Eva Leitão, licenciada em Psicologia e mestre em Psicologia Clínica e da Saúde, fundou uma clínica em nome próprio, com o objetivo de oferecer saúde e bem-estar emocional. Dentro das suas especialidades, destaca-se o acompanhamento do luto, um processo que exige tempo, escuta e segurança emocional.
Apaixonada pela vida e pelas pessoas desde criança, Eva Leitão sempre foi extremamente observadora, com muita curiosidade sobre o comportamento humano. Ao olhar para o seu percurso profissional, o que mais a marca não são os títulos ou as especializações, embora a formação seja fundamental, bem como o estudo diário para poder dar o seu melhor. Acima de tudo, considera que o mais importante são as pessoas que lhe confiam a sua história. “São elas que dão sentido a tudo”.
Conta que, ao longo destes anos, tem acompanhado pessoas em momentos de grande fragilidade. “Dores silenciosas, medos que apertam o peito, perdas que mudam tudo”. E é nesses encontros “tão profundamente humanos” que recorda, dia após dia, porque escolheu ser psicóloga. Considera que o destaque do seu percurso não está no currículo, mas na capacidade de estar verdadeiramente presente, com autenticidade e empatia, para cada pessoa que chega até si. “O que mais me orgulha é ter criado um espaço onde a vulnerabilidade é acolhida com respeito, onde a dor encontra compreensão e onde a mudança se torna possível mesmo quando parece distante”.
Acredita que a maior missão de vida é ajudar cada pessoa a reencontrar a sua força, a sua voz e o seu caminho, contribuindo para uma vivência mais positiva e saudável. Fundar, este ano, a própria clínica foi um dos momentos mais especiais da carreira, uma vez que sempre sonhou criar um espaço verdadeiramente seguro, acolhedor e humano, onde cada pessoa pudesse cuidar da sua saúde com dignidade, respeito e tranquilidade. “Abrir a clínica na minha terra natal, a Póvoa de Varzim, tornou tudo ainda mais especial, porque sinto que estou a devolver à comunidade que me viu crescer um espaço pensado ao pormenor para promover bem-estar, equilíbrio e autoconhecimento”.

Mais do que um projeto profissional, diz estarmos perante um projeto de coração e missão de vida. “Cada pessoa que nos procura traz consigo uma história única, e saber que confiam em mim e na minha equipa é uma responsabilidade que levo muito a sério”. Este reconhecimento reforça a importância do trabalho que fazem enquanto equipa e inspira-a a continuar a crescer e a oferecer o melhor cuidado possível.
Especialidades da Clínica Eva Leitão
Na clínica têm disponíveis vários serviços, tais como Psicologia, Psiquiatria, Terapia da Fala, Nutrição, Clínica Geral, Fisioterapia, Fisioterapia Pélvica e Pilates Clínico. Exceto a fisioterapia, todos os serviços são realizados também via online, caso seja essa a preferência da pessoa. Acredita que não existem barreiras geográficas para as pessoas cuidarem da sua saúde mental e física e, por isso, disponibilizam os serviços em ambas as modalidades.
Autoestima, ansiedade, depressão e luto são as especialidades de Eva Leitão. Enquanto profissional, explica que o luto é um processo natural que se vive quando perdemos alguém ou algo importante. “Ele traz emoções intensas e, por vezes, contraditórias como a tristeza, choque, saudade, emoções que fazem parte do esforço em compreender uma realidade que mudou. Embora seja uma experiência comum a todas as pessoas, cada pessoa vive o luto ao seu próprio ritmo, influenciado pela relação que tinha, pela sua história de vida e pelo apoio que encontra à sua volta”. Esclarece também que o propósito do luto é ajudar a integrar a perda, mantendo uma ligação saudável com a memória de quem partiu e permitindo que, aos poucos, reconstruamos sentido e continuidade na nossa vida. “Na maioria das vezes, é um processo saudável. No entanto, quando a dor permanece intensa por muito tempo e começa a dificultar o dia a dia, pode ser importante procurar apoio especializado”.

Enquanto psicóloga, o seu papel é ajudar a pessoa a enfrentar a dor da perda sem pressa, acolhendo cada emoção que surge – tristeza, raiva, saudade ou vazio – como parte legítima do luto. “Procuro criar um espaço seguro para que essas emoções possam ser sentidas e compreendidas, sem julgamentos, permitindo que a pessoa se reconecte com a sua própria história e com a memória de quem partiu”.
Gradualmente, trabalha na ressignificação da perda, honrando memórias, encontrando pequenos gestos de presença e criação de novos rituais, de forma que a pessoa enlutada possa continuar a viver com sentido. O objetivo é transformar a dor num lugar onde a saudade e o amor coexistam, possibilitando seguir em frente sem esquecer, mas carregando a memória de forma suave e significativa.
Distinção de um trabalho dedicado à saúde mental
A 6 de novembro de 2025 foi distinguida com um prémio europeu da Portugal Awards, na área de saúde mental. Receber esta distinção foi um momento “profundamente especial”, onde sentiu uma mistura de gratidão, surpresa e emoção. “Não trabalho a pensar em reconhecimentos, mas sim nas pessoas que acompanho todos os dias e, por isso, este prémio tem um significado ainda maior”.

Para Eva Leitão, simboliza a validação de um caminho feito com entrega, humanidade e muita dedicação à saúde mental. “Este prémio é mais do que um troféu, é um lembrete de que a minha missão está a chegar mais longe e a tocar nas pessoas de uma forma que nunca imaginei”. Ao mesmo tempo, sente uma enorme responsabilidade. Este reconhecimento inspira-a a continuar a fazer melhor, a estudar mais, a ser mais presente para cada pessoa que a procura, reforçando também a importância de dar voz à saúde mental, de combater estigmas e de mostrar que pedir ajuda é um ato de coragem e não de fraqueza. “Acima de tudo, sinto-me grata pelas pessoas que confiam em mim para acolher as suas histórias e por fazer parte do seu processo de transformação. Este prémio é, no fundo, das pessoas que em mim confiam a sua vida”.
| Fases do luto O luto é uma experiência profundamente pessoal e dolorosa. Muitas pessoas passam inicialmente pelo choque e pela negação, como forma de proteger o coração, seguidos de tristeza intensa, saudade, raiva ou culpa, sentimentos que podem parecer avassaladores. Com o tempo, surge a possibilidade de aceitação e adaptação, encontrando maneiras de manter viva a memória de quem se perdeu e seguir com a própria vida. Sem apoio profissional, essas fases podem ser ainda mais difíceis, mas acolher a dor e receber orientação permite que a perda seja integrada de forma saudável, transformando sofrimento em memória, cuidado e significado. |




