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Metade das empresas prevê maturidade tecnológica até 2026, mas só 11% já lá chegou

A ambição digital continua a crescer nas empresas, mas a execução ainda revela fragilidades estruturais. A expansão da Inteligência Artificial está a acelerar a transformação das operações empresariais, ao mesmo tempo que levanta novos desafios na medição do retorno e na gestão da complexidade tecnológica.

A promessa de maturidade tecnológica atravessa hoje grande parte do discurso empresarial, mas os dados mostram que a distância entre intenção e realidade continua significativa. Um estudo internacional indica que metade das empresas acredita atingir níveis máximos de maturidade tecnológica até ao final de 2026, embora apenas 11% considere já estar nesse patamar. As conclusões constam do Global Tech Report 2026: Liderança na era de AI, relatório da KPMG que analisa anualmente decisões estratégicas, financiamento e modelos de governação tecnológica em 27 países. O estudo revela um cenário de forte aceleração do investimento em tecnologia e Inteligência Artificial, acompanhado, contudo, de dificuldades estruturais que continuam a condicionar a transformação desses investimentos em resultados consistentes.

Segundo os dados recolhidos, mais de metade das empresas reconhece não dispor ainda do capital humano necessário para concretizar os seus objetivos de transformação tecnológica. Em paralelo, 63% admite que o custo de corrigir a chamada dívida técnica acumulada nos sistemas existentes está a limitar novos investimentos, revelando como decisões tecnológicas do passado continuam a condicionar a capacidade de inovação no presente. A evolução da Inteligência Artificial ocupa um lugar central na análise. O estudo indica que 88% das empresas já investe na integração de agentes de IA capazes de executar tarefas de forma autónoma dentro dos sistemas empresariais, sinalizando a transição para uma nova fase da transformação digital, em que a IA começa a assumir funções comparáveis a uma força de trabalho digital.

Apesar desta expansão, a medição do retorno permanece um desafio. Embora 74% das empresas considere que a Inteligência Artificial já cria valor para o negócio, apenas 24% consegue demonstrar retorno consistente do investimento em múltiplos casos de uso.

Embora o estudo não apresente dados específicos para Portugal, as conclusões refletem desafios particularmente relevantes para o tecido empresarial nacional, marcado por limitações de escala, pressão sobre custos e escassez de talento especializado em várias áreas tecnológicas.