Dez anos depois, o mapa empresarial português já não é o mesmo. Entre 2016 e 2026, o país assistiu a uma transformação profunda. Multiplicaram-se as empresas, ganharam terreno os serviços tecnológicos e o turismo sustentável, e a digitalização tornou-se parte do ADN das organizações. No entanto, as velhas fragilidades persistem, há demasiadas microempresas, pouca capitalização e uma produtividade que continua abaixo da média europeia.
Portugal vive há vários anos o maior ciclo de criação de empresas do século. Em 2025 nasceram perto de 60 mil novas sociedades, sinal de vitalidade e de novas dinâmicas empreendedoras. A recuperação pós-pandemia foi acompanhada de uma explosão de negócios online e de startups tecnológicas, mas também de um aumento da concorrência em setores tradicionais. As insolvências estabilizaram, apesar das dificuldades trazidas pelos custos energéticos, pela subida das taxas de juro e pela escassez de mão-de-obra.
A realidade estrutural, porém, mudou pouco. Mais de 95% das empresas portuguesas continuam a ter menos de dez trabalhadores. Este modelo mantém o país ágil e criativo, mas continua a travar o investimento e a ambição de escalar. “Somos um país de empreendedores, mas não de empresas grandes”, resume-se com frequência entre analistas. Nos setores mais dinâmicos, os serviços voltam a liderar. A tecnologia, a consultoria e os serviços empresariais ganham peso, enquanto o turismo e a restauração consolidam a retoma com foco na sustentabilidade e na qualidade.
O imobiliário e a construção seguem em ritmo elevado, mas enfrentam custos crescentes e falta de trabalhadores. Áreas emergentes, como saúde, energia verde e indústrias criativas, começam a afirmar-se como novos eixos de crescimento.
A geografia empresarial também se descentralizou. Lisboa mantém o comando, mas o Norte, especialmente o quadrilátero Braga– Guimarães–Famalicão–Barcelos, tornou-se um polo tecnológico e industrial de referência. O Porto reforça a sua posição como segundo motor económico e a interioridade começa a perder sentido, impulsionada pelo 5G e pelo trabalho remoto.
Mais do que uma tendência, a digitalização tornou-se estrutural. Hoje, praticamente todas as empresas utilizam ferramentas digitais, plataformas em nuvem e canais online de comunicação e vendas. O avanço da inteligência artificial está a redefinir operações, marketing e gestão. A diferença competitiva já não está em ter tecnologia, mas em usar a informação de forma inteligente.
O desafio, em 2026, é o mesmo que o país arrasta há décadas: transformar dinamismo em escala. Portugal tem empresários cada vez mais preparados, mas continua a precisar de empresas maiores, mais produtivas e mais globais. Criar uma empresa já é quase rotina. Fazê-la crescer (e resistir) continua a ser a verdadeira conquista.




