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Universidade do Algarve estuda uso da saliva na deteção do SARS-Cov-2

Foto: Unsplash

A Universidade do Algarve (UAlg) está a estudar o uso da saliva na recolha de amostras para detetar o novo coronavírus, um método menos invasivo face ao clássico teste à mucosa do nariz, disse à Lusa um investigador.

Segundo Clévio Nóbrega, do Centro de Investigação em Biomedicina (CBMR) da UAlg, o objetivo é tentar “validar outros métodos” para a recolha de amostras, especialmente para “crianças e pessoas com algumas patologias”, já que o atual método de PCR é “muito invasivo”.

Em declarações à Lusa, aquele responsável adiantou que a investigação procurou comparar a eficácia da recolha da saliva com a nasofaríngea e posterior análise por PCR, processo baseado em biologia molecular e que permite aumentar a quantidade de material genético para deteção do novo coronavírus (SARS-Cov-2).

Em colaboração com o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), os investigadores obtiveram amostras de pacientes internados através de três tipos de recolha: a “clássica” nasofaríngea (com a recolha de secreções do nariz), pela saliva e orofaríngica, obtida no fundo da garganta.

De acordo com Clévio Nóbrega, obtiveram-se “os mesmos resultados”, tendo sido possível detetar pela saliva “o mesmo nível” que a amostragem “clássica”, o que faz com que, em alguns casos, possa “ser utilizado este tipo de recolha”.

A utilização deste método ainda “não é possível”, porque “é necessária a autorização” do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge Instituto Ricardo Jorge (INSA), para onde os dados foram enviados.

Clévio Nóbrega reconhece, no entanto, que é compreensível que a atenção esteja centrada em “continuar a testagem em massa e não tanto na otimização” dos métodos de recolha.

Entretanto, os investigadores vão continuar a efetuar “testes adicionais” para confirmar que os resultados são “de facto fidedignos”, algo que se tem vindo a “confirmar”, realçou.

Além do uso da saliva, aquele centro da UAlg está também a seguir outra linha de investigação que consiste em procurar retirar um passo a todo o processo, tornando-o mais rápido e menos dispendioso.

O processo habitual de testagem começa com a recolha da amostra com a zaragatoa, segue com a extração do RNA (ácido ribonucleico) do vírus SARS-Cov-2, seguindo-se depois o teste molecular PCR (Reação em Cadeia de Polimerase).

Os investigadores estão a tentar retirar o passo da extração do material genético do vírus, passando diretamente da recolha para a técnica PCR, “evitando um passo”, o que tornaria o processo “mais barato e muito mais rápido”, defendeu.

Porém, os resultados “até agora ainda não foram positivos”, lamentou Clévio Nóbrega, tendo os investigadores conseguido “alguma amplificação no PCR e alguma deteção do vírus”, mas “muito baixa”, comparada com os resultados obtidos com o método utilizado atualmente.

“Não são resultados suficientemente fidedignos. Continuamos a testar e a otimizar. Temos, infelizmente, pandemia para algum tempo e o nosso grande objetivo é conseguir otimizar e é nisso que estamos a trabalhar ainda”, concluiu.

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Jorge Teixeira

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