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“Aqui começa Albergaria da Rainha D. Teresa”

Albergaria-a-Velha, ponto de paragem do Caminho de Santiago
Albergaria-a-Velha
Albergaria-a-Velha é uma terra de tradições feita de água, pão e moinhos. Os últimos predominam em Albergaria-a-Velha – o concelho com maior número de moinhos de água inventariados da Europa. Uma das apostas recentes passa também pela valorização do Caminho de Santiago, uma das prioridades de Delfim Bismarck desde que integra o Executivo da Câmara Municipal.

Albergaria-a-Velha é um dos municípios fundadores da Federação Portuguesa do Caminho de Santiago. Este foi o primeiro passo para realmente se valorizar este Património Imaterial no Concelho?

Albergaria-a-Velha, devido às suas características geográficas é desde tempos remotos local quase obrigatório de passagem de peregrinos. Foi da necessidade de apoiar e proteger esses peregrinos que em 1117 a Rainha D. Teresa mandou lavrar uma Carta de Couto para que no lugar de Osseloa fosse instituída uma albergaria para pobres e passageiros. Como testemunho da existência dessa albergaria encontra-se exposta no Edifício dos Paços do Concelho uma lápide do séc. XVII contendo as obrigações que essa albergaria deveria ter para com os doentes, pobres e passageiros. Hoje, o peregrino pode encontrar ao longo do Caminho neste concelho a hospitalidade das suas gentes, um património natural rico, uma gastronomia local de grande diversidade e o Albergue de Peregrinos Rainha D. Teresa que continua a honrar a História secular da existência de uma albergaria e o desejo manifestado pela sua fundadora. São dois os Caminhos de Santiago que atravessam o território de Albergaria-a-Velha: Caminho Central Português de Santiago, vindo de Lisboa e o Caminho de Santiago Caramulo Vale do Vouga, vindo de Viseu.

Neste contexto ser membro fundador da Federação Portuguesa do Caminho de Santiago foi sem dúvida um grande passo para enaltecer este património cultural imaterial, na medida em que são criadas estratégias de revitalização, promoção e divulgação nas variantes do Caminho Português de Santiago, como importantes vias de peregrinação a Santiago de Compostela, recuperando, preservando e promovendo o património histórico-cultural e religioso associado aos caminhos, a interculturalidade dos povos e impulsionando o desenvolvimento económico, social e ambiental das regiões atravessadas.

Como se caracteriza o troço que atravessa o Município de Albergaria-a-Velha e em que pontos de interesse passa?

“Aqui começa Albergaria da Rainha D. Teresa”. O Caminho de Santiago representa para Albergaria-a-Velha um património cultural imaterial marcante, um traçado, uma memória, uma identidade. Atualmente, esta presença é assinalada por milhares de peregrinos rumando a Santiago, mas também para Fátima.

No trajeto de 14,5km que passa no concelho de Albergaria-a-Velha é possível apresentar-vos, de uma maneira muito geral, um pouco do património, quer natural, religioso, arquitetónico, etc.

Encontramos no centro da Cidade de Albergaria-a-Velha um património religioso e arquitetónico, com variadíssimas capelas e cruzeiros, onde se destaca a seiscentista Igreja de Santa Cruz (1695) e a Casa e Capela de Santo António (Séc. XVIII) – Imóvel de Interesse Público, a Estalagem dos Padres, os Paços do Concelho, o Palacete e Castelo da Boa Vista (1900), a casa de Arte Nova Dr. António de Pinho e o Cineteatro Alba (1950) que contam um pouco da história de Albergaria-a-Velha e do seu desenvolvimento. A poucos metros encontramos o Albergue de Peregrinos Rainha D. Teresa, antiga casa de magistrados, inaugurada em abril de 2014 e que contabilizou, até à data, 4383 peregrinos.

O Caminho Português de Santiago atravessa o território de Albergaria-a-Velha em cerca de 14,5 km, ao longo dos quais o peregrino pode contar com o apoio não só da hospitalidade das suas gentes, provando uma gastronomia local de grande diversidade e sentindo-se em casa; mas também do Albergue Municipal, honrando assim, a História secular da existência de um Albergue em Albergaria-a-Velha.

Durante este ano assinalaram o dia Europeu dos Caminhos de Santiago organizando o webinar ‘A Seta Amarela’, com Pedro Gil de Vasconcelos. Que outras atividades têm concretizado no que diz respeito à requalificação, dinamização e promoção do Caminho de Santiago?

As atividades realizadas debruçam-se, essencialmente, sobre a evolução da hospitalidade no Caminho de Santiago ao longo dos séculos, na partilha de experiências e na valorização e preservação dos caminhos.

Ao longo de 4 anos são vários os projetos realizados: A ‘Comemoração dos Dias Europeus dos Caminhos de Santiago’, em 2020 com o Webinar ‘A Seta Amarela, e em 2019 com o documentário ‘Walking the Camino’; realização do ‘Encontro Albergaria 2018’ – Hospitalidade no Caminho de Santiago, ‘Encontro Albergaria 2017’ – Hospitalidade no Caminho de Santiago; a apresentação de livros (2017, 2016, 2015), nomeadamente, “Fátima 100 anos de Fé”, “Um caminho para Todos”, “Entre o Silêncio das Pedras”; e ainda a realização do primeiro Curso para Hospitaleiros Voluntários – fevereiro 2016.

O Albergue de Peregrinos Rainha D. Teresa oferece o descanso merecido dos caminheiros. Que comodidades podem encontrar neste recanto?

O Albergue de Peregrinos Rainha D. Teresa é composto por três pisos. Na cave há uma garagem, uma zona de tratamento de roupa, uma arrecadação de mochilas, uma zona balnear com lava-pés e WC e um espaço com 4 beliches. No rés-do-chão, além da receção, o espaço contempla uma sala de convívio, uma cozinha comum, uma sala de tratamento e auxílio aos peregrinos e uma arrecadação de mochilas. No 1.º andar, o Albergue disponibiliza quatro quartos, bem como balneários femininos e masculinos. No exterior há uma zona de lazer com 2 mesas e lava-louça.

O Albergue tem a capacidade de 21+8 camas e acesso gratuito à internet.