Debora Costa é empreendedora, ceramista, especialista em pestanas, escritora infantil e mentora, o que faz com que transforme vidas, ideias e histórias em coragem e poder. Enquanto organizadora do evento de empreendedorismo feminino Azores Girl Power, explica como e com que propósito nasceu a iniciativa, que soma já duas edições de sucesso.
No Dia Internacional da Mulher, a 8 de março, aconteceu a segunda edição do Azores Girl Power. Para quem não conhece, no que consiste este evento?
O AGP é muito mais do que um evento: é um espaço seguro e inspirador onde mulheres e também homens se juntam para aprender, questionar, partilhar e crescer, pessoal e profissionalmente. Durante um dia inteiro, reunimos oradores e histórias reais que abordam temas como empreendedorismo, finanças, marketing, crescimento sustentável, crenças limitantes e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
É um encontro pensado para mulheres comuns com ambições extraordinárias, que querem tomar decisões mais conscientes e construir negócios e vidas, alinhadas com quem são.
Em que momento da sua vida sentiu que era necessário criar uma iniciativa desta envergadura?
Na primeira vez que participei num congresso assim pensei logo: precisamos disto na ilha! Mas regressei à ilha e não o fiz, só passados anos de trabalhar diretamente com muitas mulheres, e em confidências, percebi que estavam a fazer tudo “certo”, mas ainda assim sentiam-se sozinhas, inseguras e duvidavam do seu valor. Foi aí que me deu o clique: é desta! É desta que crio um espaço real, fora das redes sociais, onde podemos falar de dinheiro, medo, ambição e crescimento sem filtros. O AGP nasce exatamente dessa inquietação, da vontade de criar um momento onde pudessem sentir o seu valor e ver o seu percurso com outros olhos.

O que torna o movimento, que descreve como “inspiracional e transformador”, diferente de outros também de empoderamento feminino?
A diferença está na verdade e na proximidade. Não quero promover um empoderamento vazio, cheio de frases feitas e autopromoção. Ali falamos de decisões difíceis, de erros, de números reais, de limites e de coragem prática.
Não colocamos mulheres num pedestal, sentamo-las à mesa. O AGP é transformador porque inspira, mas também confronta ao mesmo tempo que acolhe. Leva cada participante a sair não só motivada, mas mais consciente, mais informada e mais dona das suas escolhas.
Depois de participarem neste retiro de um dia, que feedback lhe deixam as pessoas que se desafiam a pensar, questionar e sair a decidir melhor?
O feedback mais recorrente é: “passei a ver o meu negócio com outros olhos”.
Dizem-me que ganham clareza, confiança e, acima de tudo, coragem para tomar decisões que estavam a adiar, seja no negócio, na carreira e até na vida pessoal. Muitas referem que, finalmente, tiveram o empurrão que lhes faltava. Amo “empurrar” pessoas! Nasci para isto! O feedback mais marcante que recebi foi, curiosamente, de um homem que me disse: “O AGP mudou a energia da ilha!”
É esse impacto que confirma que o AGP está a cumprir o seu propósito.




