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“Limitações são fronteiras criadas apenas pela nossa mente”

A pandemia da Covid-19 provou que não há limitações, para o que ser humano pode conseguir. Para fazer face aos perigos de contaminação ouvimos, muitas vezes, falar na palavra “teletrabalho”. Cada vez mais próximos da “normalidade”, será que esta opção continuará na realidade pós-Covid ou será um passado, para não mais recordar?

É escusado dizer que os últimos tempos, foram de uma grande adaptação. Portugal viu os perigos para a saúde pública, no não cumprimento do distanciamento social e de outras condições sanitárias. Posto isto, como o seguro morreu de velho, Portugal não teve mão a medir senão optar pelo regime de teletrabalho, para evitar números de casos por Covid-19, ainda piores.

Muitas são as opiniões que se dividem sobre este tema. Uns a favor, outros nem tanto. Se por um lado a rotina do teletrabalho agregada à vida doméstica, esta também pode trazer mais tempo em família e menos tempos de deslocações, também pode trazer mais divórcios e mais depressão.

Em 2020, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicou o “Guia Prática sobre Teletrabalho durante e depois da pandemia do COVID-19”.  O objetivo deste documento, é fornecer recomendações para assegurar o bem-estar e a manutenção da produtividade, durante o teletrabalho.

Como o próprio título indica, em geral, o guia dá uma visão não só atual, mas do futuro. Inclusive, na página 26, encontramos o capítulo “O futuro do teletrabalho no pós COVID-19”. Acredita-se que quando a pandemia do COVID-19 acabar, o teletrabalho deixará de ser obrigatório. Porém, as opiniões dividem-se.

Qual a opinião do Governo?

Se por um lado, a opinião dos portugueses se divide, o Governo tem a sua bem fundamentada!

Para o Governo, a opção do teletrabalho deve ser tomada, sempre que seja possível, pelo menos, enquanto a “normalidade” não regressar. Da mesma forma, o Governo também planeia alargar a opção de teletrabalho para os progenitores de crianças até aos 8 anos com doenças crónicas ou deficiências, desde que exista um sistema rotativo de dias em teletrabalho entre a mãe e o pai, para que exista igualdade de género.

O futuro vai ser híbrido?

O futuro do teletrabalho pode ser mesmo o sistema rotativo entre dias de trabalho presenciais e dias de trabalho à distância

Não é novidade que a pandemia veio para ficar e, é natural, que quando o Covid-19 acabar, o mundo já se tenha apegado ao sistema de teletrabalho. E, por isso, o “Guia Prático sobre Teletrabalho da OIT durante e depois da pandemia do COVID-19”, refere a possibilidade de ser criado um modelo de trabalho híbrido, ou seja, uma oscilação entre uns dias de teletrabalho e outros de trabalho presencial.

Casos portugueses de sistema híbrido.

Portugal, inclusive, já começou a introduzir esta modalidade híbrida. É o caso da empresa AM Experience Group, sediada em Braga e no Porto, que passou a fixar dois dias de teletrabalho. A empresa acredita que o teletrabalho aumenta a produtividade, na maior parte dos casos, a par da satisfação e felicidade dos colaboradores.

Também outras empresas optam pelo mesmo sistema, como o caso da EDP que seguiu a recomendação do Governo, anteriormente descrita, e em junho de 2021, adiantou que vai ser testado um novo modelo híbrido de trabalho. O sistema será rotativo e flexível e será realizado até dois dias por semana. Também a empresa Redes Energéticas Nacionais diz estar a pensar em adotar o regime híbrido para algumas funções, durante alguns dias da semana.

Mas se pensamos no futuro do teletrabalho, temos de pensar no futuro dos colaboradores. Se o futuro do teletrabalho continuar a existir, então também será seguro afirmar que o futuro será marcado da solidão, da depressão e da ansiedade?

Um filho feliz ou um casamento estragado?

Uns consideram o teletrabalho vantajoso, por ter baixos custos de deslocação, ambiente mais relaxad0, mas, nomeadamente, mais tempo em família. Outros consideram-no desvantajoso, pela falta de um escritório com todas as condições necessárias, diminuição da comunicação com colegas de trabalho e distrações em casa.

Costuma-se ouvir dizer que não se mistura a vida pessoal com o trabalho, mas acaba por ser um pouco difícil, quando a nossa casa se torna o nosso local laboral.

Trabalhar a partir de casa pode chegar a ser frustrante. O alívio de falta de sono, tensão, cansaço visual pode ser facilmente agravado quando interrompido pelos filhos, pelo cão ou até mesmo os mais ínfimos barulhos da madeira dos móveis de casa a ranger.

As presenças dos progenitores têm impactos muito positivos, tais como o aumento da autoestima, menos probabilidade de abandonar os estudos, maior inteligência emocional.

Porém, se na vida dos filhos, a presença dos pais pode ser beneficiadora, a presença contaste dos companheiros pode ser desafiadora no matrimónio. Nos últimos anos, os divórcios tinham vindo a diminuir, mas com a pandemia registou-se uma acentuada queda nos divórcios. O aumento de divórcios, em 2020 foi de 15%.

Os valores só baixaram no terceiro trimestre do ano, quando o teletrabalho deixou de ser obrigatório, nessa altura, o alívio do convívio diário e obrigatório durante meses, salvou muito casamentos.

Por isso será este o futuro do teletrabalho, um sistema híbrido que combina trabalhos presencias e que pode gerar poupanças às famílias ou divórcios, um dilema que só o futuro saberá as respostas.

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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