Num mercado em mudança permanente, aprender deixou de ser uma etapa da vida para se tornar um processo contínuo. Empresas e trabalhadores sabem-no bem. Num contexto de alterações profundas, novas tecnologias, exigências ambientais e novos modelos de organização do trabalho, há uma certeza: quem não aprende continuamente fica para trás e a formação de qualidade assume o papel de fator invisível que transforma pessoas e empresas, mola impulsionadora da competitividade.
Mas investir só em formação já não é suficiente. O verdadeiro desafio é garantir que a formação tem qualidade, utilidade e resultados mensuráveis. Sem isso, o investimento perde impacto e a promessa de qualificação transforma-se numa oportunidade falhada.
O investimento em upskilling e reskilling é, pois, uma condição de competitividade, mas que só cria valor quando assenta num ecossistema formativo fiável, transparente e orientado para resultados. Ora, é aqui que entra a missão da DGERT: garantir padrões de qualidade que reforcem a confiança de trabalhadores, empregadores e financiadores e que tornem a formação um verdadeiro motor de produtividade e de progresso.
No cumprimento dessa missão, em 2026, daremos passos decisivos na modernização do Sistema Nacional de Qualificações, reforçando o modelo de garantia da qualidade e a certificação de entidades formadoras. O objetivo é claro: simplificar onde é possível, exigir onde é necessário, focando-nos no que realmente importa — a qualidade pedagógica, a relevância das ofertas, a competência dos formadores e os resultados de aprendizagem obtidos pelos formandos. Paralelamente, continuaremos a alinhar o nosso referencial com as melhores práticas europeias de qualidade, promovendo monitorização regular, melhoria contínua e maior transparência.
Este caminho responde a desafios bem concretos que as empresas sentem todos os dias:
Agilidade com rigor: reduzir burocracia desnecessária e concentrar evidências no que prova eficácia;
Escala com inclusão: acomodar a diversidade do tecido empresarial, das grandes organizações às micro e PME, e diferentes setores de atividade;
Digitalização com interoperabilidade: integrar processos e dados para que a qualificação seja mais legível, comparável e útil na gestão de talento.
Para os decisores, a mensagem é simples: qualidade certificada significa menor risco, maior retorno e talento mais preparado para responder às transições digital e verde e aos ciclos de inovação cada vez mais curtos.
Para as entidades formadoras, reafirmamos o compromisso de uma regulação exigente, previsível e cooperante, com foco em resultados e auditorias proporcionais ao risco, incentivando a inovação pedagógica e a atualização contínua dos profissionais de formação.
A valorização do capital humano é uma prioridade nacional e uma responsabilidade partilhada. A DGERT estará ao lado das organizações que investem na qualificação das suas pessoas, assegurando que cada hora de formação conta e se traduz em competência aplicável no trabalho.
Por Fernando Catarino José, Subdiretor-Geral da DGERT




