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Vila Viçosa, caminhos de culto e devoção

São muitas as expressões culturais, históricas e arquitetónicas que se encontram em Vila Viçosa. Mas, ao falar dos seus pergaminhos históricos, queremos agora simbolizá-los numa valência que é um símbolo por si: os caminhos do património religioso. Trata-se de uma terra com profunda tradição cristã e com locais de culto, encabeçados, sobretudo, pelo Santuário de N.ª Senhora da Conceição, Rainha e Padroeira de Portugal, local da peregrinação nacional no Dia da Padroeira de Portugal (8 de dezembro).

Agora, a moldura continua a ser Vila Viçosa, mas o quadro é a Ermida de São Tiago. A estes ecos de espaços de culto e de caminhos de peregrinação, há que juntar esta capela. Fica situada a dois passos da Igreja e Convento de São Francisco ou dos Capuchos, em Vila Viçosa, e faz parte de um conjunto de locais de culto situados no Largo dos Capuchos, sendo considerada a primeira igreja matriz da vila. A este propósito, não podemos substrairmo-nos à força da definição de Carlos Filipe e de João Pires Lopes, que levantam o véu que esconde a importância dos caminhos do Sul, que fariam parte das rotas medievais de Santiago de Compostela, no qual se integra São Tiago de Vila Viçosa (Carlos Filipe e João Pires Lopes, Ermida de São Tiago de Vila Viçosa nos Caminhos

a Sul, 2021).

No terreiro onde se situa a Ermida, ocorreram tradições associadas a festividades populares, cerimónias religiosas, comemorações do dia do apóstolo São Tiago, paradas militares, visto que é um dos padroeiros do exército português, bem como a outro tipo de manifestações da vida local; desde as iniciativas senhoriais, sob o patrocínio dos Duques de Bragança, até às práticas mais populares, como as corridas de touros. Nos documentos de referência relacionados com a memória das festividades que ali tiveram lugar, nos séculos XVII e XVIII, encontramos informação que expressa de forma inequívoca que o dia de São Tiago era um dos dias mais importantes para Vila Viçosa, na qual, o terreiro onde se encontra erigida a capela se enchia de romeiros (…), que acorriam para festejar o dia deste santo apóstolo (Vide, idem, ibidem, 2021).

Apesar do abandono a que esteve sujeita e mau grado a perda de alguns dos seus elementos constitutivos, atenuados mais recentemente pela recuperação promovida pela Irmandade da Santíssima Trindade, que hoje tutela este pequeno local de culto, a igreja tem a seu crédito o facto de se tratar de um espaço de devoção e de peregrinação, de natureza popular, que conserva esse carácter de memória coletiva e de identidade local, com reflexos positivos na construção da imagem cristã da vila, sem esquecer a ligação da urbe com os seus espaços envolventes. Por isso, no dossiê de candidatura do Bem Vila Viçosa, vila ducal renascentista à Lista do Património Mundial, o reconhecimento atribuído ao seu património intangível constitui uma mais-valia que suporta tal pretensão.

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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