Para a advogada Ana Sauri Gardete, a profissão não se limita ao conhecimento das leis. Com mais de dez anos de experiência, privilegia a escuta e a compreensão dos clientes, dedicando-se igualmente a serviços pro bono, com o objetivo de assegurar que todos tenham acesso à Justiça.
Entre a Justiça, o Direito e a sensibilidade
O primeiro passo para Ana Sauri Gardete, antes de qualquer orientação jurídica, não é interpretar a lei, mas compreender quem está à sua frente. “Um advogado tem de ser um bom ouvinte. Nas reuniões, 75% do tempo é dedicado a ouvir o cliente e só depois vêm os 25% em que damos o parecer jurídico. Quando um cliente sai mais tranquilo do que entrou, para mim já é uma vitória”.
Escutar, para a profissional, significa criar espaço para que o cliente manifeste medos e dúvidas. A distância emocional, aliada à sensatez, é para si uma ferramenta tão importante como o conhecimento. “Quando estamos mais distanciados conseguimos ter maior clareza e é isso que os clientes procuram”, acrescenta.
O compromisso com o trabalho pro bono, iniciado ainda na faculdade, reflete a sua atenção às necessidades dos clientes. “Os advogados oficiosos não são inferiores nem superiores: têm a mesma competência. O valor das pessoas não depende daquilo que podem pagar”. Defende que facilitar o acesso à Justiça é parte da sua missão, garantindo que cada cliente é tratado com humanidade e respeito, até porque “toda a gente merece defesa”.
Comunicar em “português não jurídico”
A dificuldade da linguagem jurídica é um obstáculo que a advogada encontra diariamente. “Logo no primeiro contacto, são muitos os clientes que me solicitam: «explique-me isto em português». Simplificar não é desvalorizar, é permitir que a pessoa perceba o que está em causa”. Ana Sauri Gardete considera que o cliente procura compreender a situação, encontrar caminhos e avaliar as possibilidades. “O cliente quer entender o problema e participar na solução”.
Apesar do entusiasmo pelo Direito e pela Justiça, considera que a advocacia necessita de algumas melhorias, alertando que “não faz sentido que um advogado em início de carreira tenha tantos encargos e obstáculos, quando o que deveria ter são mais apoios internos.” Sobre o sucesso, a advogada afirma sem rodeios: “Não há sucesso sem trabalho, dedicação e sacrifícios”. Admite, contudo, que para as mulheres alcançar o equilíbrio é mais desafiante. “Ainda há muitas tarefas que recaem maioritariamente sobre as mulheres. A equidade está a evoluir, mas ainda existe um grande caminho a percorrer”.
2645-038 CASCAIS |




