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Este é o ‘Plano A’ no mundo das janelas

O que une uma empresária da área dos seguros ao setor da decoração e equipamentos para as janelas? O ADN empreendedor de Cristina Pestana. A criadora, gerente e única sócia da Plano A – Calhas, Varões e Cortinados arriscou ao criar a empresa quando estava desempregada e hoje conseguiu duplicar a faturação, mesmo em tempo de pandemia.

Para falarmos da Plano A é inevitável apresentarmos Cristina Pestana. A profissional de seguros de uma holding portuguesa viu-se a braços com o desemprego aos 55 anos, fruto de uma reestruturação da empresa. Ao invés de se resignar, especialmente numa idade pouco simpática para o reingresso no mercado de trabalho, decidiu arriscar no seu “Plano A para combater o desemprego” e apostou em algo que sempre gostou.

“Comecei a minha vida profissional no início dos anos 80, ainda estudante universitária, numa empresa de prestação de trabalho temporário em organização de eventos”, confidenciou à IN. “Já nessa altura estava, de certa forma, ligada à decoração de interiores, porque fazia eventos de moda, casamentos, bodas, receções, exposições, estive no Palácio da Bolsa, na Associação Comercial do Porto, no Clube Portuense”, enumerou, resumindo os seis anos de trabalho em organização de eventos.

O gosto ficou e quando o marido entrou na fábrica Carvalho, Ribeiro & Neves, Lda., de Leça do Balio (Matosinhos), “que faz calhas e artigos para cortinados”, surgiu a oportunidade de haver um gabinete que cobrisse essa área para clientes particulares. “A fábrica estava a canalizá-los para lojas clientes. Juntou-se o útil ao agradável”, sintetizou, ainda que não fosse um processo fácil nem rápido.

Aliás, Cristina tinha 53 anos quando surgiu a ideia e aos 56 é que criou a Plano A – Calhas, Varões e Cortinados. “A ideia foi sempre formar uma loja online, porque havia já no mercado lojas online com estes artigos, mas não com esta especificidade de corte à medida”, disse a fundadora, gerente e única sócia da empresa.

Entre a atividade na seguradora e na Plano A esteve um ano parada “a maturar a ideia e a fazer pesquisas”. “Comprei revistas, livros, vi coisas na internet, tirei ideias. A aprendizagem quase que é feita diariamente. Vou a feiras, a exposições e vou estudando”, lembrou.

A loja online abre portas em 2017, comercializando calhas, varões, cortinados, estores interiores, estores exteriores e complementos de decoração. Tudo o que é preciso para as janelas de casa, do escritório ou de um estabelecimento comercial.

Os produtos – com o melhor preço e qualidade, sendo feitos, na sua quase maioria, em Portugal (não há fabricantes de telas para os estores de rolo no nosso país) – permitem toda e qualquer personalização, bem ao gosto e desejo do cliente. O facto de terem ligação direta à fábrica Carvalho, Ribeiro & Neves, Lda. e à sua griffe de acessórios para cortinados chamada Carone é uma mais-valia em relação à concorrência e às lojas onde as medidas são standard. Também é possível utilizar o mesmo tecido das cortinas para personalizar almofadas, sofás, cadeiras, cadeirões ou mobiliário.

Em caso de dúvida na decoração, a Plano A tem um serviço de consultoria gratuito, que inclui levantamento de medidas, aconselhamento, visita ao domicílio com amostras dos produtos, entrega e colocação. Assim, quem estiver à procura de equipamentos ou acessórios para colocar nas janelas, basta fazer uma pesquisa no motor de busca Google por, por exemplo, «compra de calhas» ou «cortinados» e surge em primeiro plano esta empresa, com sede em Rio Tinto (Gondomar), mas sem loja física.

As encomendas são entregues em casa/outro destino e em segurança. No Grande Porto (Porto, Matosinhos, Mais, Gondomar, Valongo e Vila Nova de Gaia) os portes são grátis, uma vez que é Cristina quem as entrega. No resto do país são 7,50 euros, sendo a entrega feita por distribuidores. A montagem é possível a partir dos 10 euros, apesar de todos os mecanismos terem um kit de montagem.

“Os clientes são angariados por mim e uma parte encaminhada pela fábrica. Quanto aos decoradores, tenho um protocolo com um atelier de confeção perto de mim que fazem cortinas e colocam as calhas”, explicou a ‘one woman show’. “Trabalho em outsourcing. Em termos de mecanismos é tudo comprado aos fabricantes. Em termos de tecidos estou mais com os distribuidores. Nas vendas e visitas a casa dos clientes no Grande Porto sou eu que vou tirar medidas. Com os clientes da zona sul e Algarve tenho um mini catálogo de amostras de tecido e envio a amostra pelo correio ou com mais duas alternativas do género”, continuou, ela que costuma dizer, em jeito de brincadeira, que “tenho uma administrativa, uma vendedora, uma financeira e uma gerente. O que têm em comum? O nome”.

Cristina Pestana gosta de acompanhar tendências e privilegia o seu gosto pessoal “light and clean”, ainda que esse seja igualmente o gosto dos seus clientes: casais jovens entre os 30 e 45 anos. “Linhas direitas, cores suaves, neutras, tecidos clean para depois se conjugar com algum objeto mais ofuscante. Estou num preço médio-alto, porque a qualidade é bastante. Privilegio a qualidade à quantidade e a minha gama de clientes é nessa linha. É preferível ter um cortinado bom que dure 20 anos do que um mais fraco e ter de se mudar depois”, considerou.

Não gosta de destacar os projetos que mais gostou de fazer, porque “são todos bons e um desafio”. Desde uma guesthouse no Porto que nasceu numa casa muito antiga e com o pé muito alto; passando pelos bairros/ilhas em Matosinhos transformados em casas para surfistas com janelas e claraboias muito pequenas; sem esquecer escritórios, lojas e até uma escola de música na avenida Fernão Magalhães, na Invicta.

A gerente gosta de dizer que a Plano A atua num raio geográfico equivalente à EN2, mas o foco está em três áreas: norte, Lisboa e Algarve. Isso foi ainda mais visível depois da quarentena. Com as compras online a disparar, sendo a casa uma prioridade em época COVID-19, Cristina Pestana não parou desde que retomou as visitas a 13 de abril. Ainda não tinha sido decretada a pandemia e já a empresária usava equipamento de proteção individual e desinfetantes. A segurança foi e é palavra de ordem e os resultados são palpáveis: “a minha faturação aumentou entre 50 e 70% em relação ao mesmo período de 2019. E continua”.

E, tal como devemos seguir a dica que nos deu em relação à decoração e ao estilo japonês serem a próxima grande tendência nas casas, também devemos seguir o seu conselho caso quisermos apostar num negócio próprio ou estejamos no desemprego. “Não se deixar deslumbrar pelo fácil; ter uma grande dose de organização e ter muita contenção de gastos”, aconselhou a empresária, de 58 anos. E, claro, ter sempre um Plano A.