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“Para mim, a estética não é apenas melhoria da imagem. É saúde, autoestima, reabilitação emocional e, em muitos casos, reconstrução da identidade”

Escutar sempre fez parte do seu trabalho. Do jornalismo trouxe o hábito de compreender pessoas e da vida a vontade de as ajudar. É em Angra do Heroísmo que se encontra o espaço de Diana Simões, o SPA Urbano – Ilha Terceira, “um refúgio de equilíbrio”, onde cada tratamento estético valoriza a saúde, bem-estar e autoestima. Prestes a concluir a licenciatura em Enfermagem, conta em primeira mão que, em breve, o projeto ganhará novas valências clínicas.

Com uma carreira construída entre palavras e notícias, escolheu reinventar-se e dedicar-se à área da estética e bem-estar. O que a motivou a seguir este caminho tão diferente e quais são as perspetivas de futuro?

Durante muitos anos vivi das palavras, das histórias e da procura pela verdade. O jornalismo e as relações-públicas ensinaram-me a escutar, a interpretar pessoas e a compreender contextos, competências que continuam muito presentes na minha prática atual.

A minha transição para a área da estética e do bem-estar foi evolução natural. Trabalhei sete anos na área da Comunicação, fora da Região Autónoma dos Açores, mas decidi voltar, na perspetiva de investir na Estética Avançada, uma vez que era uma área em ascensão, e comecei por realizar várias formações ao nível dos tratamentos faciais e corporais.

Sempre senti uma forte vocação para o cuidado e para o impacto direto na vida das pessoas. Foi nesse contexto que iniciei, em 2023, a licenciatura em Enfermagem, precisamente para sustentar a minha prática com bases clínicas sólidas e uma visão integral da saúde. Assim que concluir a licenciatura, pretendo avançar para a competência em Enfermagem Estética que está, neste momento, em desenvolvimento pela Ordem dos Enfermeiros, consolidando formalmente uma área na qual já trabalho com profundo sentido de responsabilidade e compromisso com a segurança.

Para mim, a estética não é apenas melhoria da imagem. É saúde, autoestima, reabilitação emocional e, em muitos casos, reconstrução da identidade.

O nome do seu projeto sugere algo mais do que estética. Convida a uma experiência, um sentimento. Como chegou a esta escolha e que impacto espera ter em quem o visita?

O nome Spa Urbano – Clínica de Estética Avançada e Bem-Estar nasceu de uma reflexão muito consciente sobre aquilo que eu queria que o espaço representasse. Estamos localizados em Angra do Heroísmo. Foi precisamente daí que surgiu o conceito de city spa: um refúgio de equilíbrio e cuidado integrado no coração da cidade. No entanto, o projeto está a atravessar uma fase muito especial de evolução.

O percurso que estou a fazer ao nível da formação em Enfermagem está a influenciar, naturalmente, a visão estratégica do espaço. Por esse motivo, no próximo ano o espaço irá entrar numa nova fase com um rebranding que refletirá esta maturidade e esta expansão de visão. Vamos manter os serviços que já nos caracterizam, mas iremos integrar novas valências direcionadas para a área da saúde e do cuidado clínico especializado. Posso dizer que será um passo muito alinhado com o futuro da estética em Portugal, e acredito que irá surpreender quem nos acompanha.

Os serviços estéticos são, muitas vezes, vistos apenas como uma questão de aparência. Quais cuidados do Spa Urbano – Ilha Terceira considera essenciais para fortalecer a confiança e o empoderamento pessoal de quem os procura?

Hoje olho para cada procedimento com uma perspetiva mais consciente, com respeito pela individualidade e pela valorização da beleza natural de cada pessoa.

Entre os cuidados que considero fundamentais para fortalecer a confiança estão os tratamentos de pele personalizados, porque uma pele saudável impacta diretamente a forma como nos apresentamos ao mundo. Relativamente aos protocolos corporais, ajudam na reconexão com o próprio corpo, mas, acima de tudo, o acompanhamento responsável, com orientação honesta sobre expectativas reais.

Depois de sair do seu spa, qual é a sensação que deseja que os clientes levem consigo? Como consegue transmitir essa experiência única em cada serviço que oferece?

Depois de sair do espaço, quero que cada pessoa sinta que fez algo por si. Para transmitir essa experiência única, tudo começa muito antes do tratamento em si. Começa na escuta, na avaliação personalizada, na criação de um plano ajustado à realidade de cada pessoa. Independentemente da vertente clínica e técnica que sustenta cada procedimento, preservo aquilo que considero essencial: a dimensão humana do cuidado.

Muitas vezes, o nosso espaço torna-se também um lugar de partilha. No contexto do cuidado estético, surgem confidências, inseguranças e histórias de vida que exigem muita sensibilidade. Sem substituir outras áreas da saúde, assumimos esse momento com maturidade, sabendo que, para muitas pessoas, sentir-se ouvida já é parte fundamental do processo de transformação.

Ao longo destes 13 anos de trabalho, existe algum caso ou experiência com um cliente que a tenha marcado de forma especial e que ainda hoje a incentiva no seu trabalho?

Sim, existem várias histórias que me marcaram. Recebi clientes que, infelizmente, sofreram diferentes tipos de violência psicológica relacionadas com o seu corpo, mas também pessoas que chegaram após momentos de grande fragilidade emocional, como divórcios ou a perda de familiares.

Estes acontecimentos deixam marcas profundas e, muitas vezes, essas pessoas chegam com uma vontade enorme de cuidar de si e recuperar a autoestima, mas também com receio, vergonha ou dificuldade em mostrar o próprio corpo.

Acompanhá-las exige mais do que técnicas estéticas: exige escuta, paciência e empatia. É emocionante e inspirador ver alguém que chegava insegura ou fragilizada e, pouco a pouco, reencontrar a coragem de sorrir, olhar-se ao espelho e reconhecer a própria beleza.

Certamente, ter um projeto nos Açores coloca desafios e oportunidades diferentes de qualquer outro lugar. Como essa realidade influencia a forma como trabalha?

A dimensão insular exige planeamento cuidadoso, atenção à logística e adaptação constantes, mas oferece algo que não se encontra em qualquer outro lugar: uma relação próxima e genuína com a comunidade e um contacto direto com a natureza e o ritmo único da ilha. A ligação à comunidade tem um impacto enorme na nossa atividade empresarial.

Apesar de trabalharmos com as redes sociais e até termos uma presença bastante ativa no desenvolvimento de conteúdos, costumamos dizer que são os nossos clientes que nos trazem clientes. Felizmente, na nossa realidade “de ilhéu”, ainda funciona muito por recomendação a pessoas conhecidas. Sempre que posso, procuro investir em novas formações, tratamentos e tecnologia, para garantir que está alinhado com os padrões mais avançados e que cada cliente tenha acesso ao melhor, sem sentir a necessidade de sair da ilha.

Como define o legado que deseja deixar, não apenas como empresária, mas como alguém que cuida do bem-estar das pessoas?

O legado que desejo deixar vai muito além do sucesso empresarial. Como empreendedora feminina, procuro mostrar que é possível aliar excelência, ética e inovação com empatia e proximidade. O meu verdadeiro legado será medir o impacto positivo que conseguimos criar na vida das pessoas, não apenas nos resultados visíveis, mas na diferença silenciosa que fazemos na vida delas.

Cuidar é mais do que uma profissão: é uma missão. E é essa missão que quero que permaneça. Espero, num futuro muito próximo, poder partilhar o meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área, ajudando-os a crescer de forma consciente e ética.