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SMEAS Maia: Valorizar os biorresíduos criando um fertilizante agrícola

O Município da Maia continua a dar passos importantes em direção a um futuro “mais verde”. Tem sido referência em áreas sociais, de empreendedorismo e também de sustentabilidade, como é exemplo a Estação de Compostagem dee Lamas de Parada, que transforma biorresíduos em fertilizantes, um projeto único em Portugal. “É o mundo que nos vem visitar. Vêm da China, Inglaterra, Irlanda, Espanha, de todo o lado”, começa por indicar Maria Assunção de Abreu, Engenheira Ambiental, Diretora e Técnica Superior da Estação de Compostage de Lamas de Parada. Numa breve visita guiada, sublinha a relevância deste equipamento para a diminuição da pegada ecológica do concelho da Maia.

“É o mundo que nos vem visitar. Vêm da China, Inglaterra, Irlanda, Espanha, de todo o lado”

A Estação de Compostagem de Lamas de Parada recebe diariamente 22 Milhões de litros (em média) de água residual para tratar, – 75 por cento das águas residuais produzidas no Concelho da Maia – funcionando 24 horas por dia, durante todo o ano.

A Estação de Compostagem, como o próprio nome indica, destina-se a compostar lamas e transformá-las em compostos utlizados como fertilizantes. Trata-se de uma operação de valorização dos bio sólidos provenientes do tratamento de águas residuais em que, sob condições controladas, decorre a decomposição biológica e a estabilização dos materiais. Com este processo produz-se o produto final – o composto – tipo húmus, higienizado, isento de sementes, que permite a manipulação, o armazenamento e a respetiva aplicação, não só sem qualquer tipo de impacto agressivo sobre o meio ambiente, mas ainda, garantindo uma fertilização dos solos onde é aplicado. É também um adjuvante capaz de melhorar e de enriquecer as propriedades físico-químicas e biológicas
desses mesmos solos. Sucintamente, pode definir-se como um método de tratamento de resíduos provenientes do tratamento de águas residuais, no qual os componentes orgânicos se decompõem biologicamente (oxidação dos compostos voláteis), em condições aeróbias controladas, até alcançar um estado que permite a respetiva utilização e manipulação.

Destaca-se este processo de estabilização aeróbia da compostagem que decorre num sistema confinado de reatores horizontais. As lamas são desidratadas e conduzidas através de tapetes transportadores até um silo. Anexo a este encontra-se outro silo com maior capacidade, onde é descarregado e armazenado o material de suporte vindo do exterior, onde é também depositado o composto final reciclado. Através de uma pá carregadora é feita a mistura dos bio sólidos com o material de suporte – casca de pinheiro moída – , ou, por vezes, serrim de pinho. A mistura de alimentação é diariamente introduzida, através de uma pá carregadora, nos cinco bioreatores onde se processa a compostagem, ao longo de três semanas.

O processo de compostagem processa-se ao longo dos bioreatores, nos quais se registam duas fases diferenciadas. A primeira fase, que dura cerca de sete dias, é caraterizada pelo elevado consumo de oxigénio e pelo desenvolvimento de temperaturas da ordem dos 65ºC, ficando todo o material praticamente higienizado, ao mesmo tempo que se verifica uma considerável redução do teor de humidade. Este processo tem como objetivo a eliminação de micro-organismos patogénicos, agentes de putrefação e abortamento de sementes infestantes.

A segunda fase apresenta temperaturas mais baixas e taxas de consumo de oxigénio inferiores. Desta forma, no final do processo obtém-se um composto rico em nutrientes, inodoro, limpo, saudável e homogéneo. O produto final – composto – é retirado dos reatores através de uma pá carregadora, e depositado no parque de maturação e armazenamento, onde permanece em pilhas de 2,5 metros de altura, tendo em vista a sua máxima estabilização e redução da humidade.

O sistema de garantia de qualidade do composto produzido na Estação de Compostagem de Lamas passa pela verificação de uma série de valores limite do produto final, bem como das etapas de tratamento que lhe dão origem. É por fim embalado, num processo de embalamento, praticamente
único em Portugal.

Agronat e Naturanat


O Argonat e o Naturnat são corretivos orgânicos compostos por lamas resultantes do processo de compostagem da Estação de Parada, na Maia. O principal foco da matéria orgânica encontra-se nas lamas – um subproduto resultante da acumulação da biomassa presente nas águas residuais, rico em nutrientes.

Todo o processo é controlado na Estação, desde a produção até à comercialização e transporte. “Aqui tornamo-nos independentes, na medida em que conseguimos gerir as lamas que produzimos. A comercialização é feita através de empresa especializada, que garante a venda do composto produzido. A receita que advém da venda de composto sustenta os custos de exploração que, por isso, é económica e financeiramente autossuficiente”, explicou Maria Assunção de Abreu, engenheira responsável pelo processo.

O composto é utilizado na agricultura mas é também vendida a viveiristas florestais que o utilizam em substituição de turfas e outros produtos de menor qualidade.