Arquitetura e Design Empreendedorismo

Antiguidade e tecnologia de mãos dadas

vidraceiros

A empresa J.F. Vidraceiros junta o melhor da experiência de José Fernandes, com 44 anos no setor do vidro, à aposta nos equipamentos de última geração. Próximo passo é a aquisição de um robot para montar o vidro.

Poder-se-ia pensar que uma vidraria em nome próprio do seu sócio-gerente, nascida em 2001 em Fátima, seria o mais tradicional possível. Mas esse pensamento só faria sentido em alguém que não conheça o setor nem a J.F. Vidraceiros. “Nós, no vidro, tivemos um investimento muito grande nos últimos 20 anos. Tento modernizar-me, mas não é fácil”, explicou José Fernandes. “Se fosse uma serralharia, investia 50/60 mil euros para a pôr a funcionar. No vidro gastamos 2 milhões de euros à vontade”, comparou.
A empresa é, sem dúvida, um sucesso em nome individual. “Estou há 19 anos sozinho. Tudo o que ganhei está aqui dentro. Tenho um milhão de euros investidos aqui”, disse à IN, durante a entrevista nas instalações alugadas da J.F. Vidraceiros.

A vidraria comercializa e instala vidros temperados, vidros especiais, espelhos e divisórias para chuveiros, quer seja em residências, quer seja em espaços comerciais em qualquer ponto do país. No início faziam apenas montagens, depois passaram à aplicação, fruto das necessidades do mercado e da evolução da carteira de clientes. “A firma nasceu a 2 de março de 2001 comigo sozinho, mas eu nasci dentro do setor. Tenho 44 anos no setor do vidro”, recordou.

A equipa foi difícil de formar, pois “leva um ano a formar um operário e temos de ser nós empresários a fazê-lo, já que ninguém nos ajuda”, mas é composta por 17 funcionários, dos mais novos até aos mais experientes. Eles fazem a manutenção dos vidros e controlam o serviço de CNC [controlo numérico computorizado], essencial para produzir todas as peças. “Este ano vou ver se compro um robot de montagens. É uma mais-valia no transporte de pesos, como as montras grandes”, anunciou José Fernandes.
Só para se ter uma ideia de quanto pesa o vidro e de quanta densidade tem, “o normal é de 2,5 de densidade por metro quadrado. No betão é 2,6 de densidade por metro quadrado. Portanto, um metro quadrado de vidro tem 20 quilos”. Por isso é que é essencial este investimento em equipamentos tecnológicos.

O robot virá de Itália ou dos Países Baixos. “Temos de tirar rentabilidade. Já há cá um em Portugal, já não sou o primeiro”, admitiu, passando a explicar. “É necessário um investimento anual, porque a maquinaria ultrapassa-se rapidamente. O vidro evoluiu muito e está sempre a alterar”.

Além disso, é muito mais seguro fazer este trabalho de vidraceiro com a maquinaria adequada. “Raramente se corta no vidro como antigamente. É mais fácil os mais velhos se cortarem, porque facilitamos. Tenho mais de 150 pontos pelo corpo todo”, contou, convicto do futuro a curto prazo: um robot para fazer as montagens, por causa do peso do vidro, e aliviar a carga à equipa. Mas não o volume de projetos cumpridos com agilidade, rapidez, qualidade e economia.

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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