Gosta de se considerar uma mulher consciente e grata pelo impacto que tem na vida das pessoas que acompanha. Para Milla Ndeve, a forma como nos apresentamos é, muitas vezes, a primeira mensagem que transmitimos. Nesta entrevista, revela como o estilo, a postura e a imagem podem ajudar homens e mulheres a descobrir a sua melhor versão.
Tendo iniciado a sua formação em Gestão de Empresas, o que a levou a direcionar a sua carreira para a consultoria de imagem e personal stylist?
A Consultoria de Imagem e Estilo nasce de um momento de consciência e maturidade, em que senti a necessidade de criar algo que refletisse plenamente quem sou hoje, como pessoa e como mulher. Pela primeira vez no meu percurso empreendedor, dei o meu nome a uma marca, porque estilo, para mim, é identidade assumida e responsabilidade autoral. Embora tenha iniciado a minha formação em Gestão de Empresas, foi o percurso nas áreas da comunicação, marketing, cultura e artes que me conduziu naturalmente à consultoria de imagem. Compreendi que imagem é estratégia e que estilo é posicionamento. Hoje, uno visão estratégica e sensibilidade estética para trabalhar a identidade como expressão consciente e diferenciadora.
Existe o estigma de que o estilo é uma preocupação exclusivamente feminina. Como ajuda homens a descobrir a sua identidade?
O estilo nunca foi exclusivo do universo feminino — pertence à esfera da identidade. Os homens também reconhecem o impacto da sua presença, sobretudo em contextos profissionais exigentes, ainda que se expressem de forma distinta. O meu papel é ajudá-los a estruturar essa presença com clareza e elegância, traduzindo identidade em linguagem visual coerente. Quando compreendem que imagem é comunicação, passam a afirmar confiança, liderança e propósito.

Por outro lado, a consultoria de imagem costuma ser associada à aparência. No seu trabalho, o que pesa mais: o que se vê ou como cada um se sente?
Reduzir a consultoria de imagem à aparência é ignorar o seu verdadeiro alcance. O que pesa não é apenas o que se vê, mas o alinhamento entre o que se sente e o que se projeta. A roupa é um instrumento; a mensagem é identidade. A forma como nos vestimos, nos posicionamos e nos comportamos comunica continuamente. Quando há consciência, a imagem deixa de ser superficial e transforma-se numa assinatura pessoal, autêntica e estratégica.
Se o seu lema diz que o estilo é sobre ser lembrado e não apenas visto, onde começa, afinal, a verdadeira transformação no seu trabalho?
Se afirmo que o estilo é sobre ser lembrado e não apenas visto, é porque a transformação começa na decisão de comunicar com intenção. Vestir com confiança é um ato de empoderamento. Quando identidade, imagem e postura estão alinhadas, cria-se presença e presença é o que permanece. O estilo deixa então de ser estética e torna-se marca pessoal.




