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Centro Helen Keller, a escola para todas as crianças felizes

Estabelecimento de ensino integrado destina-se a todos, desde os quatro meses de vida até ao 9.º ano de escolaridade, com ou sem deficiência visual. Uma escola que fomenta a inclusão, atividade física, lado ambiental e parte académica num só espaço.

No Restelo, zona de Lisboa que ficou para a História, existe uma escola inclusiva com seis décadas de história. Ao contrário do velho do Restelo que ergueu a voz contra a ambição dos Descobrimentos, o Centro Helen Keller há muito que tem uma visão progressista no que ao ensino diz respeito.

Não foi graças à Índia, mas sim ao Movimento de Escola Moderna, criado por um professor francês que desenvolveu um método natural de aprendizagem, pondo os alunos em contacto com a realidade. Além do rigor nas práticas académicas e da promoção de competências sociais, a escola tem como missão especial promover a integração de alunos com problemas visuais.

Como isso sempre foi a realidade do Helen Keller, criou-se a falsa ideia de que “só trabalhávamos para pessoas com deficiência visual”. “Somos uma escola inclusiva, mas não é só para esses alunos. O que faz sentido aqui é o conjunto e o contacto entre eles. Somos uma escola, de facto, para todos e temos uma equipa extensa e multidisciplinar para dar apoio aos diferentes alunos e às diferentes necessidades que têm”, continuou.

O objetivo é mesmo tornar os alunos em cidadãos melhores, mais conscientes e mais informados, contribuindo para um mundo mais solidário e harmonioso. No fundo, crianças e jovens com caráter e felizes.

O ensino divide-se em berçário, creche, jardim de infância, 1.º, 2.º e 3.º ciclos. O berçário destina-se a bebés entre os quatro e os 12 meses (ou quando adquirida a marcha) e a creche acompanha-os até que tenham três anos. “Temos lotação completa da creche, porque é uma valência muito procurada, e comunicamos todos os dias com os pais numa plataforma para saberem o que fazem as crianças, que higiene fizeram, o que comeram, se podem largar as fraldas, se houve alguma situação a registar, quanto tempo dormiu”, disse a diretora pedagógica, referindo-se à plataforma INOVAR+.

Como o foco, além das atividades normais, é as atividades extracurriculares, os mais novos têm “as de música e motricidade, incluídas no horário escolar”. Já quem está no jardim de isinfância tem incluído no horário o ensino de música, educação física e inglês. “No jardim de infância funcionamos com salas heterogéneas, dos três, quatro e cinco anos na mesma sala, o que é uma mais-valia porque permite que os mais crescidos se responsabilizem e ajudem os mais pequeninos e que os mais pequeninos aprendam com o exemplo dos mais velhos”, explicou Ana Lúcia Pelarigo. “Há momentos em que algumas atividades, nomeadamente de música, são em conjunto e outros em que é por idades. Trabalham muito ao nível de projetos, com um tema. Para os de cinco anos temos também filosofia para crianças e o projeto ABC, que é a articulação com o 1.º ciclo e a preparação para essa passagem”.

No 1.º ciclo os alunos têm professores especializados em educação física, música, inglês e informática. “E a partir do 3.º ano todos os alunos aprendem Braille. Isto tem a ver com a nossa escola, é uma oferta de escola e é para terem um conhecimento e levarem daqui alguma mais-valia. Todos eles aprendem a ler e escrever Braille”, salientou.

Como ‘prova’ de que o Centro Helen Keller tem uma visão progressista, a partir do 2.º ciclo existe uma disciplina de Projeto, “que já tínhamos, mas passou a ser obrigatório por lei e depois deixou de ser, e nós mantivemos sempre”. “Acreditamos que eles têm de ter, porque são as profissões do futuro e hoje fala-se muito nisto. Estamos a formar alunos para profissões que não sabemos quais vão ser e que nem existem. Estamos a investir na parte informática, com um pouco de programação”, disse.

A oferta extracurricular é “vasta” pois “vai ao encontro das áreas que mobilizamos: a desportiva, que para nós é muito importante combater o sedentarismo, com o judo, futebol, basquetebol; e a artística, que para nós também é muito importante, com dança, ballet, ginástica acrobática, guitarra, o ioga foi introduzido este ano e teve uma adesão muito simpática e para o próximo ano retomaremos o teatro, depois deste ano de interregno”. No próximo ano letivo “queremos iniciar natação nalguns anos de escolaridade e expressões plásticas”.

Num futuro próximo está também nos planos um ginásio. “Será para toda a gente”, anunciou o presidente da direção, o engenheiro Alberto Maia e Costa. Tanto servirá para praticar desporto como para a parte académica. “A essencialidade é que Lisboa tem uma escola que se chama Centro Helen Keller e que nós e os professores temos uma preocupação muito grande, não só em instruir, como também em educar”, prosseguiu.

Isto tudo aliado à área ambiental, ou não fossem eles uma Eco-Escola pelo 3.º ano consecutivo, tendo a bandeira verde graças também ao espaço exterior que têm, e já se estão a candidatar à bandeira azul. Para quem não sabe, Eco-Escolas é um programa internacional vocacionado para a educação ambiental, sustentabilidade e cidadania.

Sendo uma escola que “privilegia muito as atividades no geral”, não podemos deixar de destacar a parte cívica. “Temos valores, batemos por esses valores, trabalhamos para esses valores e é dentro desse contexto que o Centro Helen Keller gostaria de formar os seus alunos para que fossem verdadeiros cidadãos: com carácter, educação, respeito e orgulho de ser português, que foi uma coisa que já se esqueceu”, resumiu o presidente.

O futuro é pensado com recurso ao passado que resultou e à melhoria do presente, sempre com os pés muito assentes na terra, conforme descreveu Ana Lúcia Pelarigo. “O nosso compromisso é continuar a mesma linha, mantendo os nossos quatro pilares orientadores: inclusão, atividade física, parte ambiental e parte académica. Vamos continuar sempre a fazer pequenas inovações em todas as áreas”. Contra qualquer velho do Restelo.

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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