Turismo

A magia da montanha

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Em direção a Santiago pelo caminho português do interior, depois de passar Viseu, cruzamos Castro Daire. É uma vila humilde que quase caberia na palma de uma mão, tal como outras pequenas vilas do interior. A região é um excelente ponto de partida para explorar as redondezas onde se escondem os verdadeiros encantos. As aldeias quase abandonadas são um retrato tão belo quanto inquietante. Apesar das histórias e das tradições que ali prevalecem existe um silêncio que é abafado pela natureza e por algumas pessoas que vão resistindo ao completo abandono das suas terras. Para além disso, há boa comida e boa cama, tudo com Montemuro por perto.

O troço no Município de Castro Daire tem uma extensão de cerca de 40 quilómetros. Inicia-se junto à ribeira de Cabrum atravessando zonas florestais, agrícolas e rurais, destacando-se a riqueza do património cultural e religioso ao longo de todo o caminho. Destaca-se o património natural, até porque grande parte da região está integrada na rede Natura 2000, e só por essa razão se pode perceber que existe uma cenário extraordinário. A paisagem do Mezio, que integra o Caminho de Santiago, é tipicamente serrana, as ruas são estreitas e muitas das casas ainda mantêm a traça original. Mas não é apenas por estas particularidades que se sugere a continuidade da caminhada ou de um passeio a pé pela aldeia. Caminhar por lá irá ajudar à digestão de uma bela dose de arroz de feijão com salpicão cozido, uma das especialidades gastronómicas da região.

Castro Daire abraça aldeias perdidas no tempo e numa ruralidade autêntica junto à serra de Montemuro, ainda pouco explorada. Uma das imperdíveis é a de Campo Benfeito, na freguesia de Gosende. As casas tradicionais de granito, enquadradas pela paisagem feita de serra e de campos de cultivo desenham um retrato campestre completamente esquecido. Nesta aldeia mora a companhia de Teatro Do Montemuro, que começou a dar os primeiros passos há mais de duas décadas e desde então tem vindo a afirmar-se, atraindo a Campo Benfeito muitos visitantes mas também atores, cenógrafos, dramaturgos e encenadores. Em agosto, a companhia organiza o Festival Altitudes, que já vai sendo bem conhecido do grande público.

Também surpreendente é a aldeia de Levadas, completamente abandonada, onde sobram apenas as casas de xisto e de granito. Esta é a imagem literal de uma aldeia fantasma. Para conhecer um pouco mais deste retrato o caminhante pode visitar o Museu Municipal de Castro Daire e o Centro de Interpretação e Informação do Montemuro e Paiva onde poderá descobrir mais sobre a história e os vestígios primitivos da região.

Para completar um panorama marcado pela natureza, as Poldras no Rio Paiva, em tempos utilizadas como travessia do rio são hoje um elemento da história de Castro Daire. É precisamente o Rio Paiva que criou de forma natural, uma das praias fluviais mais procuradas do distrito de Viseu. A Folgosa, está envolvida pelo verde da serra, como um ninho escondido num pequeno vale encantado. E por isso mesmo, não falta sombra nem o chilrear dos pássaros. A associação ambiental concedeu-lhe no ano de 2018 o estatuto de “praia com qualidade de ouro”, pela qualidade das águas límpidas desta praia. Razão desta distinção é porque o Rio Paiva é um dos rios menos poluídos da Europa, segundo avaliações da Quercus, e a praia fluvial da Folgosa está ainda pouco intervencionada por ação humana e essa é uma das causas porque é tão apetecível a quem a conhece.

Todo o caminho até a fronteira com Lamego é demarcado pela diferença. A serra de Montemuro e os seus encantos são o expoente máximo, os registos religiosos são vários, mas é o património natural e a ruralidade da região que torna Castro Daire único. Para além disso, os caminhantes de Santiago podem encontrar aqui uma população hospitaleira de portas abertas para receber quem por ali passa.

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