Ao longo de sensivelmente 15 anos, Filipa Teixeira foi construindo o seu percurso profissional em contextos “altamente exigentes”. Quando percebeu que o ritmo em que vivia já não era sustentável, decidiu mudar de vida e, atualmente, é especialista em biofeedback.
Com uma carreira que passou pelas áreas de marketing, estratégia, inovação digital e experiência do cliente, Filipa Teixeira começou por exercer no setor financeiro, onde afirma ter crescido “ao longo de vários anos”, uma vez que passou por funções comerciais, coordenação de equipas e, mais tarde, responsabilidades estratégicas nas áreas de marca e digital. Depois de ter feito uma pós-graduação em marketing digital, teve a oportunidade de criar e liderar a primeira equipa digital do banco onde exercia.
Posteriormente, trabalhou como digital strategist em projetos de transformação e experiência do cliente para grandes organizações e assumiu a liderança da área de marketing “num grande grupo automóvel”, com foco em reposicionamento de marca, estratégia digital, performance e customer experience. Mais tarde, desempenhou funções ligadas à transformação de negócio numa consultora criativa. “Foi um percurso exigente e estruturante, que me deu rigor, pensamento estratégico e uma visão integrada — competências que hoje continuam muito presentes na forma como trabalho”.
À medida que o tempo ia passando, percebeu que o ritmo em que vivia “já não era sustentável” e, por isso, decidiu mudar de vida. O corpo começou a dar sinais claros: alterações do sono, ansiedade, exaustão e sintomas físicos sem causa clínica evidente. “Essa consciência levou-me, primeiro, a procurar soluções para mim, enquanto paciente”. Abrir o próprio espaço foi uma consequência natural do processo. O objetivo era criar um lugar onde pudesse trabalhar com tempo, presença e profundidade, ajudando outras pessoas a recuperar equilíbrio, “num mundo cada vez mais acelerado”.
Atualmente, fá-lo através do biofeedback, uma tecnologia de leitura e treino do sistema nervoso, baseada na análise de parâmetros fisiológicos do próprio corpo. Durante uma sessão são avaliados indicadores como atividade elétrica, níveis de hidratação e oxigenação celular, padrões de ondas cerebrais — sinais que refletem a forma como o organismo reage ao stress. Através desta leitura, o equipamento testa a resposta do corpo a mais de 12 mil frequências de referência, relacionadas com diferentes sistemas, permitindo identificar padrões de desequilíbrio funcional e devolver estímulos muito suaves que apoiam a autorregulação. “O biofeedback não faz diagnóstico nem substitui acompanhamento médico. Atua de forma complementar, ajudando o corpo a sair de estados persistentes de alerta e sobrecarga”.
Segundo a especialista, aplica-se em situações como stress crónico, ansiedade, alterações do sono, fadiga, dificuldades de concentração, dores funcionais, processos de recuperação e também em contextos de bem-estar e performance. Acrescenta que pode ser utilizado em todas as idades, incluindo crianças, sempre com uma abordagem ajustada a cada pessoa.
“O problema do ser humano não é o stress em si, mas sim o facto de o corpo ficar preso em modo de sobrevivência durante demasiado tempo. O biofeedback atua precisamente aí, ajudando o sistema nervoso a recuperar flexibilidade e capacidade de adaptação”. Com sessões regulares, o organismo aprende a responder de forma diferente aos estímulos do dia a dia, o que se traduz em sono mais reparador, maior clareza mental, redução da ansiedade, mais energia e estabilidade interna. “A vida continua exigente, mas deixa de ser vivida em esforço permanente”.





