Turismo

Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro reabre em fevereiro com novos conteúdos e equipamentos

CIBV (Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro)
CIBV (Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro)

Em virtude de uma candidatura à Linha de Apoio ao Turismo Acessível do Turismo de Portugal, o Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro(CIBV), no concelho da Lourinhã, irá reabrir em fevereiro de 2020 com novos conteúdos e recursos, assegurando-se o atendimento inclusivo de pessoas com necessidades especiais.

Se lhe falarmos na Batalha do Vimeiro, é provável que desconheça todos os pormenores da mesma. Mas se lhe dissermos que foi ali, no concelho da Lourinhã, que terminou a Primeira Invasão Francesa em Portugal, então já sabe que foi uma batalha crucial para o futuro do país.

Para conhecer esta gloriosa página da nossa História basta visitar o Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro (CIBV). Inaugurado em 2008, o CIBV é um equipamento cultural e turístico do município da Lourinhã que nasceu em pleno campo de batalha. O espaço encontra-se encerrado ao público desde 1 de novembro de 2019 com vista a ser requalificado e adaptado para se tornar mais acessível a todos. Em fevereiro reabre em pleno.

No ano de 2017, o município da Lourinhã submeteu uma candidatura à Linha de Apoio ao Turismo Acessível. Face à deliberação do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal, a candidatura foi aprovada e daqui resultou o compromisso de, ao longo de 2019, ser levado a efeito um conjunto de intervenções diversas e transversais que assegurem a acessibilidade do CIBV.

Neste sentido, foi instalada uma plataforma elevatória, foi feita a colocação de piso tátil e as instalações sanitárias sofreram também pequenas alterações de modo a tornarem-se mais acessíveis.

Para além disso, todo o ambiente gráfico está a ser reformulado; serão introduzidos vídeos interpretativos (com integração de Língua Gestual Portuguesa e sinais internacionais); será feita a digitalização, modelação e impressão de réplicas 3D; serão adquiridos audioguias com conteúdos em audiodescrição; serão produzidos materiais de apoio em Braille; vai ser instalada uma solução acústica de simulação dos sons de batalha; haverá um mapa para parede com impressão 2D 1⁄2 e sequência de apoio dinâmica.

Será ainda criado um percurso acessível no interior da localidade do Vimeiro pelos pontos de interesse que preservam memórias associadas à batalha (Quartel-General, Hospital de Campanha, Igreja, Monumento Comemorativo) e será criado um site para o CIBV, visto que até ao momento não tinha site próprio. Este deve ser acessível entre nove a dez pontos do Access Monitor (validador da Fundação para a Ciência e Tecnologia) – nível AA, cumprindo as regras WCAG 2.0 do W3C.

“Estas intervenções visam a regeneração, requalificação e reabilitação do CIBV de modo a que este espaço turístico e os seus serviços sejam acessíveis, fazendo deste um projeto de referência. Trata-se de adaptar para responder às necessidades de pessoas com limitações motoras, mas também visuais, auditivas, intelectuais; para os pais com crianças; para as grávidas em final de gestação; para os idosos com limitações decorrentes do processo de envelhecimento; para pessoas com limitações temporárias, obesidade ou doença; para os acompanhantes. Mas também para o público em geral. O objetivo é integrar de forma discreta, mas efetiva com vista à prestação de um serviço público de qualidade para pessoas com necessidades especiais, temporárias ou permanentes, mas também com vista a beneficiar o acolhimento inclusivo de todos os turistas. A maior parte das alterações virão beneficiar não apenas os visitantes com algum tipo de limitação, mas sim todos os visitantes, fazendo do CIBV um espaço para todos”, explicou Ana Bento, responsável pela curadoria do CIBV.

A técnica destacou também a relação com a comunidade que é importante desde o início. Segundo Ana Bento, a “população do Vimeiro nunca deixou cair em esquecimento esta batalha. Muitos dos objetos e património arqueológico encontrado no campo de batalha foi doado pela própria população. A população vem ter connosco e fazemos registo de património oral. Este património imaterial também é muito importante para o estudo da batalha”.

O autor dos painéis de azulejos existentes no CIBV e das pinturas nas ruas do Vimeiro é Salvador Ferreira, homem da terra e que também faz parte do grupo de recriação histórica. É que em 2015 surgiu a Associação para a Memória da Batalha do Vimeiro (AMBV) pelas mãos da “população local com o objetivo de contribuir para a preservação da memória desta batalha e que permitiu concretizar um sonho antigo de criar um grupo de recriação histórica. Neste momento o grupo tem cerca de 30 recriadores, entre militares e civis. Participam em recriações nacionais, mas também no estrangeiro e divulgam o património histórico-militar das Invasões Francesas e da Batalha do Vimeiro”.

A batalha em si aconteceu a 21 de agosto de 1808. De um lado as forças napoleónicas, lideradas por Jean Andoche Junot, do outro o exército anglo-luso, sob o comando de Sir Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington. Este experimentou, pela primeira vez, a tática militar da contraencosta. Esta tática foi utilizada ao longo de toda a Guerra Peninsular e também na Batalha de Waterloo, que marcou a derrota final de Napoleão Bonaparte.


Ana Bento, Técnica Superior do Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro

“A tática visa colocar algumas tropas numa elevação de terreno, mas a maior parte das tropas fica em contraencosta, escondida. O inimigo é forçado a fazer uma progressão em subida, o que é extremamente desgastante. No momento crucial, as tropas escondidas vêm ao topo, formam em dupla linha e disparam contra o inimigo. Os franceses, formados em colunas compactas, procuravam avançar com velocidade, mas tinham um reduzido poder de fogo, visto que apenas as primeiras linhas podiam disparar”, explicou a técnica superior.

Se ainda assim o leitor não percebeu o alcance desta batalha, saiba que pode ver tudo nos dias 17, 18 e 19 de julho na Recriação Histórica que “é o ponto alto das nossas atividades anuais”, juntando cerca de 15 mil visitantes e que também inclui um mercado oitocentista com tasquinhas, recriação de ofícios à época, concertos, atividades diversificadas e animação de rua em permanência. “Em 2020 vamos ter pela primeira vez um tema: o Mistério da Morte de D. João VI”, anunciou Ana Bento. D. João VI foi o único rei que conseguiu enganar Napoleão.

“O tema da morte de D. João VI permanece envolto em mistério. Estudos recentes revelaram que o rei morreu vítima de envenenamento por ingestão de arsénio”. A História continua assim a dar-nos história!

Sobre este autor

Ana Leitão

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