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Associação de Criadores do Maronês: Carne Maronesa, uma das melhores do mundo

Associação de Criadores do Maronês

A ACM – Associação de Criadores do Maronês fundada a 30 de setembro de 1988 por um grupo de 14 criadores da região, que sentiram a necessidade de se unirem para defenderem este património ímpar. A Associação tem a seu cargo a preservação e o melhoramento da raça Maronesa.

Atualmente, a ACM, que representa praticamente a totalidade dos criadores, assume um papel fundamental naprestação de vários serviços: Gestão do Livro Genealógico da raça; Gestão do uso da Denominação de Origem Protegida “Carne Maronesa”; Identificação dos animais da raça Maronesa (aplicação de marcas auriculares e identificação eletrónica); SNIRA – Sistema Nacional de Identificação e Registo Animal (posto de atendimento e posto informático); Elaboração de candidaturas aos criadores PU (Pedido único) e atualização de parcelário agrícola; CASBACM – Centro de Armazenagem de Sémen da espécie bovina de acesso público; Inseminação artificial com sémen de touros testados; Aconselhamento agrícola; Organização e apoio de concursos pecuários e exposições pecuárias; e prestação de serviços no transporte de animais vivos para o Agrupamento de Produtores.

A Raça Maronesa

A raça Maronesa é uma raça de montanha autóctone portuguesa, onde mantém os principais caracteres do tipo ancestral, o Auroque Ibérico. O seu nome oficial responde à toponímia da região mais conhecida, a serra do Marão.

Padrão da raça

Os bovinos maroneses são animais de corpulência média e bem proporcionados de tipo constitucional robusto e digestivo. A forma corporal é retangular nas fêmeas e nos machos jovens. Os machos adultos, apresentam o terço anterior mais desenvolvido do que o posterior. A marrafa é abundante, de pelos curtos, lisos e de cor avermelhada.

O focinho é largo de cor preta e orlado de branco. A cor é castanha a preta com listão dorso-lombar avermelhado.

Sistemas de Exploração

A raça Maronesa é produzida em sistemas de produção semiextensivos, pastagem natural sobretudo em pastagens de montanha. O regime alimentar, também, de forma mista, com domínio do pastoreio no caso dos animais adultos, e à estabulação permanente, com o consequente regime alimentar à manjedoura, para os animais jovens.

O espaço físico de pastoreio é bio diverso, ocorrendo tanto em lameiros como em montes baldios, sendo este último, também, de potencialidades forrageiras diversificadas, uma vez que dispõe de pastagens predominantemente naturais.

A alimentação à manjedoura é feita com fenos, palhas e forragens cultivadas, tais como: ferrãs de centeio, nabal, milho verde e mesmo as folhagens das árvores (freixo, olmo e carvalho), entrando o feno de uma forma regular na dieta e os demais alimentos em períodos específicos. Os grãos de centeio e milho são uma fonte de suplemento nos períodos fisiológicos mais exigentes (a lactação nas fêmeas e o acabamento nos machos) ou em períodos de escassez de pastagens.

Os vitelos, desde o nascimento até próximo dos três meses de idade, alimentam-se exclusivamente de leite materno, num regime de mamadas gradualmente decrescente e sempre feitas no estábulo ou “loja”. A partir deste período, o vitelo começa a ingerir alimentos sólidos, para além das duas mamadas diárias, consome feno, farinha de milho, simples ou misturada com batatas partidas e alguma erva. A venda é por volta dos sete/nove meses de idade, sendo normalmente nessa altura que o vitelo é desmamado dando origem à carne Maronesa DOP.

