A 46.ª edição do Fantasporto arrancou a 27 de fevereiro, no Porto. Apresenta um programa que combina a competição de cinema português, um foco no cinema contemporâneo da Noruega e um ciclo de conferências dedicadas ao estado atual da indústria cinematográfica.
O Fantasporto regressa com as habituais competições de longas-metragens nas secções de Cinema Fantástico e Semana dos Realizadores, às quais se junta a competição de cinema português, dividida em duas modalidades. Uma delas integra curtas e longas-metragens sem obrigatoriedade de género; a outra é reservada a filmes produzidos por universidades e escolas superiores com cursos de cinema. Na edição anterior, o prémio principal distinguiu “Criadores de Ídolos”, de Luís Diogo.
Na categoria de Melhor Filme concorrem as longas-metragens “Cativos”, de Luís Alves, também selecionado para a Semana dos Realizadores, e “Paramnésia”, de Tiago Ramon Santos. A competição integra ainda várias curtas-metragens assinadas por jovens realizadores, entre os quais Vasco Viana, vencedor em 2024. Fora de competição, o festival presta homenagem a Carlos Augusto, recentemente falecido, com a exibição de “Som da Alma”, de Luís Moya, distinguido por duas vezes com o Prémio de Cinema Português do Fantasporto.
O foco internacional da edição recai sobre o cinema contemporâneo da Noruega, numa retrospetiva organizada em parceria com o Norwegian Film Institute. A seleção inclui “Don’t Call Me Mama”, primeira longa-metragem de Nina Knag, centrada no choque cultural após a recente vaga migratória europeia, bem como títulos premiados em festivais internacionais, como “Armand”, distinguido com a Câmara de Ouro em Cannes, “Blind”, galardoado como Melhor Filme Europeu em Berlim, e “Kitchen Stories”, vencedor do Prémio da Juventude em Cannes.
As Movie Talks regressam em 2026 com uma abordagem centrada nos desafios da carreira cinematográfica e nas transformações do setor. O programa resulta de uma colaboração com a Universidade do Porto, através do centro de investigação CETAPS, e com a Associação Luso-Britânica do Porto. Entre os temas em debate estão a adaptação literária ao cinema, a crítica cinematográfica e estudos de caso dedicados a Edgar Allan Poe e David Fincher, com destaque para “Fight Club”. As sessões decorrem no Bar do Batalha Centro de Cinema, com entrada livre.
Ao conjugar competição nacional, descoberta internacional e reflexão académica, o Fantasporto reafirma-se como plataforma de lançamento, espaço de debate e observatório da evolução do cinema contemporâneo.




