que estão felizes. Então o que pretendemos é que as pessoas vivam mais o mar, as praias, os cursos de água e que isso as motive, as torne defensoras de espaços que lhes fazem tão bem. Pretendemos que o activismo passe das redes sociais para o terreno e que as pessoas tomem consciência do seu lugar na Natureza, entendam que é ela, e não o consumo, que determina a nossa qualidade de vida. E só por esse motivo, já merece ser preservada.

De que forma podemos e devemos alertar consciências?

Podemos saber como salvar os oceanos mas só damos o primeiro passo se soubermos dar valor ao que queremos salvar. Para tal temos que conhecer, entender a cadeia e conjunto de “engrenagens” que faz o Planeta estar equilibrado e saber que temos uma função. Todos procuramos o mesmo. Tranquilidade, saúde, felicidade, bem-estar emocional. O mundo moderno oferece-nos personal trainers, life coaches, shopping influencers, que nos fazem acreditar que se nos esforçarmos mais, empreendermos mais e consumirmos mais, isso nos trará felicidade e alívio, quem sabe, uma consciência tranquila.

Vivemos em modo wireless, obtemos toda a nossa informação em 5G mas perdemos o fio que nos liga à terra. Esta é a nossa “formula”: Frequentar mais mar, mais sol e menos compras ao quadrado, dar-nos-á mais Bem-Estar, Saúde e Felicidade.

Falemos agora, especificamente, das bandeiras azuis. Quais os critérios para a atribuição da mesma?

A Bandeira Azul é um galardão reconhecido internacionalmente que reconhece o esforço e sucesso de um conjunto de entidades que em parceria cumprem um conjunto de critérios relacionados com a frequência dos meio marinho e costeiro em praias, marinas e embarcações.
No caso das praias costeiras e de transição e do interior estão estabelecidos 33 critérios agrupados em 4 áreas: 6 relativos a Informação e Educação Ambiental; 5 relativos à Qualidade da Água; 15 relativos a Gestão Ambiental e Equipamentos e 7 relativos a Segurança e Serviços. São critérios iguais em todos os países do Mundo que implementam o Programa Bandeira Azul e vão sendo atualizados de 5 em 5 anos variando apenas no período de época balnear consoante ser em países do Hemisfério Norte ou do Hemisfério Sul (que tem uma época balnear de 12 meses).

Peço-lhe que elucide os nossos leitores sobre a importância de escolher frequentar uma praia com bandeira azul em detrimento das restantes.

Ao frequentar uma Praia galardoada com Bandeira Azul o banhista pode contar com um conjunto de serviços e equipamentos e uma gestão de qualidade por parte de várias entidades. Acessos limpos e seguros, informação sobre localização dos serviços, sobre áreas sensíveis e formas de a proteger, código de conduta específico, atividades de educação ambiental com informação acrescida, cultura local, cumprimentos da legislação relativa a gestão, monitorização da qualidade da água, tratamento, instalações sanitárias e areal com regularidade de limpeza,
recolha seletiva de resíduos, segurança e equipamentos de primeiros socorros, acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, formas de contacto, água potável, mas fundamentalmente uma empenho em manter zonas balneares com qualidade e informação.

Mas de outros projetos se faz a ABAE. Quais são os mesmos?

O Programa Bandeira Azul em Portugal e na Europa teve início em 1987 em conjunto com 11 países, mas só em 1990 foi constituída a Associação Bandeira Azul da Europa que tem este nome devido exatamente ao Programa Bandeira Azul. Contudo a Fundação para a Educação Ambiental (FEE) foi desenvolvendo outros Programa de Educação Ambiental direcionados para públicos-alvo e áreas de atuação específicas implementados nos cerca de 80 países que integram a FEE. Os programas escolares: Eco-Escolas e Jovens Repórteres para o Ambiente, o Programa Green Key direcionado para unidades hoteleiras, restaurantes e parques de campismo e mais recentemente o Programa ECOXXI que é implementado apenas em Portugal e surgiu no âmbito da necessidade da plena implementação da Agenda 21, do Programa para Implementações Futuras e do Compromisso com os Princípios do Rio. Em consonância com os Objectivos do Milénio, seria declarada a década 2005-2014 como “A Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável”. O ECOXXI pretende ser um Programa dinâmico que, num processo de auto-avaliação anual participada se atualiza e ajusta as formas de aferir a sustentabilidade local.

Por onde passa o futuro da ABAE e das praias nacionais?

A Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE) é uma Organização não Governamental de Ambiente (ONGA), sem fins lucrativos, dedicada à Educação para o Desenvolvimento Sustentável e à gestão e reconhecimento de boas práticas ambientais.

O futuro da ABAE passa pela continuidade do desenvolvimento, em Portugal, de Campanhas, Projetos e Programas vocacionados para a mudança de comportamentos, através da sensibilização e educação ambiental, dirigidos a diversos públicos-alvo.
Pretendemos continuar a encorajar ações e reconhecer o trabalho de qualidade desenvolvido pelos vários promotores, contado com a parceria de vários municípios e apoios específicos de mecenas para algumas das atividades. Continuar a fornecer ferramentas, metodologia, formações, materiais pedagógicos, apoios e enquadramento ao trabalho desenvolvido pelos interlocutores quer seja na literacia dos oceanos, respeito pelos ecossistemas, e envolvimento das comunidades locais.