Mulheres Inspiradoras

RM The Experience × K. Studio | Duas visões do luxo contemporâneo

Na RM The Experience (Setúbal), a elegância manifesta-se em ambientes pensados para despertar emoção; na K. Studio, essa sensibilidade ganha forma em design e método. Rita Martins, CEO da RM The Hotel Experience (RM Guest House) e CFO do Atelier Romeu Martins Arquitetos, e a filha Frederica Martins, designer de interiores no K. Studio, interpretam o luxo com autenticidade e rigor, criando universos onde o detalhe e a harmonia se tornam a expressão mais íntima da sofisticação.

Rita Martins | A arte de transformar hospitalidade em emoção

O sucesso da RM The Experience mostra que o luxo pode ser íntimo e pessoal. Que valores empresariais sustentam esse equilíbrio entre sofisticação e autenticidade?

Rita Martins (RM): Acredito que o verdadeiro luxo está na genuinidade. Criar uma experiência sofisticada, mas profundamente humana, é o que define a RM. O detalhe, o cuidado e a emoção são as nossas diretrizes, é assim que transformamos hospitalidade em sentimento.

Num setor onde a hospitalidade se reinventa a cada estação, o que considera essencial para manter um projeto relevante e financeiramente sólido?

RM: Inovação com coerência. É preciso evoluir sem perder identidade. Escutar o mercado, gerir com rigor e investir onde há valor. Esse equilíbrio entre criatividade e gestão é o que garante a sustentabilidade a longo prazo.

A dimensão familiar, com o Romeu na arquitetura e a Frederica no design, cria uma cultura empresarial muito própria. Essa convivência entre estética, turismo e gestão foi planeada ou aconteceu naturalmente?

RM: Aconteceu naturalmente. Cada um trouxe o seu talento, e juntos criámos um ADN comum. É uma sinergia entre estética, emoção e estratégia, e isso sente-se em cada detalhe dos nossos projetos.

O que mais aprendeu sobre liderança ao longo deste percurso, sobretudo à frente de projetos de autor e de marcas com um cunho pessoal tão forte?

RM: Aprendi que liderar é equilibrar visão e empatia. É inspirar pela presença e pela coerência. O segredo está em transformar propósito em ação e equipas em comunidades com alma.

O seu estilo de vida reflete uma forma de estar sempre atenta e aberta ao que o mundo oferece. Essa vontade de descobrir e de viver é o que mais inspira as suas ideias e decisões?

RM: Sem dúvida. A curiosidade é a minha maior ferramenta de trabalho. Viajar, observar e viver novas experiências alimenta a criatividade e a estratégia. Inspiro-me na vida real, nas pessoas e nas histórias que fazem cada projeto ter propósito.

Frederica Martins | Design com método, espaços com alma

O K. Studio tem uma linguagem clara e uma estética muito definida. Como se traduz, para si, o conceito de empreender no design?

Frederica Martins (FM): Para mim, empreender no design é criar a partir de uma visão. É transformar sensibilidade estética em estrutura, e emoção em método. No K. Studio, o ato de empreender não se resume a gerir um negócio: é sobre construir um universo coerente, onde cada detalhe reflete uma forma de ver o mundo. Empreender, neste contexto, é assumir a responsabilidade de dar continuidade a uma linguagem visual e emocional que se renova a cada projeto.

Trabalhar num meio tão competitivo exige talento, mas também método. Que hábitos ou princípios estruturam o seu processo criativo e a ajudam a manter consistência entre projetos tão diferentes?

FM: O meu processo começa sempre pela observação do espaço, da luz, e sobretudo das pessoas que o vão habitar. Gosto de pensar que cada projeto tem uma alma própria, mas que todos partilham o mesmo rigor e sensibilidade. Trabalho com uma base muito organizada: referências, materiais e cores são pensados de forma metódica, o que me permite manter coerência mesmo em propostas muito distintas. A disciplina é o que garante liberdade criativa.

O seu percurso decorre em paralelo com o da sua mãe e em parceria com o atelier do seu pai, mas com autonomia e em nome próprio. Que aprendizagens familiares reconhece no seu modo de trabalhar, e o que considera já ser uma marca exclusivamente sua?

FM: Cresci a observar o cuidado e a exigência dos meus pais, dois traços que me moldaram profundamente. Da minha mãe herdei o olhar apurado para o detalhe e a noção de harmonia; do meu pai, a clareza construtiva e a importância da funcionalidade. Mas acredito que o que me distingue é a forma como busco emoção no espaço. Procuro sempre um equilíbrio entre elegância e intimidade, criando ambientes que têm alma, não apenas estética.

O design é também uma forma de olhar o quotidiano. Há algo no seu modo de vida que se reflete diretamente no que cria?

FM: Sem dúvida. Vivo de forma muito sensorial, observo, coleciono referências, e dou valor a momentos simples, como a luz de fim de tarde ou a textura de um tecido. Essa atenção ao quotidiano alimenta o meu olhar e está presente em tudo o que crio. O design, para mim, é uma extensão natural da forma como vejo o mundo: calma, mas intensa nos detalhes.

Que mensagem gostaria de deixar a outras jovens profissionais que encaram o design e o empreendedorismo como caminhos compatíveis?

FM: Diria que é possível, mas exige coragem, consistência e uma visão muito clara do que se quer construir. O design pede sensibilidade, e o empreendedorismo, estrutura. O segredo está em equilibrar os dois sem perder autenticidade. A beleza do caminho está em transformar paixão em propósito, e propósito em marca.