Área geográfica

O solar da raça Maronesa engloba duas regiões naturais a do Alvão – Marão e Padrela – Falperra, no interior Norte de Portugal. A área geográfica da exploração da raça encontra-se distribuída por vários concelhos, atualmente cerca de 23, onde 70 por cento das explorações predominam no solar, isto é, nos concelhos de Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Vila Real, e Mondim de Basto. A zona de criação estende-se por parte dos concelhos de Alijó, Amarante, Boticas, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Chaves, Fafe, Figueira de Castelo de Rodrigo, Marco de Canaveses, Mirandela, Montalegre, Murça, Sabrosa, Valpaços e Vila Flor.

Nos últimos anos, tem-se verificado uma procura para a criação desta raça fora do seu solar onde se destaca a região do Alentejo.

Aptidão

Até à mecanização agrícola, o Maronês teve na aptidão trabalho e transporte a causa primeira da sua elevada valorização económica. Atualmente, a raça distingue-se na produção de carne, principalmente na carne de vitela, aptidão pela qual passou ser conhecida pelos consumidores mais exigentes.

Efetivo

No livro genealógico atualmente o efetivo adulto consta de 3.700 fêmeas reprodutoras em linha pura, 150 machos reprodutores, distribuídos por 900 criadores em 1.020 explorações.

As ações de melhoramento são conduzidas pela Associação de Criadores do Maronês, entidade gestora do Livro Genealógico da Raça, cumprindo as normas dos Programas de Conservação e Melhoramento Genético Animal, bem como o regulamento do Livro Genealógico e regulamento (UE) 2016/1012, visando a melhoria sistemática das características, que na atualidade têm maior valor económico.

Carne Maronesa DOP

A Maronesa é uma raça com grande capacidade de produção de carne com denominação de origem protegida – DOP – desde 26/1/1994 e, portanto, de alto valor comercial, com a designação de Carne Maronesa DOP. É um produto, com características sensoriais, nutritivas e hígio-sanitárias de elevada qualidade, resultante da união de um genótipo, a raça bovina Maronesa, de uma região, delimitada pelas serranias do Marão – Alvão – Padrela e um modo de produção diferenciado, amigo do ambiente e do bem-estar  animal.

As características desta carne são, na vitela, a cor rosa, com gordura uniformemente distribuída de cor branca. No novilho, com cor vermelha clara com moderada gordura intramuscular de cor marfim e músculo de grão finíssimo, com consistência firme e ligeiramente húmido. Na vaca, com cor vermelha escura, com forte gordura intramuscular de cor marfim e músculo com consistência firme e húmido. O aroma é simples e delicado, a suculência é extraordinária e o “flavour” é excecional, proporcionando sensações olfativas e gustativas ímpares. No mercado esta carne apresenta-se de três formas:

• Vitela – Carne proveniente de animais abatidos entre os cinco e os nove meses de idade, com peso de carcaça entre os 75 e os 130 kg;

• Novilho -Carne proveniente de animais abatidos entre os dez e os 24 meses de idade, com um peso de carcaça superior de 130 kg;

• Vaca – Carne de animais abatidos entre os dois e os quatro anos de idade com peso de carcaça superior a 200 kg.

A gestão da denominação Carne Maronesa DOP está a cargo da ACM — Associação de Criadores do Maronês. O controlo e certificação da Carne Maronesa DOP é feito pela Certis – Controlo e Certificação, Lda., entidade reconhecida e/ou indigitada na qualidade de Organismo de Controlo (OC).

Agrupamento de Produtores

Para a promoção e comercialização da Carne Maronesa DOP foi estabelecido em 2013 um protocolo de cooperação entre a ACM – Associação de Criadores do Maronês e a Cooperativa Agrícola de Vila Real (CRL), sendo o Agrupamento de Produtores uma secção da Cooperativa Agrícola de Vila Real que tem por missão a comercialização da “Carne Maronesa – DOP”, isto é, a aquisição dos animais aos produtores credenciados, o abate desses mesmos animais, a entrega de carcaças, desmancha e embalagem em vácuo feito no matadouro da zona demarcada e a comercialização direta aos consumidores ou a estabelecimentos credenciados para o efeito.

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