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Habitação e residências de estudantes dominam intenções de investimento para 2026

O setor residencial consolidou-se como o segmento mais atrativo para o investimento imobiliário na Europa, impulsionado por uma procura sólida e pela escassez de oferta estrutural que continua a marcar os principais mercados.

Pelo segundo ano consecutivo, o mercado de living (habitação tradicional e alojamentos especializados) mantém-se no topo das preferências dos investidores europeus. Em Portugal, esta tendência ganha expressão sobretudo no desenvolvimento de projetos de habitação para venda (build-to-sell) e no segmento de residências universitárias. Segundo os dados do European Investor Intentions Survey 2026, um estudo anual elaborado pela consultora CBRE, mais de metade dos operadores planeia concretizar investimentos nestas áreas durante este ano.

O otimismo do setor para 2026 é reforçado por uma melhoria no sentimento de mercado, com os investidores a identificarem a redução dos custos da dívida e preços de entrada atrativos como fatores decisivos. Prova deste dinamismo é o facto de 89% dos inquiridos preverem que a sua atividade de compra aumente ou se mantenha estável.

Lisboa no radar do capital estrangeiro

A capital portuguesa reafirmou a sua relevância internacional ao posicionar-se como a 8.ª cidade europeia mais atrativa para o capital estrangeiro. No que toca às expectativas de retorno total, Portugal ocupa um sólido 6.º lugar no contexto europeu, beneficiando de tendências macroeconómicas favoráveis, semelhantes às de outros mercados do Sul da Europa, como Espanha.

Para além do foco residencial, os especialistas apontam para uma aposta em estratégias de valorização de ativos (value-add), onde o investidor adquire imóveis para modernizar e aumentar o seu rendimento. Neste processo, os critérios ESG (ambientais, sociais e de governança) deixaram de ser acessórios: a adaptação de edifícios antigos às normas de sustentabilidade é hoje vista pela maioria dos investidores como uma fonte direta de criação de valor e um fator determinante na avaliação dos imóveis. Além do setor residencial e da logística, o mercado nacional deverá ainda contar com um papel de destaque do setor hoteleiro durante o ano de 2026.