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‘Faça férias INternas’: Património

Portas Duplas de Santo António em Almeida
Portas Duplas de Santo António em Almeida
Agosto já passou, mas o calor continua em setembro. Em tempo de pandemia, a solução passa por fazer férias e turismo cá dentro. Por isso, a IN Corporate Magazine decidiu criar a rubrica sazonal: ‘Faça férias INternas’. Hoje damos destaque ao Património.

Num ano em que um vírus trocou as voltas a muitas pessoas, incluindo os planos de férias, não se pode dizer, no entanto, que o verão está perdido. Agosto já passou, mas ainda há quem vá de férias em setembro. Se não for o seu caso, aproveite na mesma os dias de calor com que este mês nos tem brindado.

Na terceira parte desta rubrica, depois das praias (mar e rio) e das ilhas (Madeira e Açores), o destaque vai para o Património (natural e histórico).

Estas são as sugestões da IN Corporate Magazine: 

VALENÇA

Visitar esta cidade raiana e não ver a Fortaleza é, além de quase impossível, um grande erro. Trata-se de um exemplar único da arquitetura militar abaluartada que a população quer ver reconhecida como Património Mundial da UNESCO. São 5 quilómetros de muros a envolver uma autêntica cidade fortificada, por onde passam muitos dos que fazem o caminho rumo a Santiago de Compostela.

De tanto calcorrear ruelas e espreitar guaritas, se o apetite aparecer, está no sítio certo. Aqui o bacalhau é rei, e como tal, muito bem tratado em mais de 60 restaurantes. Aproveite.

Fortaleza de Valença, um dos pontos altos de arquitetura militar em Portugal e ponto de paragem nos Caminhos de Santiago de Compostela
Fortaleza de Valença

VILA POUCA DE AGUIAR

Vila Pouca – é assim que por ali é conhecida a ‘capital’ do Vale de Aguiar, onde nasce o rio Corgo, que desce depois para o Douro – faz parte do Caminho do Interior, rumo à Catedral de Santiago.

Para além do centro histórico da vila, o caminho cruza algum do património jacobeu do município, tal como a Capela de São Gonçalo, em Zimão; a Igreja Matriz em Soutelo de Aguiar, que é dedicada e tem uma imagem de Santiago; e a Capela de São Geraldo, em Pedras Salgadas, que foi mandada construir por um peregrino de Santiago.

As paisagens são diversas, mas uma coisa não muda: o comer muito e bem, e ser recebido ainda melhor.

SANTA MARTA DE PENAGUIÃO

Conhecer o Douro,  Património Mundial da Humanidade, e a natureza envolvente das vinhas e dos montes devia estar na lista de desejos de qualquer turista, quer seja português ou não. Em Santa Marta de Penaguião, no distrito de Vila Real, isso é possível.

Integrante do Caminho do Interior, no que aos caminhos de Santiago diz respeito, o troço de Santa Marta de Penaguião é uma experiência marcante, com a passagem por um dos miradouros mais belos do mundo, junto à capela de Santa Bárbara.

Deixamos ainda a dica de que nesta região se produzem alguns dos melhores vinhos do mundo.

TAROUCA

O Vale do Varosa não é só a rede de monumentos, vale também pela paisagem cultural, natural e gastronómica.

O caminho de Santiago que atravessa o município é uma forma de se redescobrir Tarouca. Integrado no Caminho de Torres, pode visitar os dois Mosteiros da Ordem de Cister em São João de Tarouca (este foi o primeiro mosteiro da Ordem de Cister em solo nacional e data do século XII) e Salzedas; a Ponte Fortificada em Ucanha; a Casa do Paço em Dalvares; a Igreja de São Pedro em Tarouca, bem como as várias pontes romanas que unem as margens do rio Varosa.

Tudo enquanto se deslumbra com a natureza e a paisagem que envolve este território no concelho de Viseu.

SERNANCELHE

Na Terra da Castanha, bem no interior do país, são muitas as surpresas encontradas. Integrante do Caminho de Torres, em direção a Santiago, Sernancelhe tem na Igreja Matriz, em pleno Centro Histórico, o exemplo da relação secular deste concelho com Compostela, pois na sua fachada exibe uma estátua do apóstolo. Esta é considerada a mais antiga representação artística de Santiago conservada em Portugal e só por isso já merece uma visita, mesmo que não vá até Espanha.

Tem também de conhecer, ou voltar a visitar, o Santuário da Lapa. Desde os tempos mais remotos que é local de culto. Foi, com Santiago de Compostela, um dos mais importantes locais de culto mariano da Península Ibérica e, por serem dois dos pontos mais importantes, havia ligações entre ambos e peregrinações que os uniam.

Conheça ainda o colégio por onde andou Aquilino Ribeiro e que marcou a vida do escritor, agora convertido num centro de acolhimento ao peregrino.

ALBERGARIA-A-VELHA

Sabia que o concelho com maior número de moinhos de água inventariados da Europa é Albergaria-a-Velha? Além disso, a cidade, inserida no distrito de Aveiro, é há muito local quase obrigatório de passagem de peregrinos de Santiago, devido às suas características geográficas. Igualmente por ali passam os peregrinos de Fátima.

