Neste mês em que assinalamos mais um Dia Internacional da Mulher nas nossas páginas, dou por mim a recordar que sempre vivi rodeado de mulheres desde a infância. Continuou a ser assim na faculdade e na vida profissional. Sempre me pareceu muito natural e fácil comunicar com mulheres de todas as idades. Afinal, as pessoas mais importantes da minha vida são e foram mulheres. E talvez por isso me irrite tanto a forma redutora como muitas vezes se fala delas – com expressões feitas, lugares-comuns, adjetivos aos montes e elogios vazios que pouco dizem sobre o que cada uma é.
Não acho que todas as mulheres são extraordinárias porque, obviamente, não acho que todas as pessoas o são. Mas sempre que me lembro da palavra Mulher é das mulheres de quem gosto que me lembro, e das que merecem a minha admiração.
Feita esta introdução, creio que seria frustrante ter uma publicação como a IN Corporate e não a aproveitar para refletir sobre o nosso próprio trabalho, a comunicação empresarial e institucional e a forma como transmitimos ideias e o impacto que isso tem na credibilidade de quem comunica.
Hoje, empresas, instituições e profissionais das mais variadas áreas comunicam em múltiplas plataformas, tentando captar a atenção de públicos cada vez mais hiperestimulados e dispersos. Há como que uma obrigatoriedade de comunicar algo constantemente, mesmo que não se tenha nada de novo a acrescentar, o que estimula a sensação de vazio no recetor da mensagem. Esse vazio deslizante (para utilizar só palavras portuguesas), poderá crescer ao ponto de se tornar apenas um ruído de fundo. Para quebrá-lo é preciso, mais do que nunca, ser claro. A comunicação clara é o primeiro passo para gerar confiança. Seja no contacto com o público, com leitores, clientes, parceiros ou investidores, a transparência e a simplicidade na transmissão de ideias são determinantes.
Uma mensagem ambígua ou pouco honesta intelectualmente não só cria distanciamento, como vai fragilizar qualquer organização, muitas vezes, irremediavelmente.
A linguagem deve ser acessível, sem perder densidade, e o tom ajustado ao público a que se destina. Ser assertivo e convincente sem ser manipulador. E, claro, depurar o mais possível a palavra até que se atinja a simplicidade desejada.
No mundo dos media a reputação é fundamental, mas também para qualquer empresa ou organização, continua a ser algo inestimável. Quem comunica com cuidado e profissionalismo projeta uma imagem de credibilidade que, se for sincera, não se fica pela superfície. Será só, afinal, comunicar aquilo que se é.
Pelo contrário, quando a comunicação é vaga ou contraditória, instala-se a desconfiança. Se não houver nada de genuíno para transmitir, é preciso parar, antes mesmo de começar, e pensar.