Mulheres Inspiradoras Poder local

Uma presidente que continua a merecer a confiança da população

Com um percurso de vida veementemente dedicado à causa pública e ao trabalho a favor da comunidade, Júlia Rodrigues Fernandes está no segundo mandato enquanto presidente da Câmara Municipal de Vila Verde. Em entrevista à IN Corporate Magazine, para além de fazer um balanço destes anos a nível profissional, conta o que a move na área da política.

Depois de ter cumprido um mandato à frente da Câmara Municipal de Vila Verde, recandidatou-se nas últimas eleições autárquicas e conseguiu novamente a vitória. Que significado teve para si mais esta conquista?

O reconhecimento do trabalho que estamos a desenvolver aumenta a responsabilidade, a motivação e o desafio nesta missão ao serviço de todas e de todos os Vilaverdenses, sempre na defesa intransigente dos superiores interesses do nosso concelho, das nossas freguesias e das nossas gentes.

A vitória foi inequívoca, incontestável e reforça a maioria que já detínhamos. É obviamente motivo de satisfação pelo dever cumprido e pela confiança reforçada que a população nos deu. Vamos continuar a gerir os destinos do Município de Vila Verde, sempre focados no bem-estar de todos os Vilaverdenses, sem exceção.

Os Vilaverdenses sabem e confiam que somos capazes de agregar vontades, convergir energias e esforços para concretizar, com sucesso, o grande objetivo do crescimento sustentado do nosso concelho, dotando-o de infraestruturas, de equipamentos e das melhores condições para que todos aqui possam viver com conforto e com qualidade.

Quando tomou posse para este mais recente mandato, afirmou que “está sempre com as pessoas em primeiro lugar”. Porque considera que a política deve ser feita de pessoas para pessoas?

Essa é uma firme convicção que não nos cansamos de enfatizar. De facto, a nossa luta diária dirige-se, desde a primeira hora, para a defesa da dignidade de todas as pessoas. É com a maior das honras e enorme orgulho que trabalho – e faço questão de mobilizar toda a minha equipa e todos os que colaboram connosco – para ajudarmos a melhorar a vida de todos e de cada um dos Vilaverdenses.

O crescimento económico, a capacitação das pessoas, a mobilidade, a educação, o ambiente, a ação social e a melhoria de infraestruturas, equipamentos e serviços públicos são os grandes pilares de uma estratégia gizada a pensar sobretudo nas pessoas. A mobilização coletiva é a palavra de ordem para conseguirmos alavancar Vila Verde e colocar o nosso concelho num patamar ainda mais elevado de desenvolvimento. Continuamos, por isso, a contar com o trabalho e com a dedicação ímpares das instituições concelhias, das juntas de freguesia, das nossas associações, de todas as coletividades, dos empreendedores e de todos os Vilaverdenses para, a par e passo, com firmeza e ambição, irmos construindo um concelho cada vez mais moderno, mas também mais justo, solidário e inclusivo.

As pessoas são e serão sempre a primeira de todas as nossas prioridades, a maior de todas as nossas preocupações.

Segundo um estudo coordenado pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, a violência digital tende a atingir de forma desproporcionada mulheres em funções públicas. Na sua opinião, por que razão é que isto acontece?

A violência digital resulta, em muito, da falta de legislação capaz de responsabilizar os autores de publicações que extravasam a liberdade de expressão, que em muitos casos ofendem ou invadem os direitos das outras pessoas e instituições. Há excessivas situações de abuso de um meio de comunicação que tem um cada vez maior poder de disseminação, sem o devido acompanhamento regulador.

Apesar dos avanços nas últimas décadas, as mulheres ainda estão sub-representadas nos espaços de poder. O que considera necessário levar a cabo para reduzir esta disparidade?

Cada um e cada uma impõe-se pelo mérito, pelo trabalho, pela competência e pela capacidade em lidar com as numerosas tarefas e os múltiplos papéis do dia a dia. Mas infelizmente, de uma forma geral, as mulheres continuam a enfrentar maiores dificuldades de afirmação e progressão social e profissional. É assim no trabalho, nos índices de emprego e ao nível das lideranças e administrações de empresas, assim como na constituição de estruturas políticas.

É fundamental aprofundar a evolução ao nível da partilha igualitária dos direitos e responsabilidades, tanto na esfera familiar como na profissional. É urgente também um esforço maior na adaptação das empresas e das rotinas profissionais, assim como das organizações políticas, às funções familiares dos colaboradores, quer sejam homens ou mulheres.

Na política, apesar de não gostar particularmente da ideia e da necessidade de quotas – porque considero que isso devia acontecer por consequência natural do mérito de cada um, independente do género ou outras potenciais discriminações – elas foram e ainda são importantes para promover a igualdade na atividade política.

Além de um problema de justiça social e uma violação intolerável da Declaração Universal dos Direitos do Homem, as desigualdades entre homens mulheres provocam um prejuízo objetivo para a sociedade em geral e para as nossas comunidades, designadamente ao nível do desenvolvimento e progresso social, económico e humanista. Temos de continuar a combater esse fenómeno, promovendo a igualdade de direitos e responsabilidades, de forma plena e transversal.

Que balanço faz destes anos em que tem mantido uma ligação mais direta com a política?

O meu balanço é de extrema satisfação pelo dever cumprido, pela oportunidade de estar a servir o concelho e a causa pública, pelos resultados visíveis do trabalho desenvolvido, pela alegria que sinto no contacto com as pessoas, pela força com que continuamos juntos nesta missão de colaborarmos para melhorar o espaço e a vida de todos…

Confesso que, para mim, nunca foi desvantagem ser mulher, tanto ao nível da vida profissional como professora, como familiar e social. Tive também o privilégio de liderar diversas iniciativas e organizações de defesa e promoção da igualdade, seja como conselheira da Igualdade, seja como autarca e presidente da Câmara.

Enquanto mulher inspiradora, o que diria a quem nos lê e gostava de desenvolver competências de liderança para melhor servir a comunidade?

Há um lema que sigo em toda a minha vida e que, para mim, é fundamental no exercício da política e da nossa atividade: colocarmo-nos no lugar do outro! Gosto muito daquilo que faço, do contacto diário com as pessoas, do trabalho de proximidade com as instituições, do trabalho em rede com todos os que desenvolvem atividades no nosso concelho e querem o melhor para a comunidade em que convivemos. É importante para sentirmos e percebermos melhor o que estamos a fazer e o que é preciso conseguir. Com humildade, genuinidade, verdade, coragem e muita ambição, estamos aqui ao serviço dos outros.

Licenciada pela Universidade do Minho em Ensino de Português-Francês, o percurso profissional está, em grande parte, ligado à educação. Foi professora do ensino básico e secundário e também exerceu funções de vice-presidente do Conselho Executivo. Teve um papel particularmente ativo na concretização das publicações das Antologias de Jovens Escritores Vilaverdenses.
Enquanto “filha da terra”, antes de, em 2021, se tornar presidente do Município de Vila Verde, foi vereadora, assumindo áreas que vão da educação e cultura, à ciência, artesanato, património cultural, cooperação, relações internacionais e apoio às comunidades emigrantes e imigrantes, juventude, turismo, habitação e luta contra a pobreza.
Para além de ter sido responsável por eventos de referência no concelho, durante vários anos, foi também o rosto e a principal impulsionadora da Comissão de Proteção das Crianças e Jovens.
A publicação da obra “O Direito da Criança – conhece os teus direitos” é uma das iniciativas com impacto no concelho.