Beatriz Ribeiro da Silva construiu o seu percurso na PcComponentes Portugal por dentro da organização, até assumir a função de Brand Manager. Conhece o mercado, a pressão da performance e a lógica do e-commerce tecnológico. Fala-nos de marca como trabalho consistente, não como retórica, e de liderança num contexto onde os resultados se medem ao detalhe.
Que decisões ou mudanças de percurso foram determinantes para chegar à função de Brand Manager da PcComponentes Portugal, e que aprendizagens retirou desse processo?
Desde que terminei a faculdade, tive sempre muito claro que queria seguir um percurso ligado ao marketing e ao branding. As decisões que fui tomando ao longo do caminho tiveram esse foco, procurando experiências que me permitissem desenvolver competências em diferentes áreas, mas mantendo-me alinhada com o rumo que queria construir. Na PcComponentes Portugal, esse percurso foi marcado por um crescimento progressivo. Não entrei diretamente como Brand Manager, o que me permitiu conhecer o negócio de forma profunda, compreender o mercado, o consumidor português e a dinâmica de um e-commerce tecnológico a partir de dentro. Essa aprendizagem do negócio e do mercado foi essencial para ganhar visão estratégica.
Ao longo do percurso, complementei a experiência prática com uma aposta contínua na formação. Chegar à função de Brand Manager resulta dessa consistência, da aprendizagem contínua e da convicção de que uma marca forte se constrói com tempo, coerência e visão de longo prazo.
Num e-commerce tecnológico, onde a pressão por resultados é constante, qual considera ser hoje o principal desafio na construção e gestão de uma marca coerente?
O principal desafio é equilibrar a necessidade de resultados imediatos com a construção de marca a longo prazo. Num e-commerce tecnológico, tudo é altamente mensurável e a pressão por performance é constante, o que exige uma grande disciplina estratégica. Construir uma marca coerente passa por garantir consistência em todos os pontos de contacto com o consumidor, mesmo quando o foco é comercial. É fundamental que campanhas, conteúdos e experiência do cliente comuniquem não só preço, mas também valores como confiança, especialização e proximidade.

Na sua experiência, que competências fazem realmente a diferença para afirmar uma marca num mercado digital cada vez mais competitivo?
O pensamento estratégico é uma das competências mais determinantes. Num mercado digital saturado, afirmar uma marca exige clareza de posicionamento e decisões sustentadas em dados, mas sempre interpretados com contexto. A adaptabilidade é igualmente essencial. O digital está em constante mudança e é fundamental saber testar, aprender e ajustar rapidamente, sem perder a identidade da marca. A criatividade continua a ser um fator diferenciador, mas cada vez mais orientada por objetivos claros e conhecimento do público.
Por fim, o trabalho colaborativo faz a diferença. Uma marca forte constrói-se de forma transversal, e alinhar diferentes áreas em torno de uma visão comum é essencial para garantir consistência e relevância.
Que aprendizagens do seu percurso considera mais relevantes para quem quer trabalhar em marketing e, a médio prazo, assumir funções de liderança?
Uma das principais aprendizagens é a importância da consistência e da intenção nas decisões profissionais. Ter clareza sobre o caminho que se quer seguir ajuda a extrair valor de cada experiência e a crescer de forma sustentada. Outra lição fundamental é a aposta contínua na formação e na atualização. O marketing é uma área em constante evolução, e acompanhar essa mudança é essencial para assumir responsabilidades de liderança. Por fim, destaco a dimensão humana. Liderar implica saber ouvir, comunicar com clareza e criar ambientes de confiança. A combinação entre visão estratégica, exigência e empatia é essencial para construir marcas relevantes e equipas sólidas no longo prazo.




