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Equilíbrio entre vida pessoal e profissional já supera o salário na retenção de talento em Portugal

O equilíbrio entre vida pessoal e profissional passou a ser o principal fator de retenção no mercado de trabalho português, superando claramente o salário e a segurança no emprego, num contexto de forte transformação organizacional, pressão sobre o talento e aceleração tecnológica.

É esta uma das conclusões centrais do Workmonitor 2026, estudo divulgado este mês de janeiro pela Randstad, que traça um retrato exigente do atual mercado de trabalho em Portugal, marcado por aquilo que a consultora designa como uma “Grande Adaptação” tanto do lado das empresas como dos profissionais.

De acordo com o estudo, que envolveu 26 mil profissionais em 35 mercados, 51 por cento dos trabalhadores em Portugal identifica o equilíbrio entre vida pessoal e profissional como o principal motivo para permanecer na função atual. A remuneração surge bastante atrás, com 23 por cento, seguida da segurança no emprego, com 22 por cento. O dado ganha especial relevância num país onde 100 por cento dos empregadores dizem estar confiantes no crescimento das suas organizações no próximo ano, enquanto apenas 46 por cento dos trabalhadores partilham dessa expectativa, abaixo da média global.

A autonomia afirma-se como outro eixo estruturante desta mudança. Metade dos profissionais portugueses admite já ter abandonado um emprego por falta de independência concedida pelas chefias, apesar de 80 por cento dos empregadores reconhecerem que a autonomia reforça o compromisso e a produtividade. No momento do recrutamento, o salário continua a ser um fator de atração para 87 por cento do talento, mas perde peso quando confrontado com a ausência de flexibilidade: 42 por cento rejeitaria uma oferta sem flexibilidade de local de trabalho e 41 por cento recusaria uma função sem flexibilidade de horário.

O estudo revela também uma reconfiguração clara das trajetórias profissionais. Apenas 39 por cento dos trabalhadores em Portugal ambiciona uma carreira tradicional e linear, enquanto 27 por cento prefere um modelo de “carreira de portefólio”, com mudanças de funções e setores. Entre a Geração Z, esta tendência é ainda mais acentuada, com 67 por cento a preferir desenhar o seu próprio percurso em vez de seguir hierarquias rígidas.

A colaboração intergeracional mantém-se como um ativo valorizado, mas enfrenta novos desafios. 65 por cento dos profissionais refere ter uma relação forte com o seu gestor direto e 73 por cento diz confiar nos colegas. A diversidade de perspetivas é vista como um fator direto de produtividade por 84 por cento do talento, enquanto 78 por cento reconhece o valor de trabalhar com pessoas de diferentes gerações. Do lado das empresas, a diversidade geracional é unanimemente apontada como alavanca de desempenho, embora 90 por cento dos empregadores admita que o trabalho remoto ou híbrido tornou a colaboração mais exigente.