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Eventos desportivos cancelados. O que muda com a COVID-19

A COVID-19 tornou-se em pouco tempo no vírus que ninguém estava à espera: uma pandemia com a capacidade de deixar as grandes nações mundiais de joelhos. O planeta parece que parou de girar e o mundo desportivo procura reerguer-se, numa altura em que ainda está em queda livre. Campeonatos parados, provas continentais adiadas e os Jogos Olímpicos em risco, 2020 caminha a passos largos para ser uma página em branco no mundo do desporto.

O campeonato europeu de futebol foi oficialmente adiado para 2021, a Liga dos Campeões está interrompida por tempo indeterminado e os principais campeonatos estão na mesma situação. Na maior parte das modalidades os atletas deixaram de competir e os poucos que o fazem, tem de o fazer em recintos sem publico. Os Jogos Olímpicos estão quase à porta e ainda não há uma resposta concreta em relação à realização do evento.

Começando precisamente pelas Olimpíadas, o Comité Olímpico Internacional (COI) considera que não existem razões que justifiquem adiar o maior evento desportivo do mundo, que estão programados acontecer este verão, em Tóquio. Num comunicado, o COI considera “Com mais de quatro meses antes do arranque dos Jogos, não há necessidade de quaisquer decisões drásticas neste momento, e qualquer especulação será contraproducente”. Uma decisão que poderá ainda ser alterada tendo em conta a contínua propagação do novo coronavírus, além de que cada vez mais são as vozes, que apelam ao adiamento dos Jogos Olímpicos. Na história das Olimpíadas modernas, apenas por três vezes cancelaram as provas, por força das grandes guerras mundiais: JO de Berlim em 1916, Tóquio em 1940 e Londres em 1944.

O cancelamento deste evento resultará de drásticas consequências económicas, quer para o Japão, quer para todas as instituições empresas e pessoas que trabalham em volta deste acontecimento, estando ainda uma proposta em cima da mesa, para reduzir consequências, de adiar os Jogos Olímpicos para 2021. Uma ideia recomendada por Donald Trump, que iria exigir a renegociação com estações televisivas, federações desportivas, entre outras entidades.

Outra questão a ter em conta tem a ver com a preparação dos atletas, que neste momento estão praticamente parados e em alguns casos dificilmente estarão com ritmo competitivo para participar numa prova com a exigência dos Jogos Olímpicos. A judoca portuguesa Telma Monteiro, medalha de bronze no Brasil em 2016, na categoria -57kg, considera que seria sensato adiar a prova. “A decisão dos Jogos Olímpicos na data prevista é tomada com base naquilo que pode ser um cenário mais positivo na altura dos Jogos Olímpicos face à propagação e contaminação da COVID-19. Isso a meu ver não está certo, porque é imprevisível. Os JO deveriam ser realizados mais tarde. Porque não está a ser tido em consideração o processo até lá. Nomeadamente a preparação e qualificação dos atletas”. A atleta continua, afirmando que “Neste momento, e no mínimo nas próximas semanas, os atletas ou estão em casa e têm poucas condições para treinar, ou estão a treinar muito condicionados. Por outro lado, a qualificação olímpica de muitos desportos está suspensa até as coisas melhorarem. Por isso, manter os jogos olímpicos na data prevista compromete as opções que as federações internacionais de cada desporto poderiam ter para proporcionarem alterações, de modo a que decorresse um apuramento olímpico justo para todos, comprometendo também a preparação dos atletas. Resumindo: a decisão foi tomada com base no possível cenário daqui a quatro meses, quando deveria ser tomada com base na situação atual”. Recorde-se que Telma Monteiro está neste momento a lutar por uma vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio, naquela que seria a sua quinta participação olímpica da carreira.

Liga dos Campeões adiada…ou cancelada?

A mudança do europeu e da Copa América para 2021, permitiu às federações jogarem com o calendário, para adiarem as suas provas até ao inicio do verão. Como ainda não há uma data prevista para o término da pandemia e consequente quarentena, continuam a ser levantadas muitas questões relativamente ao desfecho da temporada 2019/2020. A UEFA está determinada a concluir todas as provas até 30 de junho, no entanto já garantiu que isso apenas acontecerá se existirem condições nesse sentido. Acredita-se então que a final da Champions poderá acontecer a 27 de junho e a da Liga Europa a 24. Os campeonatos europeus terão de terminar até essa data.

Em relação ao campeonato nacional, a Tribuna Expresso anunciou no inicio desta tarde já foi elaborada uma recalendarização, que permita que se joguem as restantes partidas da temporada e que o campeão será definido ainda este ano, afastando para já, a hipótese de não haver campeão, de se jogar um playoff, ou de atribuição do titulo ao FC Porto, que lidera a classificação neste momento, com 1 ponto de vantagem sobre o Benfica. No entanto, tudo depende do desenvolvimento do coronavírus, sendo a prioridade a saúde dos jogadores, técnicos, árbitros e espetadores.

Outras ligas estão na mesma situação que a portuguesa, no entanto na Liga inglesa o Liverpool é líder absoluto do campeonato e começam a ser muitas as vozes que pedem o término do campeonato e a entrega do título aos reds.

Um pouco por todas as redes sociais, temos visto que face à indefinição dos jogos por decorrer, muitos jogadores procuram manter a forma dentro de casa, seguindo planos de treino delineados pelos clubes.

Principais eventos afetados

Um pouco por todo o mundo, quase a todas as horas, é noticiado o adiamento ou o cancelamento de um ou outro evento desportivo. A Fórmula 1, apesar de ainda não ter cancelado o Mundial, que deveria iniciar este mês, já cancelou a prova inaugural, o Grande Prémio da Austrália. Se a situação na F1 já era grave, ficou pior ainda quando o coronavírus foi diagnosticado a um membro da McLaren. Entretanto, os GP do Barein, Vietnã e China foram adiados de forma indefinida e o cancelamento deverá ser a realidade mais certa, tendo em conta que as provas aconteceriam no próximo mês de abril.

No basquetebol, a Euroliga e a NBA foram suspensas temporariamente, após jogadores dos Utah Jazz e do Real Madrid acusarem o vírus. Nos últimos dias vários jogadores da NBA foram diagnosticados com COVID-19, incluindo a mega estrela Kevin Durant, dos Brooklyn Nets. A NCAA, liga americana de basquetebol universitário, cancelou o March Madness, que correspondem à fase de playoff da competição.

No Ténis, o Roland Garros estava agendado para começar a 25 de maio, no entanto o adiamento foi confirmado segunda-feira. O Grand Slam em terra batida vai ser disputado depois do verão, entre 20 de setembro e 4 de outubro, uma medida anunciada pelo próprio Emmanuel Macron. A Federação Francesa de Ténis justificou a opção, como sendo a única forma de ter o mítico torneio ainda em 2020, uma vez que todas as forças estão focadas na luta contra a COVID-19.

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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