Se o seu objetivo não for fazer caminhos de fé, pode sempre fazer o caminho arquitetónico. Destacamos a seiscentista Igreja de Santa Cruz (1695); a Casa e Capela de Santo António (Séc. XVIII) – Imóvel de Interesse Público; a Estalagem dos Padres; os Paços do Concelho; o Palacete e Castelo da Boa Vista (1900); a casa de Arte Nova Dr. António de Pinho e o Cineteatro Alba (1950) que contam um pouco da história de Albergaria-a-Velha e do seu desenvolvimento.

ALMEIDA

A fortaleza de Almeida é uma lição em pedra da arquitetura militar barroca e é também um espaço de imensa evocação histórica. Na região há um imenso património, aldeias históricas, sabores tradicionais e percursos na natureza.

Estes são só alguns sítios que se cruzam com o Caminho de Santiago e que estão incluídos no Caminho das Torres.

Vindos de Salamanca, é em Almeida que os peregrinos pisam, pela primeira vez, terras lusitanas. Cativar turistas que viajam para o interior do país, motivados pelo desejo de vivenciar experiências turísticas associadas a este caminho de fé, e ter uma oferta cultural que pode ser usufruída durante todo o ano são os objetivos do município.

ALJUBARROTA

Querer conhecer a História de Portugal e não saber o que foi a Batalha de Aljubarrota é impossível. Foi uma das principais vitórias militares dos portugueses, não só devido ao facto de cimentar a independência (contra os Castelhanos), mas também devido à desproporção de forças, que Nuno Álvares Pereira conseguiu contornar estudando e aproveitando-se das características naturais do terreno.

Para poder recuar até 1385 e perceber os acontecimentos antes, durante e depois da batalha, visite o Centro Interpretativo (CIBA) que a Fundação Batalha de Aljubarrota dinamiza e onde é possível encontrar diversas exposições numa área de mais de 900 m2. O horário pós-pandemia é entre quarta-feira e domingo.

Os visitantes têm ainda a possibilidade de percorrer o campo da Batalha Real [nome original], território que atualmente pertence ao concelho de Porto de Mós.

CIBA (Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota)
CIBA (Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota)

BOMBARRAL

Nesta vila do distrito de Leiria sobrevive um importante património histórico-militar que resultou da Primeira Invasão Francesa, pois foi ali que se deu a Batalha da Roliça, no dia 17 de agosto de 1808. Quatro dias depois foi assinado o Armistício entre franceses e britânicos (com a Batalha do Vimeiro), que desde logo indiciou o que viriam a ser, no dia 30 de agosto, os termos da Convenção de Sintra, marcando o final de ocupação francesa em Portugal.

O município faz parte do itinerário cultural ‘Destination Napoléon’, promovido pelo Conselho da Europa, em parceria com a Federação Europeia de Cidades Napoleónicas ou a Rede Temática das Invasões Francesas em Portugal, que envolve vários concelhos.

Um percurso para levar os visitantes aos locais de maior importância da Batalha da Roliça e uma app onde é possível planear a visita e ter informações sobre aquele episódio histórico estavam nos planos da autarquia antes da pandemia.

VIMEIRO

Foi na Batalha do Vimeiro que terminou a Primeira Invasão Francesa em Portugal, a 21 de agosto de 1808. Para conhecer esta gloriosa página da nossa História basta visitar o Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro (CIBV).

Inaugurado em 2008, o CIBV é um equipamento cultural e turístico do município da Lourinhã que nasceu em pleno campo de batalha. O espaço foi requalificado de forma a estar acessível para todos e reabriu recentemente.

Já não vai a tempo, mas em julho houve a “Recriação Histórica da Batalha do Vimeiro & Mercado Oitocentista”, um evento que, neste ano de 2020, esteve nomeado para o concurso das 7 Maravilhas da Cultura Popular Portuguesa.

LINHAS DE TORRES

O centro do país, onde o exército de Napoleão nunca mais voltou a ter a iniciativa na Guerra Peninsular e Portugal restituiu a sua soberania, devia ser ponto de paragem obrigatório para qualquer português.

Para quem não sabe, as Linhas de Torres são o maior e mais eficaz sistema defensivo na Europa. Foram criadas, no século XIX, três linhas defensivas com o objetivo de proteger Lisboa das invasões francesas.

O município de Sobral de Monte Agraço é atravessado pela primeira linha defensiva de Lisboa, construída a norte da cidade. Naquele território situam-se oito dos 152 fortes, edificados em 1809-10, os quartéis-generais dos comandantes ingleses que ficaram indelevelmente ligados à defesa de Portugal – Duque de Wellington e William Beresford –, o posto de comando tático e vários troços de estradas militares, ainda visíveis por quem calcorreia este património.

Uma vez lá aproveite para conhecer o Centro de Interpretação das Linhas de Torres. Aberto de terça a domingo, tem uma exposição e um serviço educativo que ajuda o visitante a contextualizar-se com o tema das invasões francesas e da cidadania global.

