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“Ajudem-nos”: Funcionárias de lar de Vila Real pedem por apoio à janela

Fonte: A Voz de Trás-os-Montes https://www.avozdetrasosmontes.pt/noticia/26085

Funcionárias do Lar Nossa Senhora das Dores, de Vila Real, gritaram hoje à janela “ajudem-nos” quando o presidente da câmara exigia ao Estado uma “resposta imediata” para a instituição, onde 20 pessoas estão infetadas com a covid-19.

Rui Santos, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, falou junto ao Lar da Nossa Senhora das Dores, no centro da cidade. Nesse momento, de acordo com o Observador, algumas funcionárias gritaram por socorro numa janela da instituição. “Queremos ajuda. Queremos fazer os testes”, gritaram as profissionais, que traziam colocada uma máscara na cara. Uma delas referiu estar no lar “há sete dias”.

“Se for preciso pagamos os testes. Eu quero saber se estou bem, mas também quero saber dos idosos”, gritou ainda a funcionária. Rui Santos trocou palavras com elas desde a rua e garantiu estar a fazer “tudo o que é possível” para resolver o problema. Para o autarca, que falava após uma reunião da Proteção Civil Municipal, “o momento é de profunda preocupação”.

A Câmara Municipal exigiu ao Estado que fosse efetuada a evacuação e durant a noite desta terça-feira o Ministério da Segurança Social acordou como seria feita essa operação que está agora em curso. “É um processo que já se prolonga há demasiadas horas, há demasiados dias”, realçou. O autarca disse que foram contactados os ministérios da Saúde e da Segurança Social, a Proteção Civil Distrital, bem como o INEM.

“A situação é demasiado grave, é uma situação de exceção para estarem todos a empurrar responsabilidades de um lado para o outro. É uma situação de emergência e precisamos de agir rapidamente”, frisou.

O primeiro caso positivo da covid-19 nesta instituição foi detetado no domingo, tratando-se de um doente oncológico.

Fonte: Jornal a Voz de Trás-os-Montes

Infetados transportados para o hospital militar do Porto, restantes para Braga

A evacuação do lar de idosos começou a ser feita esta quarta-feira de manhã. Os utentes infetados estão a ser transferidos para o hospital militar do Porto. Os restantes cerca de 60 utentes da instituição vão ser encaminhados para o hospital militar de Braga, que está entregue à Cruz Vermelha.

O presidente do lar, Eugénio Varejão, explicou esta manhã que há 20 pessoas do lar que testaram positivo: 13 utentes e sete funcionários. Dois dos utentes já estão internados no Hospital de Vila Real e os outros 11 vão ser levados para o Hospital Militar do Porto. Os restantes 58 utentes do lar seguirão para o Hospital Militar de Braga, onde serão acompanhados pela Cruz Vermelha Portuguesa.

“Uns verdadeiros heróis”, disse o presidente da câmara, Rui Santos, que admitiu ter ficado “muito sensibilizado” com o pedido de socorro feito pelos trabalhadores do lar. Concluída a evacuação, vai ser desinfetado o edifício, localizado no centro histórico da cidade, e “à medida que for possível, irá reabrir”, informou Rui Santos.

Aos jornalistas presentes, o presidente da Câmara de Vila Real disse que foi enviada uma missiva ao Governo a pedir a evacuação do lar, onde disse que “não há, neste momento, nenhum enfermeiro” para apoio aos idosos. Não havia também “ninguém com equipamento ou condições de entrar no espaço e substituir os funcionários que lá estão, em profundo estado de exaustão e a dar o seu melhor”, acrescentou.

“Temos a consciência de que isto é uma longa guerra, vamos tentando ganhar batalha a batalha”, disse o autarca, pedindo a todos os habitantes de Vila Real para permanecerem resguardados em casa. Segundo o autarca, a operação está a ser coordenada com o Ministério da Saúde, o Ministério da Segurança Social e o Ministério da Defesa, e está a mobilizar 21 corporações de bombeiros, cerca de 30 ambulâncias e um autocarro para transportar todos os utentes. Segundo Rui Santos, só foram testados os que apresentavam sintomatologia.

A Unidade de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Marão e Douro Norte determinou hoje o isolamento de todos os casos positivos detetados neste lar, designadamente 13 utentes e sete funcionários.

Determinou ainda o isolamento profilático dos restantes 59 utentes e 50 profissionais, incluindo um funcionário que aguarda resultado do teste que foi realizado pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Precisamente por causa desta cadeia de contacto identificada no Lar da Nossa Senhora das Dores, o município acionou hoje o plano municipal de emergência. A autarquia explicou que esta ativação decorre essencialmente da “necessidade de aprofundar a articulação entre as várias entidades com um papel na pandemia de covid-19 e de centralizar a informação sobre todas as questões relacionadas com o combate”.

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Jorge Teixeira

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