Lisboa foi eleita a terceira melhor cidade do mundo para a arte urbana, segundo o ranking internacional da plataforma Street Art Cities, ficando apenas atrás de Madrid e de Atenas.
A distinção coloca a capital portuguesa no topo de um mapa global onde a street art deixou de ser expressão marginal para se afirmar como linguagem urbana estruturante.
O reconhecimento surge no âmbito dos Street Art Cities Awards 2025, promovidos pela maior comunidade digital mundial dedicada à arte urbana, e ganha particular relevância quando comparado com a posição de cidades historicamente associadas a este universo criativo. Lisboa supera metrópoles como Berlim, Londres, Nova Iorque ou Paris, afirmando-se como um território onde a arte urbana é parte integrante da experiência quotidiana da cidade.
A classificação de 2025 reflete critérios que vão além da quantidade de murais ou da notoriedade mediática. O ranking valoriza a qualidade artística, a integração no espaço público e o impacto cultural e comunitário das intervenções. Nesse contexto, um dos trabalhos em maior evidência foi o mural Calypso, da artista portuguesa Patrícia Mariano, localizado no Bairro da Bela Flor, em Campolide. Criada no âmbito da sexta edição do Festival MURO, a obra foi finalista na categoria de Melhor Mural do Mundo, alcançando o quinto lugar a nível global entre centenas de candidaturas internacionais.
Este percurso resulta de uma estratégia municipal consistente de valorização artística do espaço público, desenvolvida ao longo de vários anos e materializada, entre outros instrumentos, através da Galeria de Arte Urbana. Do centro histórico às zonas periféricas, a street art passou a integrar políticas de regeneração urbana, aproximando criação contemporânea, território e comunidades locais.
Lisboa afirma-se igualmente como destino cultural para públicos que procuram especificamente percursos de arte urbana. Roteiros informais e visitas guiadas atravessam bairros históricos e áreas de expansão recente, onde convivem nomes internacionalmente reconhecidos como Vhils e Bordalo II com novas gerações de artistas, contribuindo para uma paisagem urbana em permanente construção. Entre afirmação cultural e projeção internacional, a capital portuguesa consolida um modelo singular. A arte urbana deixou de ser um gesto episódico ou decorativo para se tornar linguagem estruturante da cidade.




