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Covid-19: Há quem ganhe em tempos de crise

Unsplash\ William Iven @firmbee

As projeções macroeconómicas e financeiras internacionais são de alerta, com uma iminente recessão equivalente à da crise de 2008 no topo das prioridades internacionais, caso a pandemia do Covid-19 e o pânico continuem a alastrar-se. Os dias de hoje não estão fáceis para a economia portuguesa. Em pleno surto de um novo coronavírus, que provoca a doença conhecida como Covid-19, intensificam-se as medidas de prevenção e de contenção do surto.

Nem todos os negócios param quando o país está em sobressalto por causa da epidemia do coronavírus. As corridas às farmácias e aos supermercados têm sido uma constante nos últimos dias e, com isso, é natural que haja áreas de negócio que acabam por beneficiar. Do papel higiénico até ao digital, conheça os sectores que podem crescer em tempo de crise.

Fabricantes de máscaras e gel

As farmácias portuguesas registaram um aumento na procura de máscaras e desinfetantes desde o início do ano, tendo passado de 9528 embalagens de máscaras vendidas em janeiro para 419 539 em fevereiro, o que representa um crescimento de 353,4%, segundo dados da Associação Nacional de Farmácias (ANF).

No mesmo período, a procura por desinfetantes subiu 136,9%. Em janeiro foram vendidas 83 989 embalagens, número que cresceu para 198 939 embalagens em fevereiro. A subida é ainda maior se compararmos com igual período do ano passado, com as máscaras a registarem um aumento de 1829%. A procura deste produto tem sido exponencial. Já em janeiro deste ano registou-se um aumento significativo de 258,1% face ao mês homólogo no ano de 2019.

A Associação de Farmácias de Portugal confirma o aumento na procura de máscaras e gel desinfetante que pode conduzir a situações temporárias de rutura de stock destes produtos.

Carne de porco

No início de fevereiro, a ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, fez uma declaração polémica (que depois retificou). Segundo a ministra, o novo coronavírus pode ter “consequências bastante positivas” na agricultura portuguesa e nas exportações para o mercado asiático. Maria do Céu Albuquerque acrescentava que a confiança na carne de porco portuguesa estava a aumentar no mercado chinês. Estará o novo coronavírus a ser benéfico para as exportações de carne de porco?

Medicamentos

A corrida às farmácias, principalmente desde que o coronavírus chegou a Portugal, têm registado um aumento significativo. A preocupação dos portugueses cresceu e medicamentos como o Brufen ou o Ben-u-ron têm sido os mais procurados pela população, pelo que têm esgotado em algumas farmácias portuguesas, apurou o i.

A tendência é que estes analgésicos possam atenuar os sintomas que, no caso do coronavírus, são semelhantes aos de uma gripe comum. O ideal, como alertam várias entidades, é que o consumo seja racionado e que só sejam comprados apenas se fizerem falta, uma vez que podem ser necessários para quem realmente precisa deles. Para as farmácias, porém, isto pode representar uma verdadeira oportunidade de negócio.

Supermercados

Corredores vazios, falta de carne, conservas e até papel higiénico. Numa altura em que o coronavírus foi declarado uma pandemia, os portugueses correram às mercearias de bairro e aos hipermercados e esgotaram alguns produtos. Vídeos e fotografias de várias superfícies do país que circulam pelas redes sociais não deixam dúvidas: há produtos esgotados.

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) já admitiu um aumento de procura nos supermercados, mas garantiu estar tudo controlado, prometendo a reposição do stock.

Para tentar prevenir quebras e arranjar soluções, o Governo criou um grupo de trabalho com o principal objetivo de acompanhar e monitorizar a evolução do abastecimento nos setores agroalimentar e retalhista. A primeira reunião decorreu ontem. O Governo garante que “o grupo de trabalho tem ainda como objetivo delinear, se necessário, medidas preventivas ou corretivas destinadas a manter ou restabelecer as normais condições de abastecimento”.

