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Primeiro morto com COVID-19 no interior: Resende apela com urgência por mais recursos

Foto: Notícias de Resende

Vítima mortal, de 94 anos, estava na Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia de Resende. Dos 13 utentes da mesma unidade, dez deram positivo. DGS só queria que se fizessem sete rastreios e mandou 32 funcionários para a quarentena, quando há falta de recursos e pessoal, critica o provedor.

Os tempos são de guerra, já o sabemos, mas agora que o novo coronavírus chegou ao interior do país, só se pode esperar o pior. E é isso que está a acontecer em Resende.

O concelho, do distrito de Viseu, foi o primeiro a registar uma vítima mortal. A mulher, de 94 anos, era utente da Santa Casa da Misericórdia, onde estava na Unidade de Cuidados Continuados, e foi a primeira a ter COVID-19. Faleceu pouco depois do diagnóstico.

A muito custo, o provedor conseguiu que se fizessem testes a todos os que estavam naquela unidade – ainda que a Direção-Geral de Saúde (DGS) só quisesse que se fizesse, no máximo, sete rastreios – e os resultados foram assustadores: dez dos 13 deram positivo. A delegada de saúde mandou todos os 32 funcionários para quarentena em casa durante 14 dias.

“A atual situação é muito complexa e está a gerar muita angústia a nós, colaboradores. Tendo nós conhecimento do primeiro caso e, agora, de mais dez, temos pedido ajuda às entidades competentes, uma vez que o nosso plano de contingência está a ser desenvolvido neste momento, mas não conseguimos obter uma resposta até da DGS, até ao momento”, disse Jaime Alves, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Resende.

“Os nossos colaboradores estão a ficar esgotados. Precisamos da colaboração de outras entidades, como por exemplo a DGS e a ARS Norte. Isto está a tornar-se incomportável para nós. Os nossos meios não são suficientes para dar resposta aos nossos utentes, às famílias e aos nossos colaboradores”, continuou.

Foto: Facebook da Unidade dos Cuidados de Saúde Personalizados de Resende

O apelo, que também já corre online, é que essas entidades públicas de saúde os possam ajudar, ainda que já dessa parte sentiram um certo abandono. “Só queriam testar sete utentes com sintomas, mas por insistência nossa fizeram aos 13 utentes da unidade. E confirmou-se que dez estavam contaminados”, frisou.

“Por iniciativa nossa, e contrariando as normas da DGS, com o nosso laboratório de análises clínicas – com o qual trabalhamos diariamente -, tomamos a iniciativa de fazer testes aos utentes no piso superior (o lar de idosos com 18 utentes acamados) e aos nossos colaboradores. Durante o dia de hoje [24 de março] iremos saber o resultado dos testes o que nos deixa ainda mais apreensivos. Apelamos às entidades que nos possam ajudar. Seja a DGS, seja a Administração Regional de Saúde do Norte”, salientou o provedor.

A vítima mortal tinha sido diagnosticada como um caso COVID-19 no sábado, já no Hospital de Penafiel, para onde tinha sido encaminhada com falência respiratória. Assim que foi confirmado o primeiro caso positivo, procedeu-se ao isolamento da unidade. Na segunda-feira, dia 23 de março, chegaram os resultados positivos de outros dez utentes.

“O ambiente é dramático. Muito complicado, muito difícil. Os nossos trabalhadores estão a ficar completamente esgotados. Nós estamos também sem meios. Não tivemos respostas de nenhumas entidades. Precisamos de máscaras P2 para os funcionários. Fizemos o stock possível atempadamente, mas está a ficar esgotado. Para além disso, o nosso maior problema é a falta de recursos humanos na área da enfermagem. Estes utentes vão ficar sem ninguém para cuidar deles, o que é muito dramático”, disse, desesperado.

Segundo dados de 2019, Resende é o município do país onde se ganha menos. Além desta fragilidade económica, a Câmara Municipal e a Santa Casa da Misericórdia são os principais empregadores. Tal como no resto do interior, a desertificação e a falta de recursos teimam em piorar este isolamento. Por isso, o provedor Jaime Alves não se cansa de apelar a todos os que possam ajudar este e outros lares e pede mais sensibilização às autoridades competentes.

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Jorge Teixeira

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