Num momento em que o setor imobiliário procura respostas para uma crise de oferta sem precedentes, novas abordagens à construção começam a ganhar relevância. A Wander Housing, fundada por Bruna Raquel, surge neste contexto com a ambição de transformar o conceito de habitação através de um modelo industrializado, flexível e orientado para as novas formas de viver.
A ideia da Wander Housing não nasceu apenas de uma leitura estratégica do mercado imobiliário, mas também de uma experiência profundamente pessoal da sua fundadora e gestora de projetos, Bruna Raquel. Ao observar as mudanças sociais e profissionais que marcam a vida contemporânea, da mobilidade profissional às novas estruturas familiares, foi identificando uma tensão cada vez mais evidente entre dois desejos aparentemente opostos: liberdade de movimento e necessidade de pertença. “A mobilidade profissional, a evolução dos modelos familiares e a procura crescente por estilos de vida mais flexíveis revelam uma tensão entre dois desejos aparentemente opostos: liberdade de movimento e necessidade de pertença”.
Mas foi num momento particularmente transformador da sua vida que a visão começou a ganhar forma. “Curiosamente, a empresa começou a tomar forma numa das fases mais vulneráveis que já vivi: o pós-parto”. Recorda que foi “um período de grande transformação pessoal”, que a fez refletir “profundamente sobre o significado de casa, segurança e pertença”. Foi nesse momento que percebeu que aquilo que procurava para si poderia também responder a uma necessidade mais ampla da sociedade.

A partir desta reflexão, a Wander Housing começou a estruturar-se como um projeto empresarial com o objetivo de repensar a habitação de forma mais humana, adaptável e alinhada com a realidade contemporânea.
Industrialização e eficiência na construção
No centro da proposta da empresa está uma abordagem que procura romper com os métodos tradicionais de construção. Mais do que um exercício estético ou arquitetónico, trata-se de repensar todo o processo produtivo associado à habitação através de sistemas modulares e pré-fabricados que permitem uma lógica industrializada.
Esta metodologia introduz maior previsibilidade no processo construtivo e permite melhorar o controlo de qualidade, uma vez que grande parte da produção ocorre em ambientes de fábrica. Ao reduzir a dependência de processos complexos em obra, diminui-se também o risco de atrasos e de variações inesperadas nos custos, dois fatores que historicamente têm marcado o setor da construção. “A industrialização introduz um nível de planeamento e precisão difícil de alcançar na construção tradicional, traduzindo-se em prazos mais curtos e maior previsibilidade de custos”.
Além disso, a padronização dos sistemas permite otimizar continuamente os processos produtivos, tornando cada novo projeto mais eficiente do que o anterior. Este modelo abre igualmente novas possibilidades para aumentar a capacidade de resposta do setor habitacional, sobretudo num contexto em que a escassez de oferta continua a pressionar o mercado português.
Ao mesmo tempo, a industrialização permite uma melhor articulação entre arquitetura, engenharia e produção, reduzindo a fragmentação que tradicionalmente caracteriza o setor da construção. O resultado é um processo mais integrado, capaz de combinar rapidez de execução com elevados padrões de qualidade.

Sustentabilidade e habitação adaptável
Outro dos pilares centrais da Wander Housing é a sustentabilidade, encarada como um princípio estruturante do projeto e não apenas como um elemento complementar. A preocupação ambiental começa na seleção de materiais e prolonga-se ao longo de todo o ciclo de vida das habitações, desde a fase de conceção até à utilização.
O modelo industrializado permite um controlo mais rigoroso sobre o uso de recursos, reduzindo desperdícios e melhorando a gestão de resíduos. Paralelamente, as casas são concebidas para alcançar elevados níveis de eficiência energética, podendo integrar soluções renováveis e sistemas que promovem maior autonomia energética.
Contudo, a sustentabilidade do projeto não se limita à eficiência ambiental. A adaptabilidade das habitações é igualmente uma componente essencial da estratégia da empresa. Através de sistemas modulares e configuráveis, as casas podem ser ajustadas às necessidades dos seus habitantes, seja através de ampliações, reconfigurações ou mudanças de contexto. “A chave está em pensar a habitação como um sistema adaptável, e não como um objeto fixo”.

Esta abordagem permite que a habitação acompanhe as transformações da vida das pessoas, desde mudanças familiares até alterações profissionais ou geográficas. Ao prolongar o ciclo de durabilidade das estruturas e evitar intervenções construtivas desnecessárias, este modelo contribui também para reduzir o impacto ambiental associado à construção.
Para a fundadora, a ambição passa por contribuir para uma transformação mais profunda na forma como se pensa e se produz habitação, promovendo soluções que conciliem eficiência, sustentabilidade e qualidade de vida.
A médio prazo, a empresa pretende expandir a aplicação destes princípios a projetos de maior escala, incluindo construção em altura, ampliando a presença da construção industrializada no tecido urbano e na forma como as cidades respondem às necessidades habitacionais do futuro. “Se conseguirmos demonstrar que é possível construir melhor, mais rápido e com maior responsabilidade ambiental, acreditamos que estaremos a contribuir para uma mudança positiva no setor”.