 A partir dali pode visitar o Circuito do Alqueidão e conciliar com a oferta gastronómica e de vinhos da região.

Centro de Interpretação das Linhas de Torres em Sobral de Monte Agraço
Centro de Interpretação das Linhas de Torres em Sobral de Monte Agraço

O município de Mafra, que também integra a Rota Histórica das Linhas de Torres, distingue-se pelo seu património histórico-militar e eficácia bélica, já que determinou o início da derrota das tropas de Napoleão Bonaparte.

Existem quatro circuitos de visita, representativos dos 42 fortes existentes no território de Mafra: o Circuito da Enxara, que integra os Fortes da Enxara, o Centro de Interpretação e o telégrafo da Serra do Socorro; o Circuito da Carvoeira, que inclui o Forte do Zambujal e a sua arquitetura única; o Circuito de Mafra, do qual se destaca o Forte do Juncal, integrado no Real Edifício de Mafra, distinguido como Património Mundial pela UNESCO, assim como o Centro de Interpretação; e o Circuito da Malveira, centrado no Forte da Feira, onde foi efetuado um extenso trabalho de escavação arqueológica e restauro.

TOMAR

Já que falamos de História, é inevitável falar de Tomar. Antes da pandemia, a cidade fundada por Gualdim Pais, líder Templário em Portugal, estava a criar uma rota internacional que promovesse o legado deixado pela Ordem de Cristo como um fenómeno de valorização turística, cultural e militar.

Também estava nos planos o Centro Interpretativo de Tomar, ou não fosse esta uma cidade cheia de património.

O castelo de Tomar (onde se inclui o Convento de Cristo), antiga sede templária, passa a ser a sede da Ordem de Cristo em 1357. Em Portugal, a Ordem do Templo (conhecida pelos seus Cavaleiros Templários) teve um papel ativo na formação do reino, no povoamento e no controlo do território conquistado.

Se não fossem os Templários e, depois, a Ordem de Cristo não tinha havido uma tão grande nem eficaz globalização. Eles lideraram a promoção de uma das mais importantes epopeias de toda a História de Portugal e do Mundo: os Descobrimentos. O Infante D. Henrique era, aliás, Grão-Mestre da Ordem de Cristo.

São pontos templários, além do castelo de Tomar, a Charola (oratório privativo dos Cavaleiros, no interior da fortaleza do Convento de Cristo) e a Igreja de Santa Maria dos Olivais (antiga sede da Ordem dos Templários e atual panteão dos Mestres da Ordem, como é o caso de Gualdim Pais).

ALANDROAL

O concelho do Alandroal também tem uma História que nunca acaba. Situado junto à fronteira com Espanha, assinalada pelo rio Guadiana, marca a transição para a Zona dos Mármores, a norte, e para Alqueva, a sul.

Os três castelos são a marca mais visível da agregação de três antigos concelhos que fazem hoje um conjunto singular de identidade, natureza, ambiente e qualidade de vida.

O Castelo de Alandroal, constituído por uma porta flanqueada por torres e um arco em ferradura; o Castelo de Terena, formado por recinto amuralhado, torre de menagem e duas portas e a Fortaleza de Juromenha, cujas obras foram construídas durante a Guerra da Restauração, destacando também, a sua proximidade com o rio Guadiana.

Praia fluvial no Alandroal
Alandroal

TAVIRA

De Tavira já tivemos várias sugestões para deixar, quer no interior, quer junto ao Oceano Atlântico. Mas o Cachopo, que revela um Algarve diferente daquele que conhecemos, merece destaque nesta terceira rubrica de ‘Faça férias INternas’.

Situada no coração da serra do Caldeirão, a 40 quilómetros da sede do concelho, a freguesia é reconhecida pelo seu património cultural, arquitetónico, mas também gastronómico.

Temos de enumerar o património cultural com o Museu das Flores, único no país; o Museu do Linho e o moinho branco que, no futuro, terá visitas guiadas com explicação do seu modo de funcionamento.

As antas da Masmorra e Pedras Altas, casas circulares da pré-história, no monte da Mealha merecem também uma visita, bem como os percursos pedestres sinalizados em três localidades com paisagens deslumbrantes, onde se pode observar as flores, fauna, ribeiras e fontes e pernoitar nos alojamento em três localidades, Feiteira, Casas Baixas e Mealha.

Já que está ali perto, dê um salto até Santa Catarina da Fonte do Bispo. A aldeia do concelho de Tavira tem a arte de bem receber e é paragem obrigatória para os apreciadores da boa cozinha.

Os restaurantes da freguesia têm ganho vários prémios em festivais gastronómicos. Prove as principais iguarias: galo guisado, cozido de grão, lebre com feijão branco, perdiz, ensopado de javali e coelho à caçador. Guarde espaço no estômago para os enchidos e a doçaria e depois desgaste as calorias nos trilhos pedestres.

Férias mais INternas não existem. Proteja-se e desfrute.

Sobre este autor

Ana Sofia

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