Conservas

As conservas e os enlatados foram os primeiros produtos a esgotar nos supermercados. A justificação é fácil: são produtos de fácil confeção e com validade mais alargada. A Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe (ANICP) já veio garantir que há um aumento da procura de conservas de pescado nas lojas, mas estas ainda estão a escoar os seus stocks. “Ainda é uma questão recente. Há um aumento da procura de conservas de pescado nas lojas, sobretudo de atum e sardinha, que são as mais conhecidas dos portugueses, mas as lojas ainda estão a escoar os seus stocks”, disse Marta Azevedo, porta-voz da associação, à agência Lusa. A responsável garante ainda que “a indústria conserveira não tem problemas” e que está “confortável com o stock”.

O futuro também não é uma preocupação. Além das conservas de pescado, também salsichas, feijão, grão, etc., estão a registar um aumento da procura.

Netflix/HBO e operadoras

Quem pode também ganhar alguns lucros com a Covid-19 são as operadoras, até porque as chamadas para a Linha SNS24 – 808 24 24 24 – contam com um custo de chamada local. Segundo os dados mais recentes, o SNS24 recebeu quase 28 mil chamadas e conseguiu responder a quase 11 mil. E mesmo as chamadas não atendidas têm custo para os portugueses. O i sabe de casos de pessoas que não foram atendidas e gastaram quase cinco euros na tentativa de conseguirem uma resposta do SNS24.

Mas os ganhos estendem-se também a empresas de filmes e séries, como é o caso da Netflix ou da HBO. A verdade é que as ações da Netflix têm subido, o que pode ser justificado pela maior presença de pessoas em casa. No entanto, este é um tópico que não chega a um consenso, uma vez que analistas internacionais garantem que a Netflix também pode perder com a pandemia. A justificação é simples: primeiro, a Netflix cobra um valor fixo mensal e não beneficia economicamente de horas adicionais de visualização. Segundo, as assinaturas offshore da Netflix e o crescimento da receita estão cada vez mais em risco à medida que o vírus se espalha, porque o streaming é um luxo num momento em que muitos assinantes podem deixar de receber salário.

Ferramentas de Teletrabalho

O Covid-19 está também a contagiar o mercado laboral. O teletrabalho está a ser um dos primeiros efeitos visíveis da expansão galopante do coronavírus, a nível internacional, e Portugal não escapa. Mas não só. Se há o risco latente de que o desemprego aumente em alguns setores da economia, por via da crise, por outro lado geram-se oportunidades de trabalho pela necessidade de reinvenção da sociedade a vários níveis. 

Não é, assim, surpreendente que as ações em bolsa de empresas com soluções online para o teletrabalho como Zoom (para videoconferências) ou Slack (comunicação entre equipas) estejam a crescer vertiginosamente. Mas não é só no teletrabalho. As pessoas vão ficar mais em casa daí que a Amazon (encomendas online) e a Netflix (streaming vídeo) cresçam em bolsa – a Netflix subiu 18,6% esta semana.

Cibersegurança

O trabalho à distância pode ser uma oportunidade para as empresas reverem as medidas de cibersegurança, porque o trabalho remoto vai obrigar os trabalhadores a ligarem-se a outras redes wi-fi fora da rede de trabalho, ficando mais vulneráveis a ciberataques. O coronavírus não só já provocou o aumento do trabalho remoto. Com os criminosos a aproveitarem-se desta onda de alarme, é prudente que as empresas estejam ainda mais vigilantes na proteção da sua informação.

Mas há formas de as empresas se protegerem, por exemplo fornecer uma VPN (rede privada virtual) para que as equipas se conectem com segurança à rede corporativa; proteger todos os dispositivos da empresa com um software de segurança adequado; executar as atualizações mais recentes dos sistemas operativos e das aplicações; restringir os direitos de acesso dos utilizadores que se conectam à rede corporativa; e formar as equipas sobre os perigos associados à resposta de mensagens que não foram solicitadas.

Serviços de Babysitting

O fecho de várias escolas em todo o país pode ser uma verdadeira dor de cabeça para pais que trabalham todo o dia e não têm com quem deixar os filhos. E os ateliês de tempos livres (ATL) ou os centros de estudo acabam por não ser uma solução para os pais uma vez que, aqui, o contacto com professores ou outras crianças é praticamente o mesmo que nas aulas.

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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