Ao acompanhar de perto o sobrinho com autismo, Elisabete Elvas descobriu o potencial da homeopatia e como podia ajudar outras crianças. Nesta entrevista, fala-nos da influência que esta medicina tem na qualidade de vida e do trabalho que desenvolve no projeto Saudável com Homeopatia, em complemento ao acompanhamento médico convencional.
Dedica-se à homeopatia com o objetivo de transformar vidas. O que despertou em si a missão de cuidar do equilíbrio e do bem-estar das pessoas?
Foi ao acompanhar de perto o percurso terapêutico do meu sobrinho, no contexto do autismo, que me deparei com a relevância da homeopatia aplicada ao neurodesenvolvimento — uma realidade que, até então, me era praticamente desconhecida. Hoje sabe-se que o autismo é uma condição do neurodesenvolvimento de natureza multifatorial, resultado de uma complexa interação entre fatores genéticos e ambientais. Entre estes fatores ambientais, destacam exposição a medicamentos, doenças ou eventos traumáticos ocorridos durante a gravidez ou nos primeiros anos de vida — períodos especialmente críticos para o desenvolvimento cerebral.
Perante esta complexidade, torna-se cada vez mais evidente que a compreensão e o acompanhamento do autismo exigem uma abordagem ampla e aberta a diferentes perspetivas terapêuticas. É neste contexto que algumas abordagens complementares, como a homeopatia, têm vindo a despertar interesse entre profissionais e famílias que procuram caminhos adicionais de apoio no campo do neurodesenvolvimento.

Diante da estagnação que sentíamos naquele momento, decidimos dar uma oportunidade à homeopatia como abordagem complementar, sempre mantendo o acompanhamento médico convencional. Não sabíamos exatamente o que esperar. Sabíamos apenas que noutros países, existia mais informação e experiência sobre tratamentos biomédicos e sobre a homeopatia — caminhos que queríamos conhecer melhor e explorar.
O que aconteceu a seguir marcou-nos profundamente. Após a primeira toma do medicamento homeopático — preparado a partir de um medicamento que a mãe tinha utilizado durante a gravidez — começámos a notar algo que, naquele momento, nos pareceu extraordinário. Em apenas uma semana, uma criança que até então não se exprimia verbalmente começou a articular frases de três palavras.
Ao longo dos meses seguintes, os progressos tornaram-se consistentes e visíveis. Observámos avanços na comunicação, na interação e em várias outras áreas do desenvolvimento. Para nós, enquanto família, chegou um momento em que a transformação se tornou inegável — não no sentido de “apagar” o autismo, mas de ampliar possibilidades, reduzir dificuldades e abrir espaço para novas conquistas.
Que lições podemos retirar da experiência de uma família que decidiu explorar, de forma responsável, abordagens complementares no cuidado de uma criança no espectro do autismo?
Essa experiência mostra que o cuidado com crianças no espectro do autismo vai muito além de protocolos rígidos: exige atenção, sensibilidade e a disposição para explorar caminhos complementares quando apropriado. Não se trata de substituir o tratamento convencional, mas de reconhecer que o cuidado integral e individualizado pode integrar diferentes abordagens, sempre com responsabilidade e conhecimento.
Talvez esta seja a maior lição que a experiência do meu sobrinho nos ensinou: estar abertos a novas possibilidades é, muitas vezes, o primeiro passo para abrir caminho a grandes conquistas.

Que benefícios a homeopatia pode trazer quando usada como complemento no acompanhamento do autismo?
Muitos pais relatam efeitos positivos da homeopatia quando utilizada como abordagem terapêutica coadjuvante no acompanhamento do autismo. As melhorias são frequentemente descritas ao nível dos sintomas comportamentais e do desenvolvimento global da criança. Em diversos casos observa-se uma redução significativa da ansiedade e da irritabilidade, fatores que contribuem para níveis elevados de stress e que afetam o bem-estar quotidiano das crianças e das famílias.
Começam também a surgir mudanças noutras dimensões do desenvolvimento: melhora a qualidade do sono, a comunicação torna-se mais fluida, o comportamento social mais equilibrado e a capacidade de concentração e aprendizagem tende a aumentar. Paralelamente, muitos pais referem uma diminuição das estereotipias, dos comportamentos repetitivos e da agitação motora.
Em grande parte dos casos, os progressos constroem-se gradualmente, ao longo do tempo e precisamente essa evolução progressiva e consistente que reforça a confiança das famílias no processo terapêutico e as encoraja a dar continuidade ao acompanhamento.
“Saudável com Homeopatia” é o mote do seu trabalho. Na prática, o que significa, para si, ser saudável através da medicina alternativa?
Ser saudável através da homeopatia significa fortalecer o organismo de forma natural, promovendo equilíbrio, vitalidade e capacidade de autorregulação, de modo que corpo, mente e emoções funcionem em harmonia.




