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Tarouca: Redescobrir o Vale do Varosa e as origens de Portugal

Torre de Ucanha, em Tarouca, fica na margem direita do rio Varosa e é ponto de paragem do Caminho de Santiago
Torre de Ucanha, em Tarouca, fica na margem direita do rio Varosa

O Vale do Varosa não é só a rede de monumentos, vale também pela paisagem cultural, natural e gastronómica. Em Tarouca há uma ligação estreita com um passado monástico, desde que no século XII se instalou o primeiro mosteiro da Ordem de Cister em solo nacional, em São João de Tarouca. O caminho de Santiago que atravessa o Município é uma forma de se redescobrir Tarouca, como nos contou José Damião, vice-presidente do atual executivo.

Quais os projetos mais relevantes realizados nos últimos anos, referentes aos Caminhos de Santiago em Tarouca?

Os Caminhos de Santiago são hoje uma referência internacional, e o Caminho de Torres, que atravessa o Concelho de Tarouca é hoje uma novidade para os amantes destes percursos.

Era de conhecimento geral a existência deste caminho, mas nunca tinha sido sinalizado, assim, numa estratégia conjunta entre os vários municípios, avançou-se com uma candidatura através das Comunidades InterMunicipais, e hoje é possível percorrer este novo trilho, que já se encontra com marcação adequada e com painéis informativos.

Qual a dificuldade do caminho e quais os principais pontos de passagem?

Tentou-se garantir a passagem no caminho original, no entanto existem terrenos que foram adquiridos, e são de propriedade privada, por isso em alguns locais existiu a necessidade de encontrar alternativas que não desvirtuassem este Caminho de Torres.

No Concelho de Tarouca o caminho inicia a sudeste do concelho, em Granja Nova, passando pela icónica Ponte Fortificada de Ucanha, seguindo até Gouviães e Eira Queimada, para depois entrar no Concelho de Lamego.

Tarouca é um admirável ‘reservatório’ de história e Património. Conseguem cruzar o caminho de Santiago com outros pontos de interesse turístico?

Sem dúvida que por terras de Tarouca poderemos observar e vivenciar séculos de história.

Aqueles que percorrerem o Caminho de Torres podem assim fazer também a sua viagem no tempo e visitar os dois Mosteiros da Ordem de Cister em São João de Tarouca e Salzedas, a Ponte Fortificada em Ucanha, a Casa do Paço em Dalvares, a Igreja de São Pedro em Tarouca, bem como as várias Pontes Romanas que unem as margens do Rio Varosa. Simultaneamente podem deslumbrar-se com a natureza e a paisagem que envolve este território.

O Caminho de Santiago pode ser um passo importante para a promoção dos tesouros Tarouquenses no que diz respeito ao Turismo de Natureza, Religioso e Cultural?

Somos um concelho pequeno, no interior de Portugal, e por mais esforços que envidemos na promoção territorial nunca conseguiremos ter a visibilidade que outros territórios do litoral ou que grandes cidades têm, e neste sentido este novo Caminho de Torres será, sem dúvida, um passo importante para dar maior visibilidade ao nosso território, estando convictos de que será também uma novidade para os Caminheiros de Santiago, na certeza de que todos os que ousarem aventurar-se ao longo deste percurso não ficarão indiferentes à passagem por Tarouca.

Mosteiro de Salzedas, Tarouca

O Caminho das Torres tem como símbolo a Ponte Fortificada de Ucanha. Esta referência a Tarouca acarreta maiores responsabilidades em desenvolver e promover o Caminho de Santiago?

É importante a referência a esta Ponte Fortificada, onde a torre tem uma presença imponente sobre o Vale do Varosa, mas isso não pode determinar mais responsabilidades no desenvolvimento e promoção deste novo caminho, sendo que este tipo de investimentos só terá o impacto desejado se todos os municípios, em conjunto, fizerem um esforço uníssono na sua promoção e divulgação.

Que outros projetos de promoção e sensibilização dos Caminhos de Santiago pretendem concretizar?

Estamos numa fase inicial de um projeto com dimensão internacional.

Como antes afirmamos, a promoção terá de ser em bloco.  Este é um caminho único e não tem qualquer interesse promover o caminho em Tarouca se não existir uma estratégia de promoção internacional, onde todos terão a responsabilidade de participar.

Localmente teremos necessidade de iniciar um processo de capacitação dos tarouquenses para que tenham atenção na manutenção dos caminhos, mas principalmente para que mantenham umas das suas principais caraterísticas, receber com afeto e com deferência.

Mosteiro de São João de Tarouca

Sobre este autor

Ana Sofia

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