Mulheres Inspiradoras

“Acredito que as joias podem ser âncoras emocionais”

No novo atelier da SV Azores, Sofia Valério convida a olhar de forma diferente para a joalharia. Cada peça, cuidadosamente trabalhada em prata, nasce de histórias vividas e inspirada pela natureza viva dos Açores. O processo só se dá por concluído, segundo a designer, quando a joia consegue traduzir a emoção que lhe deu origem.

O que representa para si a abertura do atelier da SV Azores e que novidades traz aos clientes?

A abertura do novo atelier representa a consolidação de um sonho que nasceu de forma muito pessoal e artesanal. É um passo de maturidade da marca, mas também um compromisso reforçado com a identidade açoriana que sempre me inspirou. O novo espaço foi pensado para ser mais do que uma loja: é um lugar de experiência. Os clientes podem conhecer de perto o processo criativo, perceber as texturas, os detalhes e a história por trás de cada peça.

É um espaço que traduz exatamente aquilo que somos: natureza, identidade e design contemporâneo.

As suas joias refletem a paisagem açoriana. Qual elemento natural dos Açores nunca sai das suas coleções?

O mar é presença constante. Viver numa ilha significa viver em diálogo permanente com ele — na força, no movimento e nas texturas que molda.

As lapas, as formas orgânicas, as superfícies irregulares inspiradas na rocha vulcânica surgem naturalmente nas minhas coleções. Mesmo nas peças mais minimalistas, existe sempre uma curva ou uma imperfeição intencional que remete para a natureza viva dos Açores.

A coleção Lapa é um exemplo claro dessa ligação: nasce de um elemento real encontrado na costa açoriana e transforma-se numa peça contemporânea, mantendo a sua essência natural.

Como uma peça sua ganha vida, desde a ideia inicial até se tornar o resultado final? Qual é o processo criativo?

Tudo começa com observação. Pode ser uma caminhada junto ao mar ou um detalhe numa textura natural.

Desenho, estudo volumes e avanço para a modelação manual. Trabalho maioritariamente em prata, num processo artesanal que envolve fundição, limagem, texturização e acabamento. Gosto que cada peça preserve alguma organicidade, porque é isso que lhe confere autenticidade.

Só considero uma peça concluída quando sinto que transmite a emoção que a inspirou.

Há alguma história ou segredo que já inspirou uma criação sua?

Muitas peças nascem de histórias pessoais — minhas ou de clientes. Já criei joias que simbolizam filhos, recomeços e momentos marcantes. Mais do que objetos, acredito que as joias podem ser âncoras emocionais. Talvez esse seja o “segredo”: cada criação carrega intenção, significado e identidade.

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