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Diáspora como capital humano reforça centralidade no discurso económico do Estado

A diáspora portuguesa voltou a afirmar-se como ativo estratégico do país, num momento de fecho de ciclo presidencial e de crescente convergência institucional em torno do talento, da diplomacia económica e do soft power como instrumentos de projeção internacional de Portugal.

A leitura resulta do Encontro Anual do Conselho da Diáspora Portuguesa, realizado em Cascais no final de 2025, sob o tema “A Diáspora como Capital Humano”, e que reuniu representantes do Estado, responsáveis políticos, líderes empresariais e conselheiros espalhados por dezenas de geografias.

O encontro marcou um momento de consolidação de uma narrativa que tem vindo a ganhar peso no discurso público: a diáspora enquanto extensão funcional do país, não apenas no plano simbólico ou cultural, mas como rede qualificada de influência, negócio e liderança. O CDP reúne atualmente centenas de conselheiros em mais de 40 países, com perfis ligados à ciência, tecnologia, educação, cultura e empresariado, funcionando como plataforma informal de ligação entre Portugal e mercados externos.

Na sessão de encerramento, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou o papel da diáspora na construção do soft power português, defendendo que a dimensão real do país é hoje maior fora do território nacional do que dentro dele. No seu último discurso enquanto presidente honorário do CDP, o chefe de Estado enquadrou a diáspora como um dos principais ativos estratégicos de Portugal, a par da diplomacia, da história e da capacidade de adaptação dos portugueses, apelando a uma atitude ativa e inconformista ao serviço do país.

A presença governamental reforçou essa leitura. Os responsáveis políticos presentes convergiram na ideia de que a diáspora constitui uma alavanca relevante para a diplomacia económica, a atração de investimento e a afirmação internacional de Portugal, num contexto global marcado por elevada incerteza e transformação acelerada das cadeias de valor. A capacidade de integração cultural, a flexibilidade e a leitura de contexto dos portugueses no exterior foram apontadas como traços distintivos num ambiente competitivo.

Os debates centraram-se sobretudo no talento e na liderança, com destaque para a necessidade de reforçar a articulação entre capital humano, cultura e economia. Mais do que um exercício de balanço anual, o encontro funcionou como sinal político e institucional num momento de transição.