Entre a delicadeza do traço e a intensidade dos momentos vividos, a Maria das Letras tem vindo a afirmar-se como um projeto que transforma celebrações em memórias ilustradas. Nesta entrevista, a fundadora, Maria Gabriela Khaled, dá-nos a conhecer a história e a emoção por trás da marca que encontrou na arte ao vivo uma forma única de eternizar pessoas e datas especiais.
Em que altura da sua vida surgiu a ideia de fazer ilustrações ao vivo em casamentos, aniversários, batizados ou eventos corporativos?
A ideia surgiu de forma muito natural. Eu já trabalhava com caligrafia e peças personalizadas e partilhava tudo no Instagram. O que mais me marcava não era só criar algo bonito, era ver a reação das pessoas quando recebiam algo feito especialmente para elas. A felicidade era genuína.
A ilustração ao vivo nasceu exatamente daí. Pensei que, se a entrega já era especial, imagina viver aquele momento ali, no instante, no meio da celebração.
Comecei a testar em casamentos e rapidamente percebi que havia ali algo diferente. A experiência tornava-se parte da festa. Não era apenas uma lembrança, era um momento vivido. E a partir daí nunca mais parámos.

O que mais a fascina nesta profissão?
A intensidade dos momentos. Estamos presentes em dias que não se repetem. Há emoção, significado e histórias a cruzarem-se naquele espaço. Poder transformar pessoas reais em arte em poucos minutos, no meio dessa energia, é algo muito especial. Há um instante em que alguém se vê no papel e sorri. Esse momento nunca perde a magia.
Como consegue captar a essência de alguém em tão pouco tempo?
Com a prática o olhar treina-se e na realidade é muito mais do que só técnica. Há muita observação, reparar na postura, na expressão, na forma como alguém segura a mão de outra pessoa. Não procuramos uma cópia exata, procuramos captar aquilo que torna aquela pessoa única naquele momento.

Há algum tipo de convidado que goste particularmente de ilustrar?
Gosto de pessoas que se deixam surpreender.
Há convidados mais reservados e outros que se entregam completamente à experiência. Esses vivem o momento de forma muito genuína e isso sente-se. Também gosto muito de ilustrar pessoas mais velhas. Muitas vezes emocionam-se de forma muito pura ao receber o retrato.
Como se organizam para conseguir estar em vários eventos ao mesmo tempo?
Hoje somos uma equipa nacional de artistas altamente qualificadas. À medida que crescemos, foi necessário criar estrutura e métodos claros para garantir consistência em qualquer ponto do país. Há planeamento rigoroso antes de cada evento e uma coordenação muito próxima entre equipa e organização. Isso permite-nos manter o padrão Maria das Letras, mesmo quando estamos em vários locais no mesmo dia.

O que mais a surpreendeu desde o início do projeto?
O impacto emocional que um retrato pode ter. No início sabia que as pessoas ficavam felizes, mas nunca imaginei a dimensão que isto podia alcançar. Já vimos lágrimas, abraços e momentos que ficam para sempre na memória. Percebi que não estamos apenas a desenhar. Estamos a fazer parte da história de alguém.
Qual foi a reação mais inesperada que já teve?
Houve um momento que me marcou profundamente. O padrinho da noiva tinha falecido uma semana antes do casamento, num acidente de carro. No dia, a única forma de ele estar presente junto da família era através de uma pintura onde o colocámos ao lado deles. Quando a esposa e a filha, de cinco anos, se viram representadas ao lado do pai e do marido, começaram a chorar. Foi impossível ficar indiferente. Nesse dia percebi que a arte pode ser muito mais do que uma recordação. Pode ser uma forma de eternizar alguém.

O que significou, para si, receber o Prémio Quality Award?
Foi um reconhecimento muito importante porque vem diretamente dos consumidores. Trabalhamos com momentos únicos e saber que as pessoas reconhecem a qualidade da experiência que criamos aumenta ainda mais a nossa responsabilidade. Para mim, este prémio confirma que estamos a conseguir cumprir aquilo que sempre foi a nossa missão: fazer pessoas felizes através da arte.




