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De Vila Pouca de Aguiar até ao centro de nós

Seta nas pedras de caminho com burros do Caminho Interior de Santiago de Compostela em Vila Pouca de Aguiar
Seta amarela a assinalar o Caminho de Santiago nas pedras de Vila Pouca de Aguiar
A serra revelava-se não só mais abrigada do sol e do vento do Norte, como é rica nas suas gentes e no património natural. Em Vila Pouca de Aguiar, o caminho percorre o extenso Vale de Aguiar, numa jornada suave e agradável, junto aos rios Corgo e Avelames.

Vila Pouca – é assim que por ali é conhecida a ‘capital’ do Vale de Aguiar, onde nasce o rio Corgo, que desce depois para o Douro. Por ali passa o Caminho do Interior, rumo à Catedral de Santiago. Ouvem-se os pássaros, os grilos, o vento, o silêncio de uma paisagem verdejante. Ao longo deste trajeto há tempo e há silêncio para se caminhar de encontro consigo mesmo.

O caminho está sinalizado e requalificado. Aliás, este é um ponto uniforme ao longo dos vários Caminhos de Santiago, mas para se chegar a esta fase foi imprescindível a colaboração do Município de Vila Pouca de Aguiar e de Ana Rita Dias, vice-presidente do atual executivo e presidente da Federação Portuguesa do Caminho de Santiago. Aliás, em Vila Pouca de Aguiar este troço do caminho é trabalhado desde 2005, quem o refere é Ana Rita Dias. Mas o trabalho é uma constante, o primeiro passo foi fazer toda a pesquisa para recuperar parte da história deste caminho há muito esquecido, e que agora é devolvido às populações.

Castelo de Aguiar

O trajeto inicia-se em Vilarinho da Samardã e vai até Sabroso, sendo em parte percorrido pela ecopista do Corgo. Para além do centro histórico da vila, o caminho cruza algum do património jacobeu do Município. “Cruza-se com a Capela de São Gonçalo, em Zimão. Também em Soutelo de Aguiar passa pela Igreja Matriz, que é dedicada e tem uma imagem de Santiago, e depois em Pedras Salgadas, pela Capela de São Geraldo, que foi mandada construir por um peregrino de Santiago. Ainda antes disso, em Vila Meã existe uma capela também alusiva a Santiago”, explicou Ana Rita Dias.

Mas pese-se a principal riqueza deste caminho: conhecer parte da diversidade de paisagens e das localidades que o trajeto atravessa, descobrir o que se pode visitar pelo caminho e comer muito e bem, e ser recebido ainda melhor, pela simpatia destas gentes.

Para pernoitar, os caminhantes podem optar pelo Albergue de Santiago, em Parada Aguiar, um local acolhedor que conta com uma Alberguista que recebe os caminhantes de coração cheio. Mas há ainda um projeto para “criar um outro albergue, em Sabroso, que será mais dedicado a quem vem de bicicleta”, sublinhou Ana Rita Dias.

No entanto, o futuro passa pela promoção, como destacou a vice-presidente. “Estamos a preparar a participação em grandes feiras para a divulgação do Caminho Interior e temos outras ações de capacitação, mas é importante sublinhar que temos de trabalhar todos para o mesmo, e que um caminho pode promover outros caminhos”.

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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