Mulheres Inspiradoras

“Nunca deixei de cuidar de pessoas. Apenas mudei a forma de o fazer”

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a história de Raquel Santos revela que mudar de rumo é também uma forma de continuar a cuidar. Da enfermagem ao setor imobiliário, a diretora da One Star Coimbra levou consigo a proximidade, a dedicação e a sensibilidade, provando que recomeçar pode ser o ponto de partida para se reencontrar.

O seu percurso começou na enfermagem, uma profissão centrada no cuidado e na proximidade. Quando percebeu que estava na hora de virar a página e levar essa dedicação para a One Star Coimbra?

Durante 17 anos fui enfermeira. Mais do que uma profissão, foi uma forma de estar na vida. Aprendi a cuidar, a escutar e a acompanhar pessoas em momentos muito importantes das suas histórias. Mas chegou um momento em que percebi que, apesar da dedicação, já não me sentia a crescer. Sentia falta de novos desafios e de objetivos que me voltassem a motivar.

O meu marido já tinha um projeto imobiliário num grupo empresarial criado por ele, com marca própria, e comecei a olhar para esse mundo como uma oportunidade de me reinventar. Saí do hospital com receios, mas também com muita vontade de voltar a sentir propósito. Formei-me em intermediação de crédito e mediação imobiliária e fui ultrapassando, passo a passo, as minhas próprias barreiras. Hoje percebo algo muito simples: nunca deixei de cuidar de pessoas. Apenas mudei a forma de o fazer. Porque uma casa não é apenas um imóvel — é o lugar onde a vida acontece.

Assumir um novo rumo profissional já é, por si só, um grande desafio. Como define a sua liderança e que valores orientam o seu trabalho?

A minha liderança nasce daquilo em que mais acredito: as pessoas. Acredito que cada pessoa é única, com valor próprio e com algo importante para acrescentar. Liderar, para mim, não é mandar — é inspirar, acompanhar e ajudar cada pessoa a descobrir o melhor de si. Procuro criar um ambiente de proximidade, confiança e crescimento. Cada pessoa que cruza o meu caminho acrescenta-me valor e ajuda-me a evoluir, tanto a nível pessoal como profissional. Por isso lidero com empatia, verdade e exemplo. Porque no final, as grandes equipas não se constroem apenas com talento — constroem-se com confiança.

Quais são, na sua opinião, os maiores desafios e oportunidades deste setor?

O setor imobiliário vai muito além de negócios. Estamos a falar de casas, e uma casa é sempre mais do que quatro paredes. É onde nascem sonhos, crescem famílias e se constroem memórias. O grande desafio é honrar a responsabilidade de acompanhar decisões tão importantes na vida das pessoas. Mas é também isso que torna este setor tão especial.

Se pudesse falar com a versão de si mesma que dava os primeiros passos no ramo imobiliário, que conselho lhe daria?

Diria simplesmente: acredita em ti. No início tive muitas dúvidas e medos. Deixar uma profissão de tantos anos não foi fácil. Mas hoje sei que cada obstáculo foi uma oportunidade para crescer. Diria também para nunca perder aquilo que sempre me definiu: acreditar nas pessoas. E, acima de tudo, para valorizar quem caminha ao nosso lado. Quando fazemos as coisas com amor, não existem limites para o que podemos alcançar.