Turismo e Lazer

Turismo Inclusivo: do dever ao diferencial competitivo

Chamam-lhe turismo inclusivo, acessível, “tourism for all”. A terminologia varia conforme o manual de boas práticas que se consulte. O conceito passa por garantir que pessoas com deficiência, idosos, famílias com crianças pequenas ou outras pessoas com necessidades específicas possam aceder a destinos, atrações e serviços turísticos com autonomia e dignidade.

Turismo acessível e turismo inclusivo distinguem-se pela profundidade de compromisso. O primeiro remove obstáculos arquitetónicos com rampas, elevadores, casas de banho adaptadas, sinalética legível. O segundo vai mais longe e forma equipas, sensibiliza colaboradores, cria culturas organizacionais que tratam a diversidade como normalidade operacional.

Portugal tem casos concretos. O programa “All for All – Portuguese Tourism”, lançado pelo Turismo de Portugal, mobilizou a indústria com resultados mensuráveis. Foram 116 projetos apoiados, 20 milhões investidos, intervenções no Convento de Cristo, Castelo de São Jorge, Palácio de Mafra e Caves Calém, por exemplo. Em 2019, a Organização Mundial do Turismo reconheceu Portugal como “Destino Turístico Acessível”.

O mercado que ninguém quer perder

Aqui entra a parte que interessa ao sector empresarial. Turismo inclusivo amplia mercados, fideliza clientes, diferencia posicionamento. Segundo o Turismo de Portugal, ser capaz de receber famílias com crianças pequenas, seniores ou pessoas com algum tipo de deficiência representa oportunidade de negócio direto.

Estimativas apontam que este público poderia representar 862 milhões de viagens na Europa. Alojamentos que adoptaram práticas inclusivas tornaram-se referências, aumentaram carteiras de hóspedes, melhoraram satisfação e taxa de retorno. Turistas com necessidades especiais viajam acompanhados, permanecem mais tempo e gastam mais.

A pergunta que fica

Se as vantagens são óbvias, porque é que tantos destinos ainda tratam a acessibilidade como item opcional nos orçamentos? A resposta passa por formação, investimento e vontade de redesenhar processos já instalados. O turismo inclusivo pede rampas que funcionem, colaboradores preparados para atender sem condescendência e empresas que tratem dignidade como requisito de entrada no mercado.